Médicos brasileiros não querem ir para o interior no programa Mais Médicos - Cidades - O Sol Diário
 
 

Saúde pública07/08/2013 | 18h25Atualizada em 08/08/2013 | 16h07

Médicos brasileiros não querem ir para o interior no programa Mais Médicos

Em Santa Catarina, dos 23 inscritos 20 escolheram o Litoral

A distribuição de médicos inscritos no programa do governo federal Mais Médicos reflete um problema sério do Brasil que concentra um maior número nas capitais e cidades mais desenvolvidas, deixando de lado o interior.

Dados em Santa Catarina não foram diferentes e demonstram a insegurança dos profissionais em trabalhar com estruturas mais precárias.

Dos 23 médicos que confirmaram a inscrição e no Estado, 20 escolheram a região litorânea. Das 174 cidades catarinenses inscritas no programa, onde um dos principais critérios era atuar em áreas de difícil acesso e com população em situação de vulnerabilidade, apenas 17 foram contempladas com novos profissionais.

O professor e diretor do Centro de Ciências da UFSC, Sérgio Torres, lembra que a falta de médicos no interior já era uma constante e o resultado das inscrições não foi uma surpresa, mostrou apenas números esperados, por não criar nenhum atributo que despertasse o interesse destes profissionais. Caso de Cordilheira Alta, no Oeste de SC, que aderiu ao programa federal, mas não conseguiu atrair nenhum médico nesta primeira chamada.

— O maior obstáculo são as condições de trabalho nestes locais. Com a falta de infraestrutura, os médicos se sentem inseguros e por conta disso optam por cidades mais estruturadas — avalia.

Apesar do programa "sacudir" o problema, a solução não vai ocorrer em um curto prazo, defende Torres. Nas cidades pequenas, médicos não querem enfrentar as dificuldades da falta de estrutura básica, como laboratório para exames e equipamentos. O apelo é que municípios que não possuam hospital, a rede de saúde precisa evoluir. Com isso, mesmo com a ida de médico para o interior, a população continuará dependendo das cidades maiores para a continuação do atendimento, ou seja, o serviço de ambulância terapia deve continuar sendo regra nestes locais.

— A rede de saúde precisa evoluir e não será de uma hora pra outra. Em relação ao programa, precisamos esperar os resultados para ter mais clareza— diz.

A opção do governo em contratar médicos estrangeiros, na falta de profissionais do país, também gerou uma forte resistência da classe médica. De acordo com o diretor do Centro de Ciências da UFSC, na Inglaterra 25% dos profissionais são estrangeiros e nos EUA estes profissionais correspondem a 20%, enquanto no Brasil temos um índice de 1,5% de médicos estrangeiros.

— Sou favorável à vinda destes profissionais, mas desde que façam a revalidação do diploma. Todo profissional formado em outro país deve passar por uma avaliação — compara.

:: Clique no mapa e confira como está a distribuição do programa nacional, quais os municípios prioritários, inscritos, beneficiados e os não atendidos

DIÁRIO CATARINENSE

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