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Doenças crônicas17/06/2016 | 08h07Atualizada em 17/06/2016 | 08h07

Joinvilense de três anos de idade mostra como lidar com a asma

Artur Ribeiro Agostini convive com o problema de saúde desde bebê e tem a atenção permanente dos pais para evitar as crises

Joinvilense de três anos de idade mostra como lidar com a asma  Salmo Duarte/Agencia RBS
Pais de Artur tentam dar a ele maior qualidade de vida Foto: Salmo Duarte / Agencia RBS

Artur Ribeiro Agostini tinha cerca de um ano de idade quando começou a sofrer com os sintomas da asma, doença que atinge 20% da população brasileira. A tosse forte e a rouquidão apareceram em que ele passou a frequentar o jardim de infância e ficavam mais fortes durante a noite e a manhã.

Os pais Cleonice Cristina Ribeiro, 26 anos, e Reginson Luiz Agostini, 42, ficavam até três dias em claro para fazer o filho dormir e tentar aliviar o incômodo. Nas visitas aos prontos-atendimentos dos hospitais, a família ouvia dos médicos que o problema era sinusite ou gripe. No entanto, o menino nunca se curava e o diagnóstico final saiu apenas depois de oito meses.

Após a descoberta, o casal de empresários que mora em Joinville precisou fazer mudanças drásticas na rotina. Hoje, com três anos e meio, Artur não pode ser exposto a mofo, fumaça ou qualquer outra coisa que possa dar início a uma crise asmática. Os pais trocam a roupa de cama com frequência, colocaram desumidificador e purificador de ar dentro de casa.

Os perfumes, desodorantes aerossóis e amaciantes aromatizados também foram cortados da vida da família.

– Nós paramos de procurar uma cura para a asma e passamos a nos preocupar com a qualidade de vida dele para evitar novas crises. Elas estão cada vez mais espaçadas e controladas. A última foi há cerca de dois meses – conta Cleonice.

Artur encara com tranquilidade as restrições por causa da doença. Os pais explicam para ele os motivos pelos quais tem que tomar os remédios diariamente e por que não pode realizar determinadas atividades. Isso faz com que ele aceite as limitações e compreenda o processo.

– Inclusive, se a gente esquece o remédio, ele nos lembra porque já sabe quais os medicamentos que tem que tomar – conta o pai.

Hoje, Artur toma dois remédios por dia e mais um medicamento homeopático, além dos cuidados diários para controle da doença. Cleonice e Reginson explicam que é um processo trabalhoso, mas que deve receber atenção dos pais para que a criança tenha qualidade de vida. O casal aconselha que as famílias fiquem atentas aos sintomas e procurem um médico rapidamente para começar o tratamento.


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Adesão ao tratamento é difícil, diz especialista

O pneumologista Tiago Neves Veras salienta que as pessoas diagnosticadas com asma precisam realizar o acompanhamento médico regular, principalmente se forem crianças, já que o problema pode se agravar na vida adulta. A doença, se não tratada corretamente, pode causar impedimentos na vida diária, com sintomas recorrentes e função pulmonar ruim.

– Os grandes desafios da asma são o diagnóstico e fazer com que o paciente, uma vez que chegue ao especialista, consiga aderir ao tratamento – conta.

A asma é classificada por severidade, o que ajuda a programar o melhor tratamento. Os pacientes com a doença leve são aqueles que têm uma crise por ano, quando têm um resfriado e chiado. Os asmáticos moderados são os que precisam ir ao pronto-socorro para fazer a nebulização em uma ou duas vezes por mês, com cansaço para atividades físicas e muita tosse durante a noite.

Já as pessoas com asma severa são aqueles que já tiveram passagem pela UTI e não conseguem jogar futebol, por exemplo, além de acordar durante a noite por causa da tosse. A cada consulta de reavaliação do paciente, o médico analisa se a doença está controlada. Caso não esteja, é necessário aumentar ou associar outros tratamentos. O maior problema, de acordo com Veras, é que os pacientes param de tomar o medicamento assim que as crises desaparecem.

– A medicação de uso diário é de difícil adesão e fácil esquecimento. Na hora em que melhora, a pessoa para de fazer a medicação e só vai lembrar quando está em crise – explica.


A DOENÇA

A asma é uma doença inflamatória crônica da via aérea. Não tem elevada taxa de mortalidade, mas um nível alto de morbidade, atingindo aproximadamente 20% da população brasileira adulta ou pediátrica.

Sintomas
Tem como características principais a tosse recorrente, a sensação de falta de ar, o cansaço e o chiado. Pode ser agravada pelas mudanças climáticas, poluição, infecções respiratórias e tabagismo, que são os principais agressores da vias aéreas.

Prevenção
A população pode atuar na prevenção primária, ao evitar o consumo de cigarro e ambientes com muita poeira e poluição em suspensão no ar, além de investir em uma alimentação saudável. No entanto, a asma também tem propensão genética.

Diagnóstico
O diagnóstico deve ser realizado por um médico especialista, conhecido como pneumologista.

Tratamento
O tratamento é continuado e tenta prevenir as crises de asma. A medicação preventiva é disponibilizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS), por meio de farmácias populares e programas federais.

FIQUE LIGADO
A sazonalidade das doenças respiratórias começa do final de abril até setembro. Nesse período, aumenta o número de internações em hospitais, e a população deve ficar ainda mais atenta ao aumento dos casos de asma, bronquiolites e pneumonias. A pneumonia, geralmente, tem origem em uma infecção e pode ser tratada com antibióticos.

A bronquiolite é uma doença viral, que atinge, principalmente, crianças abaixo de um ano de idade. Ela tem como grupo de risco os bebês prematuros, filhos de mães fumantes ou crianças com problemas cardíacos, que têm maior taxa de mortalidade. Não há um tratamento específico para a doença, que é administrada por meio de oxigênio.

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