Nova fase da Operação Parada Obrigatória tem denúncia contra policiais civis e ex-vereador Zé Ferreira - Cidades - O Sol Diário
 
 

Itajaí12/03/2016 | 18h37

Nova fase da Operação Parada Obrigatória tem denúncia contra policiais civis e ex-vereador Zé Ferreira

Ao todo, 20 pessoas tiveram denúncia aceita pela 1ª Vara Criminal

Nova fase da Operação Parada Obrigatória tem denúncia contra policiais civis e ex-vereador Zé Ferreira Lucas Correia/Agência RBS
Zé Ferreira está entre os denunciados Foto: Lucas Correia / Agência RBS

A juíza Sônia Moroso Terres , da 1ª Vara Criminal de Itajaí, aceitou denúncia contra 20 pessoas supostamente envolvidas em crimes investigados na Operação Parada Obrigatória 1 _ um apêndice da operação deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) em julho de 2015, que levou o então vereador José Alvercino Ferreira, o Zé (PP) à prisão e resultou na cassação de sua vaga no Legislativo. Zé está novamente entre os denunciados, bem como dois policiais civis que atuam em Itajaí.

A Justiça determinou o desmembramento da ação proposta pelo Ministério Público de Santa Catarina em dois processos distintos. O primeiro diz respeito à suposta propriedade dos policiais civis Luciano Miranda e Luciano da Hora sobre a empresa de segurança Viaseg _ o que é proibido pelo estatuto da corporação.

Os dois teriam, de acordo com a denúncia, usado “declarações falsas” e forjado alterações societárias para esconderem que eram, de fato, os donos da Viaseg, junto com o empresário Robson Oliveira. “Sendo esses três os proprietários de fato da referida empresa, a qual, posteriormente, viria dar nome ao grupo empresarial controlado pelos mencionados denunciados e que ainda contaria com outras duas empresas jurídicas, a Itaseg (que vende equipamentos de segurança) e a Lineseg (seguradora)” _ descreve o promotor Ary Capella Neto, responsável pela ação.

Os policiais também são suspeitos de terem privilegiado investigações que envolviam clientes de suas empresas. Um dos casos relatados é o assalto a um hospital da região, em 2013 _ que teria recebido atenção especial dos denunciados. “Agindo, inclusive, para que outros policiais também colaborassem com as investigações” _ afirma o MPSC.

Corrupção

Luciano Miranda ainda teria adquirido outra firma de segurança, a Escop, e a utilizado, em nome de terceiros, para emitir notas fiscais por serviços de investigação ao então sócio da empresa Dalçoquio (vendida no ano passado para Laércio Tomé), Augusto Dalçoquio Neto.

A denúncia afirma que um acordo foi firmado entre o empresário e o policial, de setembro a dezembro de 2011, para investigar roubos de cargas e furtos dentro da transportadora.

Um acerto semelhante teria sido feito entre Miranda e a empresária Maria Regina Dalçoquio, proprietária da empresa Orsi Logística. De acordo com a investigação, o policial teria recebido mais de R$ 300 mil pelos dois serviços.

A Justiça acatou denúncia contra 9 das pessoas citadas nessa etapa da ação _ inclusive os dois empresários que teriam contratado serviços particulares de Miranda e o suposto sócio dele e de Luciano da Hora nas empresas, Robson Oliveira.

Os dois policiais terão 15 dias para apresentarem defesa antes de a juíza decidir se aceita a denúncia contra eles ou não _ o procedimento é praxe quando se trata de servidores públicos.

Irregularidades envolvem empresa de radar, afirma MPSC

A suposta relação do ex-vereador e ex-coordenador da Codetran, Zé Ferreira (PP), com a empresa Trana, que instalou radares nas ruas de Itajaí, é um dos alvos da Operação Parada Obrigatória 1.

De acordo com as investigações, Zé teria recebido dos empresários Marcus Pinto Rola e Francisco Renato Lobo Macedo R$ 386 mil para facilitar aditivos e prorrogações de contrato (de 2009 a 2012 o contrato foi prorrogado duas vezes pelo município).

O dinheiro teria sido repassado à empresa TWL, que de acordo com o MPSC pertencia a Zé Ferreira e ao filho, Jefferson Alvercino Ferreira _ mas estava registrada em nome de terceiros.

Esquema semelhante teria ocorrido em uma transação entre a empreiteira Machado, que prestava serviço à prefeitura de Itajaí na manutenção de placas de trânsito, e a empresa Reseque Comércio, Representação e Distribuição de Bebidas. A denúncia do promotor Ary Capella afirma que a empreiteira pagou R$ 71 mil em propina a Zé Ferreira usando a Reseque.

Ao todo, 11 pessoas foram denunciadas por suposta relação com os crimes relatados nesse trecho da investigação, que incluem lavagem de dinheiro e falsidade ideológica _ entre elas Zé, o filho Jefferson e os empresários responsáveis pela empresa de radares.

CONTRAPONTO

O que dizem os denunciados:

Luciano Miranda – não foi localizado pela reportagem neste sábado

Luciano da Hora – não foi localizado pela reportagem neste sábado

Robson Oliveira – não localizado pela reportagem neste sábado

Augusto Dalçoquio – não foi localizado pela reportagem neste sábado

Maria Regina Dalçoquio – não foi localizada pela reportagem neste sábado

Zé Ferreira – o advogado dele, Kim Augusto Zanoni, disse que não comentaria o caso por enquanto

Jefferson Ferreira – o advogado dele, Kim Augusto Zanoni, disse que não comentaria o caso por enquanto

Marcus Pinto Rola – a defesa não foi localizada

Francisco Renato Lobo Macedo – a defesa não foi localizada

Empresas citadas pela reportagem:

Empreiteira Machado – nenhum responsável foi localizado

Reseque – contato da empresa não foi localizado

TWL – telefone que consta online não é mais da empresa

Viaseg – na empresa, a atendente informou que apenas funcionários de monitoramento estavam trabalhando e disse que não poderia entrar em contato com os proprietários

Lineseg - funciona junto à Viaseg, onde só havia funcionários do monitoramento neste sábado

Itaseg – ninguém atendeu o telefone da empresa neste sábado

Escop – telefone informado online não pertence mais à empresa

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