Como as escolas de SC que tiveram queda no Ideb planejam melhorar as notas do ensino fundamental - Cidades - O Sol Diário

Educação10/09/2016 | 07h09Atualizada em 10/09/2016 | 10h50

Como as escolas de SC que tiveram queda no Ideb planejam melhorar as notas do ensino fundamental

Unidades de São José, Treviso e Videira mostram como pretender reverter a queda e impulsionar o desempenho

Como as escolas de SC que tiveram queda no Ideb planejam melhorar as notas do ensino fundamental /Agencia RBS
Na instituição de São José, uma das justificativas é a falta de equipamentos Foto: Agencia RBS

O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) é um dos principais indicadores educacionais e serve para que instituições revisem algumas estratégias e estabeleçam planos de ação. Com base nos dados divulgados na última quinta-feira pelo governo federal, o DC mapeou quais as escolas que mais caíram e mais subiram de nota entre 2013 e 2015 (a pesquisa é feita de dois em dois anos) e foi em busca do que está por trás dos números.  

É importante ressaltar que o resultado do desempenho escolar está associado a um conjunto de fatores, conforme o professor do Centro de Ciências da Educação da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Juares da Silva Thiesen, que atua na área de currículo. Segundo o especialista, há uma relação direta entre as condições sociais e o desempenho das instituições. 

Ideb 2015: consulte o resultado das escolas de Santa Catarina 

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— É difícil avaliar somente um indicador sem compreender o movimento histórico da escola, da família e dos alunos. O Ideb avalia alguns aspectos, mas não consegue contemplar toda a complexidade que é a vida escolar. De qualquer forma, por mais que haja sempre uma tendência de culpabilizar escola ou professor, o fracasso está associado a fatores fortemente externos, de cotidiano e vida.

O especialista também defende o investimento imediato para melhorar os índices somente dentro do prazo de, em média, cinco anos. 

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— Não se altera resultados nesse nível em tão pouco tempo. Em geral, elevação dos índices de sucesso escolar têm efeito no médio prazo com investimento tanto do ponto de vista econômico, quanto cultural.

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Os dados do Ideb mostraram que três foram as escolas catarinenses que mais perderam pontos no ensino fundamental: escola estadual Aldo Câmara da Silva, em São José, escola municipal Vilson Pedro Kleinubing, em Videira, e a escola estadual Udo Deeke, em Treviso. O Diário Catarinense ouviu todas essas unidades para mostrar o que elas têm feito para avançar nos indicadores e o que planejam implementar daqui para frente. 

Confira o dever de casa de quem precisa avançar:

Pais distantes da instituição

Dos 23 alunos da turma do 5º ano da Escola Estadual Udo Deeke, de Treviso, que foi avaliada pelo Ideb, nove reprovaram. Para o diretor Jean Carlos Buogo, o índice elevado de reprovação é a causa do baixo desempenho da unidade escolar, que perdeu 1,9 pontos . Buogo também credita o desempenho a falta de acompanhamento dos pais ou responsáveis pelos estudantes em relação ao processo de aprendizagem dos filhos. Por isso, a instituição tem investido em reuniões com as famílias para pedir mais incentivo dos estudantes. Segundo o diretor, depois que isso foi feito, no início do ano letivo, já foi notada melhora no rendimento dos estudantes. A formação de salas ambientes, onde cada professor tem o seu espaço, foi outra estratégia desenvolvida pela escola para melhorar o clima de aprendizado.

— Quando tem aula de português, os alunos vão até a sala de português. Assim, o professor vai ter maior disponibilidade com o material. Também colocamos um armário novo em cada sala para aluno e professor utilizarem — diz.

Nota em 2015: 3,4
Nota em 2013: 5,7
Caiu: 1,9

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Professores concursados e material didático em falta

A mudança constante de professores é apontada pela diretora Marilene Pelegrini Goedert como a justificativa para a nota da escola estadual Aldo Câmara da Silva, de São José, ter diminuído 1,4 em dois anos. O corpo docente atual da unidade escolar é composto em 60% por profissionais admitidos em caráter temporário (ACTs). Essa realidade, conforme a administradora, impacta na qualificação dos magistrados.

— Alguns não estão tão bem preparados quanto os demais. Porque, quando acaba a lista de ACTs a serem chamados, é feito uma chamada pública. Nessa chamada, nem todos fizeram o processo seletivo para a vaga e, portanto, não estão no mesmo nível — explica Marilene, que assumiu a gestão da escola neste ano.

Como solução para esse cenário, a diretora solicita a realização de um concurso público imediato para efetivação de professores, além da compra de material pedagógico para professores, tais como livros para estudo.

— Não só para professores, mas também para supervisores educacionais e assistentes pedagógicos. Ano passado eles foram removidos e não chegou mais ninguém.

Marilene ainda acrescenta aspectos relacionados à infraestrutura como os causadores do baixo desempenho da escola.

— O laboratório de informática, por exemplo, tem pouquíssimas máquinas funcionando. E aí os alunos não são estimulados. Há uma carência de recursos financeiros muito grande. As escolas estão precisando de recursos — diz.

Nota em 2015: 4,3
Nota em 2013: 5,7
Caiu: 1,4

Dados sem a máscara da aprovação automática

A escola municipal Vilson Pedro Kleinubing, em Videira, também apresentou queda nos indicadores. A secretária de Educação da cidade do Meio-Oeste, Roberta Martinez, justifica o decréscimo devido a uma política que a unidade adotou entre 2011 e 2013 "de não reprovação o que, consequentemente, alavancou os indicadores do Ideb".

— As taxas de aprovação desta instituição estavam muito próximas a 100%, esta ação foi uma política de gestão das pessoas que estavam à frente da instituição nesta época — diz.

Nota em 2015: 5,4
Nota em 2013: 4,0
Caiu: 1,4


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