Moradora de Balneário Camboriú busca tratamento para o vitiligo em Cuba - Cidades - O Sol Diário
 
 

Esperança que vem de longe03/05/2016 | 10h01

Moradora de Balneário Camboriú busca tratamento para o vitiligo em Cuba

Margareth Migliorini luta contra a doença há 16 anos e já tinha tentado outros métodos no Brasil

Moradora de Balneário Camboriú busca tratamento para o vitiligo em Cuba Lucas Correia/Agencia RBS
Foto: Lucas Correia / Agencia RBS
Um medicamento cubano para tratar as manchas na pele provocadas pelo vitiligo se tornou a esperança de Margareth Helena Migliorini. Moradora de Balneário Camboriú, a bancária de 46 anos convive com a doença desde os 30. Tentou mais de sete tratamentos diferentes, nenhum com resultado efetivo, até descobrir em Cuba uma solução à base de placenta humana, a Melagenina Plus.

Com cerca de um mês de uso dos remédios trazidos de Havana, Margareth começa a notar melhora na pele: algumas manchas pigmentadas começaram a surgir nas mãos, rosto e pescoço. Uma motivação extra para seguir o tratamento, que é uma das principais dificuldades enfrentadas pelos pacientes com vitiligo.

— Fiz fototerapia, usei pomadas, vitaminas e xaropes, mas como não percebia melhora acabava desistindo. Todo tratamento para vitiligo é demorado e eu já tinha praticamente desistido de tentar outro quando me interessei por esse método cubano — conta.

A Melagenina Plus foi desenvolvida através de estudos do médico e especialista em ginecologia Carlos Manuel Cao nas décadas de 1970 e 1980. A solução é um extrato alcoólico de placenta humana e cloreto de cálcio que estimula a pigmentação da pele e tem sido difundida pelo mundo em função dos bons resultados. No Brasil, a regulamentação do medicamento foi suspensa pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 2009 por estar em desacordo com a legislação vigente.

Os 24 frascos do medicamento foram fornecidos para Margareth após consulta no Centro de Histoterapia Placentaria, localizado em Havana. Por lá o atendimento para estrangeiros é feito por ordem de chegada e há gente do mundo todo. A avaliação dura três dias para verificar se não há reações ao remédio.

— Eu trouxe medicamentos para fazer o tratamento por um ano, depois tenho que voltar para fazer uma nova avaliação. Eles estimam que esse remédio tem 86% de chances de melhora do vitiligo — afirma.
 
Vaquinha online
 
Para conseguir viajar a Cuba em busca de tratamento, Margareth apertou o orçamento, fez uma “vaquinha” online e recebeu ajuda de vários amigos. A viagem ocorreu no dia 25 março. Em Havana, os gastos com consultas, exames e os medicamentos ultrapassam os US$ 1,2 mil.

— Eu pesquisei bastante antes de ir para Cuba. Durante as consultas eles nos mostram vários vídeos com os resultados dos estudos e explicam que não basta apenas o tratamento. O lado emocional também precisa estar bem, porque senão podem surgir novas manchas — relata.

Natural de Guaporé, no Rio Grande do Sul, a bancária trava há 16 anos uma luta com a doença, que afeta principalmente a autoestima dos pacientes. As primeiras manchas na pele surgiram de um dia para o outro e com o tempo acabaram se espalhando.

— Naquela época vitiligo não era muito comum e como minha cidade era pequena fui buscar tratamento em Porto Alegre (RS). Quando viemos para Balneário continuei fazendo tratamentos, alguns fornecidos por médicos e outros que eu encontrava, mas nada funcionou bem.

Margareth diz que o mais difícil da doença é manter o emocional sob controle. De acordo com ela, muitas pessoas olham com surpresa o paciente com vitiligo e até acreditam que as manchas sejam contagiosas.

— A primeira coisa é tratar o lado emocional, tentar se aceitar e ter paciência para fazer o tratamento, além de se manter tranquilo sempre — aponta.

Confiante com os resultados do novo tratamento, ela está compartilhando os resultados em na página do Facebook “Tratando o Vitiligo em Cuba”, que já tem mais de mil curtidores. Margareth explica que a ideia é divulgar o assunto e informar sobre o medicamento.

Médico recomenda tratamentos comprovados no país

O vitiligo é uma doença crônica que atinge mais de 1% da população brasileira e mundial. Acabou ficando conhecido por um de seus pacientes famosos, o cantor Michael Jackson, e se caracteriza pela perda de coloração da pele com a formação de manchas brancas nos locais afetados.

O dermatologista e professor do curso de Medicina da Univali, Maurício Conti, explica que o vitiligo também possui uma característica autoimune, pois as células de defesa do organismo atacam os melanócitos (células que fabricam a melanina). Os fatores de risco geralmente são relacionados à genética ou ao emocional do paciente _ um trauma pode acabar desencadeando a doença. Quem possui outras doenças autoimunes também tem mais chances de desenvolver as manchas, que não causam prejuízos à saúde.

O vitiligo acomete pessoas de todas as idades e não tem cura. Um médico especialista pode fazer o diagnóstico clínico ou através de exame laboratorial. Segundo Conti, os portadores da doença sofrem com estigmas infundados, sobre tratamento e transmissão.

— Existe tratamento para a doença e ela não é transmissível — reforça.

O médico explica que cada caso é tratado conforme a gravidade da doença. Quando o paciente desenvolve muitas manchas, por exemplo, o método mais indicado é a fototerapia — um dos melhores tratamentos do país, de acordo com ele.

O dermatologista diz ainda que conhece a Melagenina Plus, mas que sua conduta médica é indicar tratamentos com eficiência comprovada no Brasil.

— Já foi feito um estudo sobre esse medicamento no país junto com o placebo (remédio falso) e os dois tiveram o mesmo resultado de melhora nos pacientes. Além disso, tem que se observar os riscos de um medicamento não regulamentado pela Anvisa — completa.
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