Cultura do dominó revela boas histórias e muita estratégia - Cidades - O Sol Diário
 

Diversão séria06/03/2015 | 20h34

Cultura do dominó revela boas histórias e muita estratégia

Campeonato Municipal de Florianópolis, que será relizado neste sábado no Mercado Público, reaviva tradição catarinense no jogo milenar

Cultura do dominó revela boas histórias e muita estratégia  Marco Favero/Agencia RBS
É preciso pensar rápido e ter uma boa estratégia para vencer partidas em torneios de dominó Foto: Marco Favero / Agencia RBS

Um jogo com 28 pedras, ou 168 pontos, e várias histórias para contar. Nele é possível fazer amigos e, principalmente, parceiros para formar uma boa dupla. Na Capital e em outros municípios do Estado, o local ideal para esse encontro normalmente fica em alguma praça na região central. É assim que o dominó conquista jogadores e perus (como são chamadas as pessoas que observam o jogo ao redor da mesa), além de um espaço importante na cultura regional.

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Neste sábado, dezenas de duplas se reúnem no vão central do Mercado Público de Florianópolis para disputar o 1º Campeonato Municipal de Dominó, organizado pela da Federação Catarinense de Dominó (Fecad). No entanto, para o presidente da Fecad, Antônio Paulo Zytkuewisz, 59, mais conhecido como "Neko", o jogo de mesa tem um alcance muito maior do que um simples troféu, deveria ser incluído no currículo escolar:

— Muitos idosos jogam dominó e estudos comprovam que é um bom exercício para evitar doenças como Alzheimer. Para crianças, seria muito bom para elas aprenderem matemática. Dominó é uma brincadeira com números.

Apesar do clima amistoso para falar dos benefícios do jogo, é preciso ficar bem atento na hora de formar um dupla e desafiar outra equipe. Jogador de dominó há mais de 40 anos, Jairo Backer, 63, chamado de Jairinho pelos colegas, já venceu torneios nacionais e dá algumas dicas para um amador não passar vergonha com as pedras na mão.

— É um jogo de equipe, então é preciso estar atento para cada pedra colocada pelo parceiro. Outro ponto essencial é sempre respeitar a preferência na batida, que deve ser o jogador que está na vantagem - explica Jairinho.





Um jogo de história e de igualdade

Alguns historiadores atribuem aos chineses o surgimento do dominó, que teria sido criado antes do nascimento de Cristo. Não há relatos precisos sobre quando as peças retangulares começaram a cativar os catarinenses, apenas que alguns dos campeonatos mais tradicionais chegam a ter 30 anos, como o torneio do Dominó do Estimado, no Norte da Ilha. Com quase dois anos de fundação, o campeonato deste sábado é o segundo organizado pela federação. O presidente Neko informa que espera um crescimento do número de participantes este ano por causa da divulgação.

— Temos 135 pessoas federadas, a maioria são amigos que se encontram para jogar em clubes ou alguns ranchos. E ainda tem os jogadores que ficam em praças. O melhor de tudo é que ao redor da mesa sentam políticos e pedreiros, e não tem uma briga. São todos iguais - comenta Neko.

Dominó de rua - Onde os fracos não têm vez

Nos campeonatos, a regra é clara: até para segurar a pedra escolhida é preciso ter um padrão, pois qualquer movimento em falso pode significar uma mensagem cifrada para o parceiro de equipe. Já nas ruas, a história é bem diferente. Do tipo de pontuação até o número de participantes por jogo, o dominó jogado em praças é mais versátil, e lucrativo.

— Aqui a gente joga no mano a mano, quando só são dois jogadores; ou então individual: com quatro jogadores, mas cada um por si. alguns jogos envolvem apostas de R$1, R$5 e R$10. Já saí daqui com R$ 200, mas também já voltei pra casa perdendo R$ 40 - conta Emerson dos Santos, um dos mais jovens jogadores das mesas de dominó em frente à Igreja Matriz, na Praça XV.

No local, o dominó pode ter várias regras, mas uma não muda, o respeito para quem já tem mais anos com as pedrinhas na mão. É o caso de Onório Peres, 75, apelidado de Banana. Vice-campeão brasileiro no ano passado, ele aproveita a aposentadoria para marcar presença durante toda a semana na Praça XV.

— Não tenho parceiro fixo, só venho aqui e jogo. É um bom lugar para descontrair e ouvir histórias - diz Banana, conhecido pelos adversários por ter um "bom dominó".

A sorte e a "mão perfeita"


Campeão do último torneio organizado pela Fecad, Ernani Rodrigues, o Naninho, ensina truques de dominó

Técnica apurada, atenção à cada jogada e mais uma coisa que não pode faltar: sorte. É assim que Ernani Rodrigues, 59, o Naninho, descreve o destino de um jogador de dominó em um torneio. Para ele: "As pedrinhas decidem". Ao contrário das partidas amadoras, onde p mais importante é bater o jogo, no dominó profissional a disputa é por pontos. As 28 pedras somam 168 pontos. Quando alguém bate, as pedras que restam na mão dos adversários são somadas e contam como ponto para o vencedor. Na regra tradicional, que será aplicada no Campeonato Municipal neste sábado, vence a dupla que chegar a 150 pontos. Justamente por isso, o jogador precisa saber a hora de ganhar e de perder.

— Não existe Pelé no dominó. Se a mão for ruim, o melhor é tentar fazer com que o adversário faça o mínimo de pontos possível e depois tentar virar na próxima partida - ensina Naninha.

Naninha venceu o primeiro torneio organizado pela Fecad, em 2014. Entre os macetes que ele aprendeu sobre o jogo, um dos mais enigmáticos está no que ele chama de "a mão perfeita". Ele explica que, em uma partida mano a mano, se alguém tiver as pedras 0/0, 0/1, 0/2, 0/3, 0/6, 1/4 e 1/5 nunca vai perder.

— Basta o jogador começar com a barata (0/0), que qualquer pedra que o oponente coloque você terá uma opção na mão. É matemática pura - diz.

Serviço: I Campeonato Municipal de Dominó de Floprianópolis
Onde: Vão central do Mercado Público de Florianópolis- Centro
Quando: Sábado (07/03/15)
Hora: a partir das 21h30
Inscrição: R$ 200 por dupla (é possível se inscrever no dia do torneio)

DIÁRIO CATARINENSE

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