Direito à cidade: projeto artístico lança nova coleção em prol de comunidades carentes de SC - Cidades - O Sol Diário

Cidades invisíveis09/09/2016 | 19h00Atualizada em 09/09/2016 | 19h00

Direito à cidade: projeto artístico lança nova coleção em prol de comunidades carentes de SC

Fotógrafo de Florianópolis Samuel Schmidt é o idealizador da iniciativa, que surgiu em 2012

Direito à cidade: projeto artístico lança nova coleção em prol de comunidades carentes de SC Samuel Schmidt/Cidades Invisíveis
Samuel visita favelas da região desde 2012; O primeiro contato foi à convite de outro projeto, o Shopping dos Sonhos Foto: Samuel Schmidt / Cidades Invisíveis

Aqueles que vivem privados de moradia, saneamento básico, água potável, educação e emprego têm vez a partir da lente de Samuel Schmidt. Desde 2012, ele cumpre em parte o papel omitido pelo Estado quando visita periodicamente as comunidades mais pobres da Grande Florianópolis — Frei Damião, Chico Mendes, Vila Aparecida e Monte Cristo, por exemplo — para fotografar e, principalmente, criar e manter laços afetivos com quem é carente até de atenção.

Frei Damião: um retrato da comunidade mais carente da Grande Florianópolis

Na sequência, Samuel reúne artistas catarinenses, brasileiros e até internacionais que adaptam as suas artes em releituras de fotografias. O resultado é estampado em roupas, acessórios e telas. A venda de nove modelos de camisetas é uma das ações que mantém há cinco anos o projeto Cidades Invisíveis, que neste sábado, 10, lança nova coleção em Florianópolis, dessa vez com a presença da atriz global e apoiadora Thaila Ayala.

Além de mostrar os produtos artísticos a quem serviu de inspiração, a iniciativa garante cestas básicas, material escolar, aulas de empreendedorismo, oficinas culturais e palestras sobre saúde à comunidade. Nada além de cidadania básica, segundo o idealizador da iniciativa que une arte e assistencialismo. 

— É uma realidade invisível que não conseguimos enxergar em nosso cotidiano. Ali tem crianças, mulheres, adultos e idosos que precisam da nossa atenção e do nosso cuidado porque eles também fazem parte da mesma sociedade que a gente vive. Muitos não têm nem espelho dentro de casa e, quando a gente leva a foto revelada, eles chegam a pendurar na sala — conta, orgulhoso. 

Para Samuel, que também é advogado, a essência do projeto consiste no conceito de direito à cidade (leia mais abaixo). 

— Me assusto com a falta de uma creche, por exemplo, mas o que mais me impressiona é a carência dessas pessoas. Elas viram para mim e dizem: "que legal que existe alguém que vive na cidade, que tem todas as oportunidades, mas que está aqui para compartilhar o estilo de vida que eu tenho, a minha alegria e a minha tristeza". Nem eles mesmos se sentem parte da cidade onde vivem. Tentamos mudar essa realidade a partir de visibilidade. 

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Serviço
O que: Preview da nova coleção de camisetas do projeto Cidades Invisíveis com a participação da atriz Thaila Ayala
Quando: Sábado, 10 de setembro, às 10h
Onde: Rua Acácio Melo, 85, Jurerê Internacional, Florianópolis
Quanto: Gratuito (entrada)

O artista diz sempre voltar à comunidade para mostrar o trabalho às pessoas que foram fotografadas Foto: Samuel Schmidt / Cidades Invisíveis


Esta arte estampa uma das camisetas da marca do projeto social Foto: Arte em foto de Samuel Schmidt / Cidades Invisíveis

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O direito à cidade

Regulamentado pelo Estatuto da Cidade (lei federal nº 10.257/2001), o conceito de direito à cidade ganhou força após junho de 2013 com a manifestações pelo Brasil, quando jovens foram às ruas por melhores condições de saúde, educação e transporte. A legislação sobre política urbana garante acesso às cidades sustentáveis, onde "o direito à terra urbana, à moradia, ao saneamento ambiental, à infra-estrutura urbana, ao transporte e aos serviços públicos, ao trabalho e ao lazer, para as presentes e futuras gerações" estão garantidos. 

Na prática, isso nem sempre acontece, conforme explica a mestre em Serviço Social pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Danuza Labanca Rocha, que estudou o direito à cidade e a organização social em torno do Plano Diretor de Florianópolis. 

"Com o crescente processo de urbanização decorrente da expansão capitalista, grande parte da sociedade urbana se constitui e se forma sobre as ruínas da cidade, em precárias condições de vida, gerando a favelização e a falta de fornecimento e manutenção de transporte, moradia e saneamento", contextualiza. 

Sem intervenção judicial, a tendência é que essas comunidades cada vez se afastem mais das cidades. 

"A pobreza se torna também decorrente deste modelo espacial de organização, no qual muitas famílias são deslocadas de suas localidades e transferidas para áreas afastadas dos grandes centros, distantes e sem acesso aos serviços públicos de qualidade", completa em estudo. 

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