ATUALIZAÇÃO: Número de mulheres que sofrem violência por dia em Joinville é de 12,2 - Cidades - O Sol Diário
 
 

Segurança02/06/2016 | 06h31Atualizada em 02/06/2016 | 16h07

ATUALIZAÇÃO: Número de mulheres que sofrem violência por dia em Joinville é de 12,2

Número real, no entanto, pode ser muito maior, já que por medo, boa parte das mulheres vítimas de agressões não leva o problema ao conhecimento da polícia e da Justiça.

ATUALIZAÇÃO: Número de mulheres que sofrem violência por dia em Joinville é de 12,2 Rodrigo Philipps/Agencia RBS
Georgia Marrianny Gonçalves Bastos, uma das titulares da Delegacia de Proteção à Mulher, à Criança, ao Adolescente e ao Idoso de Joinville Foto: Rodrigo Philipps / Agencia RBS
Leandro S. Junges

leandro.junges@an.com.br

Correção: O número de ocorrências de violência contra a mulher em Joinville chegou a 12,2 casos por dia durante o ano de 2015, e não 17, como foi publicado nesta reportagem até as 16h desta quinta-feira. O número incorreto foi superestimado por um cálculo feito equivocadamente, sobrepondo casos de violência doméstica que já estavam nas estatísticas gerais. Segundo os números oficiais da Gerência de Estatística e Análise Criminal (GEAC/DINI) da Secretaria de Segurança Pública (SSP) do Estado, houve 4,4 mil casos de violência contra a mulher em Joinville em 2015. O número total leva em conta crimes praticados contra a mulher e casos de violência doméstica.As tabelas publicadas no site da Secretaria de Justiça e Segurança têm duas colunas, uma para "crimes contra o vítimas do sexo feminino" e outra para "crimes contra vítimas do sexo feminino em situação de violência doméstica". Porém, alguns crimes estão sobrepostos nas tabelas oficiais da secretaria: estupro consumado e tentado, homicídio, tentativa de homicídio, ameaça e lesão corporal. Ao somar os totais de crimes, a reportagem de AN reuniu equivocadamente as duas tabelas, chegando a um total de 6,2 mil casos de violência durante o ano na cidade. Os outros crimes vão desde calúnia e difamação até assassinatos. O número oficial, portanto, é de 4.453 atos de violência contra a mulher que foram oficialmente levados adiante na Polícia Civil. O número real, no entanto, pode ser muito maior, já que por medo, boa parte das mulheres vítimas de agressões não leva o problema ao conhecimento da polícia e da Justiça. Estima-se que, para cada um caso que chega na Polícia Civil, outros dois ocorram e fiquem entre quatro paredes. O texto original já foi corrigido

A cada 24 horas, 12,2 mulheres são vítimas de algum tipo de violência em Joinville. É o que mostram os números oficiais do governo do Estado, registrados pela Secretaria de Segurança Pública (SSP). Os crimes vão desde calúnia e difamação, passando por agressões, ameaças, estupros e até assassinatos. 

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Ao todo, foram registrados 4,4 mil casos de violência contra a mulher em Joinville em 2015. O número pode ser muito maior, já que por medo, boa parte das mulheres vítimas de agressões não levam o problema ao conhecimento da polícia e da Justiça. Estima-se que, para cada um caso que chega na Polícia Civil, outros dois ocorram e fiquem entre quatro paredes. 

O balanço leva em conta dois tipos de violência contra a mulher: aqueles atos considerados como violência doméstica e que são enquadrados pela lei Maria da Penha; e aqueles crimes que não tem nada a ver com a relação familiar, como assaltos e roubos.

— O volume de ocorrências é muito grande. A gente percebe pelo número de boletins de ocorrência, que já passa de 1,3 mil esse ano — diz a delegada Georgia Marrianny Gonçalves Bastos, uma das titulares da Delegacia de Proteção à Mulher, à Criança, ao Adolescente e ao Idoso de Joinville.

Nem sempre um inquérito é enviado à Justiça. Em alguns casos, por falta de indícios, a investigação acaba sendo arquivada. Como não é preciso provar nada durante a produção de um boletim de ocorrência, alguns desses documentos acabam não sendo levados adiante porque as mulheres retiram o que disseram, mudam a versão ou simplesmente não conseguem sustentar o que disseram. Segundo a delegada, algumas mulheres acabam usando a lei Maria da Penha como um instrumento de vingança de desavenças familiares.

Mesmo levando em consideração apenas aquelas pessoas que procuram ajuda e que seus relatos realmente se transformam em inquérito ou algum procedimento, o volume é considerado muito alto. 

Não há registros oficiais que permitam uma comparação direta entre os últimos anos. Até 2014, as estatísticas eram feitas com base em toda a área de abrangência da Agência de Desenvolvimento Regional, que compreende oito cidades. Um levantamento similar feito por "A Notícia" entre 2012 e 2014 mostrou que havia, na época, 19 casos de violência contra mulheres por dia nas oito cidades do Norte (Joinville, Araquari, Garuva, Itapoá, São Francisco do Sul, Barra Velha, Balneário Barra do Sul e São João do Itaperiú).

Atendimento humanizado

Um dos diferenciais de Joinville em relação a outras cidades de porte médio é a humanização do prédio onde está abrigada a delegacia que atende as mulheres. As vítimas de violência que chegam à delegacia, que fica na esquina das ruas São Paulo e Plácido Olímpio de Oliveira, encontram um espaço diferenciado.

Desde que assumiu a delegacia, a delegada Tânia Harada decidiu criar uma série de ambientes e serviços que deixassem esse contato das vítimas com o Estado menos dramático e facilitasse para que as pessoas pudessem contar seus dramas e serem devidamente assistidas.

Assim, foram criados dois espaços, um para crianças e outra para adultos, com biblioteca, brinquedoteca, obras de arte e televisão. Desde o segundo semestre do ano passado, a psicóloga especializada da delegacia, Cristina Maria Weber, coordena um grupo de estudantes de psicologia que fazem o atendimento personalizado para cada vítima.

Conforme a delegada Tânia Harada, a vítima nem sempre consegue ser firme na decisão de denunciar o agressor e, muitas vezes, acaba desistindo da denúncia. Em boa parte dos casos em que há desistência, a mulher continua sendo vítima dentro de casa. Por isso, o apoio psicológico é tão importante.

Os casos mais graves, que exigem a retirada da pessoa do lar, são levados ao conhecimento das autoridades judiciárias e um local é providenciado, mas todo o processo é sigiloso e o local não pode ser conhecido do agressor ou agressores.

Em números
Total de 2015: 4.453 atos de violência contra mulher em Joinville durante 2015.
O que equivale a 12,2 mulheres que sofrem violência por dia em Joinville
Os tipos de crimes
Ameaça 2345
Cárcere privado 8
Estupro consumado 118
Estupro tentado 29
Homicídio 5
Tentativa de homicídio 18
Latrocínio 0
Lesão corporal dolosa 983
Maus tratos 39
Roubo a pedestre 357
Calúnia 26
Dano 30
Difamação 50
Incêndio 4
Injúria 441


Como denunciar
As mulheres vítimas de qualquer tipo de violência podem procurar:

1)
Em caso de emergência, briga, agressão iminente, o ideal é ligar para a Polícia Militar (190).
2) Depois, toda vítima deve procurar a Delegacia da Mulher, que fica na esquina das ruas São Paulo e Plácido Olímpio de Oliveira, no Bucarein. O telefone é o 47 3433-9737.
3) Denúncias anônimas podem ser feitas pelo telefone 181.

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