Estivador, uma profissão que passa de pai para filho em Itajaí - Cidades - O Sol Diário
 
 

Itajaí Toda Vida12/06/2015 | 15h32

Estivador, uma profissão que passa de pai para filho em Itajaí

Dia a dia agitado e sem horário fixo marcam a rotina dos 535 funcionários avulsos do porto

Estivador, uma profissão que passa de pai para filho em Itajaí Marcos Porto/Agencia RBS
Vladimir é a quarta geração da família a trabalhar no Porto de Itajaí Foto: Marcos Porto / Agencia RBS
Fátima Catarina Barbi, Especial

reportagem@osoldiario.com.br

Um grupo de estivadores está reunido. Aos poucos anunciam-se os navios atracados, as cargas a serem movimentadas e os escolhidos para ajudar. Alguns vão para o cais, sobem para o convés, entram nos porões de carga. Os demais, dispensados, voltam para casa: não haverá trabalho para eles nesse dia. Outros, entretanto, negociam com os escalados e trocam informalmente de lugar: quem aceita, tira folga e ainda ganha metade do pagamento do dia.

Depois da implantação da chamada eletrônica esta cena ficou no passado. A tecnologia e o OGMO – Órgão de Gestão de Mão de Obra do Trabalho Portuário vieram para fazer o gerenciamento dos quadros de mão de obra da atividade portuária. Hoje é possível saber a escala de trabalho dos 535 funcionários avulsos do Porto de Itajaí com antecedência e seguindo o que determina as convenções sindicais a assiduidade é exigida. O estivador precisa realizar 50% da média do mês, ou seja, se entraram quatro navios, ele deve ter trabalhado em pelo menos dois. Três faltas não justificadas também o tiram do quadro.

Vladimir é um homem do porto – carrega-o até no sobrenome. Estivador há 13 anos já conheceu o lugar modernizado, com tecnologias que aumentam o desempenho e reduzem o trabalho humano. Filho e neto de estivador, aprendeu os caminhos da profissão de forma natural:

— Meu bisavô trabalhava no sindicato dos estivadores. Meu avô e meu pai trabalharam como estivadores e hoje eu estou aqui, sustentando minha família com este trabalho que atravessou gerações.

A mulher e as filhas já se acostumaram com a rotina de Vladimir. Frequentemente é chamado para trabalhar sábado ou domingo. Para compensar, rola churrasco na segunda-feira. Viagens e passeios, só acontecem se forem planejados com pouca antecedência – nunca se sabe a longo prazo qual a escala de trabalho.

Os vizinhos acham estranho e o questionam sobre a profissão. Não é raro encontrá-lo lavando a calçada ou fazendo outras atividades em casa em horário comercial – uma vantagem das escalas noturnas, quando fica com os dias livres para aproveitar a família e alimentar a imaginação da rua.

Vladimir segue um ritual sempre que entra no porto: faz uma oração pedindo para que saia dali vivo. Pai de duas meninas, teme que algo lhe aconteça e diz que, diante da necessidade de dar mais agilidade à movimentação das cargas e de manusear equipamentos de alta tecnologia, qualquer descuido pode ser fatal.

— É tudo muito perigoso, temos que trabalhar focados.

Fora do pátio o sorriso e as brincadeiras deixam extravasar as horas de tensão vividas durante o expediente. O clima entre os profissionais é descontaído e recheado de piadinhas. Compartilham, entre risadas e gírias próprias, uma função que os tornam peça importante do porto e da identidade de Itajaí.

O SOL DIÁRIO

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