Macacos-prego de Xanxerê, no Oeste de Santa Catarina, ganham fama nacional - Cidades - O Sol Diário
 

Bichinhos famosos15/07/2014 | 11h07Atualizada em 15/07/2014 | 14h14

Macacos-prego de Xanxerê, no Oeste de Santa Catarina, ganham fama nacional

Vilson é o único criador autorizado dos animais silvestres no Brasil

Macacos-prego de Xanxerê, no Oeste de Santa Catarina, ganham fama nacional Marcio Cunha/Especial
Criador largou a empresa de eletrônicos para se dedicar exclusivamente aos animais Foto: Marcio Cunha / Especial

É no interior de Xanxerê, no Oeste de Santa Catarina, numa propriedade com acesso de oito quilômetros por estrada de chão, em que não passam dois carros ao mesmo tempo, que mora Vilson Carlos Zarembski. O catarinense que recentemente ganhou projeção nacional ao aparecer na Revista Veja e no programa Mais Você, da Ana Maria Braga, ganhou novos amigos no Facebook, alguns deles internacionais, e passou a ser reconhecido pela população nas ruas de Xanxerê.

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O motivo da badalação são os filhotes de macaco-prego que foram adquiridos por celebridades como o atacante do Botafogo Emerson Sheik, a socialite Renata Scarpa e o cantor Latino. Zarembski é o único criador com autorização do Ibama e da Fundação de Meio Ambiente (Fatma) para vender a espécie no Brasil. O valor dos filhotes, criados em cativeiro, varia de R$ 20 mil a R$ 60 mil. O alto valor é explicado pela raridade de se ter um macaco de estimação. Zarembski vende entre oito e dez filhotes por ano.

— Quem compra é o pessoal da classe alta que quer algo diferente — afirma.


"Sinto orgulho em ver o trabalho reconhecido nacionalmente", diz Vilson
Foto: Marcio Cunha, Especial


Zarembski é natural de São Domingos e sempre gostou de pássaros. Chegou a ater um criadouro conservacionista até 1998, quando fechou por causa do alto custo de manutenção, que gira entre R$ 4 mil e R$ 4,5 mil mensais. O lucro da loja de eletrônicos, que manteve por 23 anos, ia para a manutenção dos animais.

Em 2002 ele montou um projeto para o Criadouro Aves do Paraíso, com fins comerciais de primatas (macacos e saguis) e psitacídeos (aves de bico torto, como papagaios, periquitos, araras e jandaias).

Começou vendendo saguis – espécie que hoje apenas cria, já que em 2012 a comercialização foi proibida pelo Conselho Estadual do Meio Ambiente em Santa Catarina. No mesmo ano um cliente de Florianópolis sugeriu a criação de macacos-prego e ele buscou quatro exemplares no Centro de Triagem de Animais Silvestres de Florianópolis, para onde vão animais resultado de apreensões.

Famosos que compraram macacos-prego de Xanxerê

Emerson Sheik
– atacante do Botafogo (RJ)
Renata Scarpa – socialite, irmã de Chiquinho Scarpa
Dinho Diniz – empresário
Latino – cantor
André Poloni – adestrador
Gilberto Miranda – adestrador
Ricardo Almeida – estilista


Criador conquista projeção nacional ao vender macacos-prego para famosos
Foto: Marcio Cunha, Agência RBS


Animais exigem cuidados especiais

Atualmente, Zarembski tem cerca de 200 animais, sendo 40 macacos-prego, 60 saguis e cem aves. A venda dos macacos-prego é o Destaque. Ele acredita que é o único com criadouro comercial de macaco prego pelo custo e pela dedicação que exigem os animais.

— Damos oito refeições por dia a eles — afirmou Zarembski.

Os macacos comem frutas, carne moída, quirera – milho quebrado – e o mesmo leite que é dado para bebês. Para o dono do criadouro, um dos encantos do macaco-prego é ter algumas atitudes parecidas com os humanos, como estender a mão para cumprimentar as pessoas.

Além disso, os filhotes usam fralda. Se forem treinados, dão até salto mortal.

— É como cuidar de um bebê — comparou.

Apesar de ter se tornado reconhecido, o catarinense de São Domingos não é muito ligado à fama. Ele mora numa casa simples com a mulher Raquel e a filha caçula, Isadora, de um ano e quatro meses. Lá também recebe a visita dos quatro filhos do primeiro casamento, sendo que um deles ajuda na criação dos animais de estimação, junto com um veterinário, uma babá para os macacos e outra funcionária para limpeza.

Ele fechou a antiga empresa para atualmente se dedicar exclusivamente aos animais. Ver os filhotes na televisão é uma realização pessoal.

— Sinto orgulho em ver o trabalho reconhecido nacionalmente — disse.

O sucesso tem servido de estímulo para Zarembski ampliar os negócios. Com pedidos da Irlanda, dos Estados Unidos e da Alemanha, ele planeja realizar um projeto para conseguir autorização para exportação.

 
Atualmente, Zarembski tem cerca de 200 animais, sendo 40 macacos-prego, 60 saguis (foto acima) e cem aves
Foto: Marcio Cunha, Agência RBS

Você Sabia?

