Ação em SC treina agentes para salvar baleias de redes de pesca - Cidades - O Sol Diário

Meio ambiente15/09/2016 | 18h31Atualizada em 15/09/2016 | 18h33

Ação em SC treina agentes para salvar baleias de redes de pesca

Curso trabalhou abordagem menos invasiva para livrar animais de cordas ou redes e garantir a segurança dos agentes ambientais

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Treinamento ocorreu na Praia do Porto em Ibituba Foto: treinamento,rede,baleia desenredamento,salvamento,americano,david,mattila / Agencia RBS

Com o aumento da frequência de baleias jubartes no litoral de Santa Catarina nos últimos anos, também aumentou o número de encalhes e de emalhamento em redes de pesca desses animais. Para tentar reduzir as mortes, a APA Baleia Franca promoveu um curso de atendimento a emalhes na manhã desta quinta-feira, na Praia do Porto, em Imbituba. A atividade segue procedimentos de segurança específicos e foi ministrada pelo pesquisador americano David Mattila, especialista pela Comissão Baleeira Internacional.

— A atividade foi muito boa, mas na prática, com uma animal de verdade, será 10 vezes mais difícil. É preciso prático e treino para funcionar bem — explica Mattila.

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O curso teve um seminário teórico na quarta-feira antes da aula prática nesta quinta-feira. No mar com bastante vente e ressaca em Imbituba, um bote foi utilizado no lugar do animal enquanto a equipe simulava os procedimentos para soltar as cordas. O treinamento privilegiou bombeiros militares e pessoas que costuma fazer atendimento de encalhes da região, como a ONG R3 Animal, de Florianópolis.

— Essa atividade é de alto risco para as pessoas envolvidas e para o animal. Quando emaranhada em cordas ou redes, a baleia pode estar em estado de choque e estressada, isso torna os movimentos ainda mais imprevisíveis, por isso é necessário um método de ação — entende Milton Marcondes, coordenador de pesquisa do Projeto Baleia Jubarte.

O método desenvolvido por David Mattila para realizar o corte de cordas e redes de pesca busca uma abordagem o menos invasiva possível para o animal. Por questões de segurança, nenhum dos agentes entra na água. São usadas boias para reduzir a velocidade do animal e ganchos ou tesouras específicas para romper as cordas sem machucar a baleia. Mattila já treinou pessoas de 25 países diferentes e teve sucesso em salvar cerca de 70 baleias com esse método.

— Além da ação em alto mar é preciso observar quais os tipos de cordas que estão ficando presas nos animais, onde elas são encontradas e faze um trabalho de prevenção — acrescenta a Mattila.

Marcondes ressalta que esse atendimento aos animais é paliativo e que principal trabalho deve ser feito junto às comunidades pesqueiras para identificar comportamentos do animais, relatos de rompimento de redes e materiais usados. O gestor da APA Baleia Franca, Cecil Barros acredita que em 1 ano essas informações podem estar mais claras.

— Estamos com um plano de manejo em construção e vamos fazer algumas reuniões com os pescadores para tentar entender que tipo de atividade de pesca está emaranhado as baleias — projeta Barros.

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David Mattila treinou agentes em Santa Catarina para o desemalhe de baleias Foto: treinamento,rede,baleia desenredamento,salvamento,americano,david,mattila / Agencia RBS

A APA Baleia Franca é responsável pela proteção ambiental do berçário da espécie que vem todos os anos para a região Sul de Santa Catarina, onde os bebês nascem e vivem os primeiros meses antes de voltarem para as Ilhas da Geórgia do Sul, no extremo Sul da América do Sul. Mas desde 2014 a região também passou a registrar grande incidência de baleias jubartes, que comumente vão para a região de Abrolhos, na Bahia, nesta época do ano.

Menores que as francas e muitas vezes ainda filhotes, as jubartes se enroscam mais facilmente nas redes de pesca e terminam por encalhar nas praias. Marcondes acredita que animais ainda jovens e inexperientes na migração desde as Ilhas de Geórgia do Sul até o litoral do Nordeste estão buscando vias mais perto da costa.

— Ainda não está claro porque as jubartes mudaram esse comportamento e estão mais distribuídas ao longo de todo o litoral brasileiro, mas acreditamos que a influência do El Niño na disponibilidade de alimentos e o aumento da população são os motivos mais prováveis — avalia Marcondes.

Hoje a população de jubartes está estimada em 17 mil animais com uma taxa de crescimento anual de 10,5%. Segundo o Projeto Baleia Jubarte, em 2016 já foram registrados 51 encalhes de jubartes no litoral brasileiro, dois quais 7 em Santa Catarina. Outros dois registros em SC ainda estão em apuração. Em 2015, houve 43 encalhes do animal no país e 9 em SC.

O Projeto Baleia Franca ainda não registrou encalhes de baleia franca em 2016 na região da APA da Baleia Franca, mas neste domingo, dia 12 uma fêmea acompanhada de filhote foi avistada com pedaços de rede de pesca sobre a cabeça, na Praia do Rosa, em Imbituba.

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