A paixão pelo surfe mudou a vida do catarinense Everaldo Teixeira, o Pato - Cidades - O Sol Diário
 
 

 
 

Perfil26/06/2014 | 08h03

A paixão pelo surfe mudou a vida do catarinense Everaldo Teixeira, o Pato

Foi na Praia do Quilombo que catarinense da série Nalu pelo Mundo surfou a primeira onda

A paixão pelo surfe mudou a vida do catarinense Everaldo Teixeira, o Pato Ricardo Wolffenbüttel/Agencia RBS
Pato começou a surfar em Santa Catarina e ganhou o mundo. Foto: Ricardo Wolffenbüttel / Agencia RBS

O que faz uma pessoa entrar no mar em um dia em que as ondas estão com 20 metros de altura? O sujeito está ali, desafiando a fúria do oceano, quase nu, apenas com uma prancha de surfe. Alguém que faz uma coisa dessas não pode ser normal.  Mas o catarinense Everaldo Teixeira, 39 anos, um dos maiores surfistas de ondas gigantes do mundo,contraria a lógica. Pato, como é conhecido – o apelido foi dado na infância, por uma vizinha que implicava com o vaivém dele na rua, atrás de amigos para brincar –, é um cara normal.

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A forma como responde mental e fisicamente a situações extremas vem do lugar onde viveu da infância à idade adulta. Mas como, se o Quilombo, um canto de praia em Penha, no Litoral Norte, é mais conhecido por abrigar o parque Beto Carrero World do que pela qualidade de suas ondas? Aprendeu a surfar aos 15 anos, quando a maioria já está disputando campeonatos internacionais. A primeira prancha foi trocada por blusas da avó e um calção de vôlei, esporte que ele praticava com algum destaque. 

— Comecei a surfar numa segunda-feira. No domingo, entrou uma ondulação com uns dois metros e meio de altura. Em condições como essas, a maioria não entrava na água, mas eu ficava à vontade. Passei a vida nadando e mergulhando naquele lugar. Meu pai era pescador e tinha uma barraca na praia. Sempre gostei de desafios, de coisas perigosas — conta.

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Casado há 12 anos com a cinegrafista Fabiana Nigol, 37, e pai de Isabelle, sete, Pato é freesurfer profissional. É pago para viajar. Mora na Lagoa da Conceição, em Florianópolis, mas passa mais de seis meses por ano fora de casa. Bali, na Indonésia, Kirra, na Austrália, Jeffrey’s Bay, na África do Sul e Teahupoo, no Taiti. Ele e as meninas conhecem todos esses lugares e os visitaram mais de uma vez. 



Mesmo com a vida pelo mundo, Pato diz que adora segurança e previsibilidade. Chama a atenção para o fato de trabalhar há 20 anos na mesma empresa – é patrocinado pela Mormaii. A estabilidade que tanto persegue pode ter origem no convívio familiar, em Penha.

Nascido em Blumenau – “mas porque não havia maternidade em Penha, viu?” –, a mãe o deixou com o pai e a avó quando ele tinha quatro anos. O reencontro só ocorreu 30 anos depois, em Balneário Camboriú, onde ela mora. Pato não guarda mágoas, mas a relação é distante.

 

A personalidade e o estilo adaptável ao que a vida apresenta foram forjados a partir das dores e delícias da infância em Penha, das braçadas no mar da Praia do Quilombo quase até sumir no horizonte, da relação que tem com Fabiana e Isabelle, as mulheres da sua vida. E assim Everaldo Pato vai se desafi ando, encarando monstros líquidos com uma bermuda e uma prancha. Pensando bem, ele não é um cara normal.

"Não existe nada mais importante do que a família"

Penha é uma cidade com pouco mais de 21 mil habitantes e escassas oportunidades de trabalho. Na infância, a solução para Pato foi ajudar. Aos sete anos, vendia picolés durante a temporada de verão.Quando os dias de calor rareavam, o negócio era a venda de sonhos. Com o dinheiro, comprou sua primeira bicicleta.

