Rede de atendimento busca melhorar qualidade de vida de pacientes com transtornos mentais em Joinville - Cidades - O Sol Diário
 
 

Saúde18/05/2016 | 07h01

Rede de atendimento busca melhorar qualidade de vida de pacientes com transtornos mentais em Joinville

No Dia da Luta Antimanicomial, entenda como funciona o trabalho da rede de atenção psicossocial

Rede de atendimento busca melhorar qualidade de vida de pacientes com transtornos mentais em Joinville Rodrigo Philipps/Agencia RBS
Luiz (nome fictício) tem esquizofrenia e frequenta o Caps 3 há seis anos Foto: Rodrigo Philipps / Agencia RBS

Sentado em um pequeno muro, Luiz (nome fictício) desliza os dedos sobre as cordas do violão, treinando para a oficina de musicoterapia da qual participa semanalmente no Centro de Atenção Psicossocial (Caps) 3, na zona Norte de Joinville. Há cerca de seis anos, ele frequenta a casa, que realiza um tratamento humanizado e interdisciplinar de pacientes com transtornos mentais graves, como a esquizofrenia, bipolaridade e depressão.

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Luiz tem 28 anos e frequenta a unidade diariamente, onde faz as refeições, realiza oficinas e participa de atividades como parte do tratamento para a esquizofrenia. A primeira crise ocorreu na escola. Ele foi internado e passou a frequentar o Caps. Desde então, conclui os estudos, no ensino fundamental e médio e começou um curso de técnico em ferramentaria, mas desistiu porque não sentiu mais ânimo para continuar.

— O Luiz mora com o pai, que é alcoolista. Ele também é usuário de drogas e sabe que tem esquizofrenia, mas não aceita. A mãe morreu depois que ele foi internado e o irmão está preso, então falta uma sustentação familiar para ele — conta Ana Lúcia Alves Urbanski, coordenadora do Caps 3.

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Apesar de não aceitar a doença, Luiz entende que o tratamento no Caps tem sido importante para ele nos últimos anos. Hoje, sente prazer em participar das aulas de dança e de música, e adora tocar violão. Um dos desejos é de fazer um curso de música, mas o grande sonho é de voltar a trabalhar.

— Eu não queria ficar encostado. Queria trabalhar para seguir o meu rumo da vida, para crescer, ter uma casa própria e um carro — desabafa Luiz.

Luiz é uma das 242 pessoas atendidas pelo Caps 3 no mês de abril deste ano. A unidade fica aberta durante 24 horas por dia e serve como uma substituição à internação, já que os pacientes frequentam a casa de acordo com a necessidade. Há pessoas que passam um período por dia, outras ficam o dia inteiro e algumas aparecem semanalmente ou quinzenalmente para as consultas com uma variedade de especialidades médicas, como psicólogos, psiquiatras e farmacêuticos.

— O Caps passa a fazer essa substituição porque aqui eles se sentem mais acolhidos. Se você pede para a pessoa vir toda a semana, consegue perceber qualquer alteração. Se demora um mês, quando você vê, ela já está em surto e abandonou o tratamento — explica Ana Lucia.

Atualmente, o centro de atenção realiza atendimentos de pessoas com faixa etária entre 18 e 73 anos, com graus diferentes de transtornos. Segundo a coordenadora, a taxa de abandono do tratamento representa um número importante, assim como a falta de adesão daqueles que procuram a unidade. No entanto, salienta que o acompanhamento das doenças, como a esquizofrenia, é muito importante para o desenvolvimento do paciente.

— Ninguém deixa de ter a esquizofrenia, mas consegue conviver estável com ela. Tem alguns que melhoram ao ponto de ganhar alta daqui e continuar o tratamento na unidade de saúde. No transtorno mental, a cura é de outra ordem, de estabilidade e qualidade de vida.