— Os macacos-prego não são uma única espécie, mas sim pelo menos 12 tipos de macaco muito parecidos entre si. Por causa da semelhança, acabam sendo todos chamados pelo mesmo nome. Eles pesam entre 1,3 kg e 5 kg, e os maiores podem medir até 48 centímetros de comprimento (sem contar a cauda).

— Eles se distribuem por quase toda a América do Sul. Há espécies de macaco-prego em regiões muito diferentes: úmidas, secas, frias, quentes, no litoral ou nas montanhas, na floresta ou na vegetação aberta.

— Alguns tipos correm grave risco de extinção, outros são muito comuns nas regiões onde habitam. Hoje, o maior risco para os macacos-prego é o desmatamento, especialmente na Amazônia e na Mata Atlântica.

— O macaco-prego é um animal onívoro – ou seja, come de tudo, igual ao ser humano. Algumas espécies comem praticamente só plantas ou insetos, enquanto outras também se alimentam de frutas, ovos, sementes, caranguejos, sapos e até pequenos mamíferos, como ratos e camundongos.

— Parece legal ter um, né? Mas nem adianta pedir para seus pais — além de sair muito caro comprar o bichinho, ter um macaco-prego não é tão fácil quanto ter um cachorro de estimação em casa. Eles são animais espertos e aprendem truques com facilidade, mas também têm muita energia e precisam morar em locais abertos (bem maiores que o seu quintal ou a sacada do seu apartamento). Além disso, gostam de viver em grupo e são bem sensíveis, exigindo muitos cuidados.

Entrevista
Taíse Bresolin Chefe do escritório regional do Ibama em Chapecó


"Cadastro deve ser feito na Fatma"

Animal silvestre em casa só é permitido se for de um criadouro autorizado pelo Ibama. Nesse caso deve ter um chip de identificação e nota fiscal. Mas ter um animal comprado de alguém ou retirado da mata pode dar multa e processo penal e administrativo.

A explicação é da chefe do escritório regional do Ibama em Chapecó, Taíse Bresolin. Ela explicou ao Diário Catarinense que, mesmo quem cria pássaros silvestres como um hobby, precisa fazer o cadastro, que antes era feito no Ibama e desde 2011 passou a ser de responsabilidade da Fatma.

Diário Catarinense — Como funciona para alguém abrir um criadouro comercial de animais silvestres?

Taíse Bresolin — O primeiro passo é fazer um cadastro no Sistema de Gestão da Fauna Silvestre (Sisfauna). Até 2011, esse cadastro era feito no site do Ibama. Agora deve ser feito na Fatma. O Sisfauna é mantido pelo Ibama, mas quem gerencia é o órgão estadual. No cadastro, o empreendedor deve informar as espécies que vai criar. Depois de uma análise é concedida uma autorização prévia, autorização de instalação e, depois de uma vistoria, a autorização de manejo.

DC — Quais são os critérios que o empreendedor tem de obedecer para poder ter um criadouro?

Taíse — Ele tem de ter um espaço adequado para os animais, mostrar como serão as jaulas, informar como será a limpeza, a alimentação e ter um responsável técnico atuando junto desde o momento da elaboração do projeto.

DC — Ele só pode utilizar animais de outros criadouros?

Taíse — A não ser em caso de autorização especial, ele não pode buscar espécies na natureza e sim comprar de quem já trabalha com criadouros ou então se inscrever para receber animais de centros de triagem do Ibama. Normalmente ele não pode comercializar os adultos e, em alguns casos, nem a primeira geração.

DC — Como é a fiscalização?

Taíse — Semestralmente ele (o criador) tem de informar os animais que vendeu, os animais que recebeu e os fi lhotes. Os animais precisam ser identificados. Nos pássaros são utilizadas anilhas e, no caso de macacos ou similares, chips. Com isso é possível rastrear de onde vieram os animais.

DC — Existem espécies que são proibidas de serem comercializadas no Brasil?

Taíse — Foi proibida a criação e comercialização de javalis. Esses animais foram soltos ou fugiram e começaram a concorrer com espécies como catetos e geraram um desequilíbrio. Em Santa Catarina também está proibida a comercialização de saguis, pois não é uma espécie recorrente no Sul e pode concorrer com as nativas.

DC — Para quem vai comprar um animal silvestre, quais são as recomendações?

Taíse — Além do chip ou da anilha é preciso ter a nota fiscal, para garantir a procedência de um criadouro autorizado.

DC — O que é proibido ter em casa?

Taíse — Qualquer animal silvestre que não é de um criadouro autorizado.

Um exemplo é o papagaio, que tem muito na região. Se a fiscalização encontrar, vai autuar. A multa é de R$ 500 por exemplar de espécie não ameaçada e R$ 5 mil por exemplar de espécie ameaçada de extinção. Além disso, a pessoa vai sofrer processo administrativo e penal. Sem a nota fi scal o dono do animal não conseguirá transportá-lo para outra cidade. Mesmo quem cria pássaros sem fins de comercialização precisa se cadastrar no Sisfauna.

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