—Na minha rua tinha uma oficina de bicicletas. Uma estava à venda e eu falei para o dono: “O senhor guarda essa bicicleta pra mim? Quando acabar a temporada, vou comprar”. Ele riu. Não acreditou. Acabou a temporada e fui na ofi cina com o meu pai. Eu carregava um saco de moedas, daqueles de açúcar de cinco quilos. Comprei e desci a rua empurrando, pois não sabia andar. Depois que aprendi, comecei a vender os picolés de bicicleta — lembra. 

 

Os anos em Penha foram aproveitados na praia e também trabalhando como pescador, carregador de material de construção, mecânico, garçom, vendedor de cachorro-quente... Sempre diferente. Sempre mudando.

A falta de rotina virou uma rotina compartilhada com o público em 2009, quando foi ao ar o programa Nalu pelo Mundo, reality exibido pelo canal a cabo Multishow. Nos 152 episódios exibidos até agora, as experiências e as descobertas da pequena Belinha são compartilhadas com os telespectadores: 

— O mais legal do programa é passar uma mensagem de família. Acho que conseguimos atingir esse objetivo.



Com o nascimento de Isabelle, Pato viveu a experiência de ser pai pela segunda vez. Em Penha, teve um fi lho aos 18 anos, com uma namorada na época.

— Ele mora em Curitiba. Não somos próximos e isso é uma coisa que me machuca. Quando casei, falei pra minha mulher que queria ter uma filha e estar perto dela todos os dias. É o que eu tenho feito. E até o momento tem dado certo — diz.

O que eu vivo em Penha e Florianópolis 

 

O restaurante Sombreiro fica de frente para o mar na Praia da Armação, em Penha. Olhando à esquerda, dá para ver a Praia do Quilombo, onde Pato começou a surfar. A especialidade da casa são peixes e frutos do mar, com destaque para a tainha recheada. – Peça para o garçom preparar um peixe fresco, pescado na hora, ali mesmo – é a dica dele para quem almoçar ou jantar lá. Na Rua Itajaí, 92. Telefone (47) 3345-9678. 

 

A praia do Gravatá é um dos refúgios da família Teixeira. O pequeno balneário de curta faixa de areia se esconde entre duas praias movimentadas de Florianópolis. Para alcançar o local de água esverdeada e ondas calmas entre a Mole e a Joaquina é preciso fazer uma caminhada de 30 minutos. A trilha é fácil, mas o início não é sinalizado. O acesso à praia começa em uma rampa de concreto em frente à escola Parapente Sul, na subida que vai das Rendeiras até a Praia Mole

 

Pato, Fabiana e Belinha vivem e curtem a Lagoa da Conceição, em Florianópolis. Um dos passeios prediletos da família, quando eles estão curtindo uns dias em Santa Catarina, é se exercitar praticando Stand Up Paddle.

Uma vida pelo mundo

 

No ar desde 2009, o programa Nalu pelo Mundo teve origem com o filme Nalu, de 2008, estrelado por Pato e dirigido por Rafael Mellin, da produtora carioca SAL, responsável, entre outros trabalhos, pela série 70 e Tal, exibida pelo canal OFF. Um diretor do Multishow assistiu ao filme e entrou em contato com Pato. Era o início do projeto. Na língua havaiana, “nalu” significa onda.

 

Em 2012, Pato se formou piloto e comprou um helicóptero. Ele trouxe a família do Havaí para o Brasil. Em Penha, colocou a avó a bordo e fez um voo panorâmico. Nesta foto, Pato, Fabiana e Belinha estão em Barbados, no Caribe.

Missão #viversc de Everaldo Pato

Praia do Quilombo, em Penha. Lagoa da Conceição, em Florianópolis.

DIÁRIO CATARINENSE

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