 (Foto: Rodrigo Philipps / Agência RBS)

Semana de conscientização em Joinville

Joinville conta com uma rede de atenção psicossocial composta por serviços em diferentes níveis de atenção na saúde mental. Além das unidades de referência, como os Caps, há oito equipes atuando na atenção básica de saúde na cidade. Todas elas participam desde a última segunda-feira da Semana Municipal de Conscientização e Orientação sobre a Saúde Mental.

— O objetivo é promover uma série de ações voltadas para a comunidade, para que as pessoas saibam, por exemplo, quais serviços existem e onde buscar ajuda quando precisar — explica Nasser Barbosa Aidar, coordenador da saúde mental da Secretaria de Saúde.

A semana vai contar com uma programação com palestras, exibição de filmes e exposições em diversos pontos de Joinville. Nesta quarta-feira, no Dia da Luta Antimanicomial, a praça Nereu Ramos receberá a terceira edição do Curta Loucura, das 10 às 16 horas, quando serão realizadas apresentações de coral, teatro, dança e show de talentos.

Na quinta-feira, todos os serviços da saúde mental estarão abertos para visitação da comunidade, que poderá conversar com as equipes e participar de atividades especiais. A semana encerra-se na sexta-feira, com uma atividade mais específica para servidores do município para capacitação e motivação.

Confira a programação completa:

18 de maio (quarta-feira)

III CURTA LOUCURA

Local
: Praça Nereu Ramos – Centro
Horário: Das 10:00 ás 16:00hs

Atividades

Show de talentos
Apresentação do Coral – ” Vozes do Bem”
Apresentação do Grupo ” Clave de SOIS”
Apresentações de Teatro
Dança Sênior
Exposição de Artesanato – “Lokos Por Bazar”
Distribuição de material informativo

19 de maio (quinta-feira)

TERRITÓRIO EM AÇÃO

10 horas – Abertura da Sede da APSM – Associação Pró- Saúde Mental – Rua Engenheiro Niermayer, anexo ao PAPS.

CAPs infanto juvenil – Cuca Legal

14 horas - com a Comunidade e Palestra sobre Bullying com a convidada Vanessa Bencz.

CAPS II – Nossa Casa

9 horas - Café
9h30 às 11 horas – Baile no Caps
Ação entre amigos – brechó aberto
Exposição de trabalhos manuais produzidos no Caps

Tarde

14 às 16 horas – Baile no Caps
16 horas – Café

Ação entre amigos – brechó aberto
Exposição de trabalhos manuais produzidos no Caps

CAPS III – Dê Lírios

9 às 12 horas - CAPS III aberto à visitação da comunidade.
9 às 11 horas - ConVIVEndo I: práticas do cotidiano.
9 horas - Conversando sobre transtorno afetivo do humor: Marcelo Cavalcanti (psiquiatra).
12 horas - “CAPS III ?”: conversando com os trabalhadores do CREAS/Norte com Ana Lúcia Urbanski (terapeuta ocupacional, coordenadora do CAPS III). Local: CREAS Norte.
14 horas – Emergências Psiquiátricas: conversando com os trabalhadores dos PAs (Pronto Atendimento) com Marco Aurélio Engel (psiquiatra). Local: sala de grupos CAPS III.
14 às 17 horas - CAPS III aberto à visitação da comunidade.
14 às 16 horas – ConVIVEndo II: práticas do cotidiano.

CAPSAD/UA

9 horas – Roda de conversa – Reforma Psiquiátrica
Aberto a todos os interessados (comunidade, outros serviços de Saúde Mental e familiares)
14 horas – Exibição Filme “Dá pra fazer” e discussão com Técnica Geny aberto a todos os interessados (comunidade, outros serviços de Saúde Mental e familiares)
SOIS – Serviços Organizados de Inclusão Social
8 às 11 horas – Orientação e Conscientização sobre saúde mental– Semáforo da esquina com as ruas Pedro Lobo com Felipe Schmidt

20 de maio (sexta-feira)

QUALIDADE DE VIDA DO SERVIDOR EM SAÚDE MENTAL
Local
: Censupeg – Rua Ministro Calógeras, 192
Horários: turma 1 – 8 às 10 horas | turma 2 – 14 às 16 horas

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