Manifestantes pedem saída de Temer em ato marcado por diálogo com a PM em Florianópolis - Cidades - O Sol Diário

Protesto07/09/2016 | 00h06Atualizada em 07/09/2016 | 00h24

Manifestantes pedem saída de Temer em ato marcado por diálogo com a PM em Florianópolis

Lideranças da Rede Fora Temer e comando da Polícia Militar acertaram trajeto e condições antes do início da caminhada, que teve concentração na Beira-Mar Norte

Manifestantes pedem saída de Temer em ato marcado por diálogo com a PM em Florianópolis Diórgenes Pandini/Agencia RBS
Manifestantes reencenam cena da jovem norte-americana que ofereceu flores aos soldados pelo fim da Guerra do Vietnã     Foto: Diórgenes Pandini / Agencia RBS

Eram 21h05 quando milhares de manifestantes que pedem a saída de Michel Temer da presidência desde a semana passada em Florianópolis ficaram diante de uma barreira formada por 15 homens da tropa de choque da Polícia Militar, no entroncamento entre a Avenida Beira-Mar Norte – que leva às pontes de acesso à Ilha – e a Avenida Paulo Fontes – que segue para o Centro da Capital. A linha de frente da passeata, então, reencenou a clássica cena da estudante norte-americana que, em 1967, postou-se diante de soldados da Guarda Nacional segurando apenas uma flor para pedir o fim da Guerra do Vietnã – instante eternizado pelo fotógrafo francês Marc Riboud. 

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No caso de Florianópolis, segundo os manifestantes, o gesto tinha o objetivo de tentar garantir que o direito constitucional de manifestação fosse assegurado com segurança pela polícia. Queriam evitar o uso de bombas de gás lacrimogêneo e armas não-letais, como aconteceu na última sexta-feira. O episódio gerou intenso debate sobre a atuação das forças de segurança e dos envolvidos nas cenas de violência que se seguiram pelas ruas centrais da cidade naquela noite. 

Mesmo assim, durante cinco minutos, enquanto flores eram empunhadas de um lado e armas e escudos brandidos de outro, a tensão se instalou. Em meio ao impasse, o tenente-coronel Marcelo Pontes, que liderava o policiamento, relembrava aos representantes da Rede Fora Temer, grupo de coletivos que encabeçou a passeata, que o combinado previamente era o deslocamento do Trapiche da Avenida Beira-Mar Norte até o Terminal de Integração do Centro (Ticen), e não rumo às pontes Colombo Salles e Pedro Ivo. Ao fim dessa conversa, a bateria que animava a passeata foi instruída a puxar mais uma vez o grito de "Fora, Temer", bandeiras foram novamente erguidas e o combinado prevaleceu.

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Duas horas antes, quando a multidão já estava concentrada e pronta para sair em marcha pela Beira-Mar Norte, o tenente-coronel e as lideranças da rede haviam entrado em acordo que o trajeto seria mesmo dali até o Ticen, com todas as pistas no sentido Bairro-Centro fechadas, e que não haveria tentativa de tomar as pontes. Naquele momento já corria entre os manifestantes a informação de que o juiz Rafael Brüning havia concedido salvo-conduto às pessoas que, de forma pacífica e sem armas, participassem da manifestação, com exceção de situações de ¿flagrante delito¿. Além da atenção da Justiça, a manifestação também estava sendo observada, por meio das câmeras de videomonitoramento instaladas na Beira-mar Norte, pela cúpula da secretaria de Estado da Segurança Pública, reunida àquela hora no Comando Geral da PM. 

Cânticos pelo caminho e promessa de retorno

A partir daí, e acompanhada de longe pela polícia – cujo comando foi cumprimentado algumas vezes pela forma como estava conduzindo a manifestação -, a passeata percorreu a avenida entoando gritos de guerra os mais variados. Contra a existência da PM, maldizendo Eduardo Cunha, às vezes relembrando Dilma Rousseff. Mas os únicos cânticos que soavam em uníssono miravam Michel Temer, alvo principal do protesto e cuja queda é o aglutinador das diferentes vertentes dos movimentos. 

Pelo caminho, jograis e momentos de descontração – como no canto que lamentou os gastos milionários com a Ponte Hercílio Luz ou quando as milhares de pessoas se sentaram na avenida aos gritos de "Quem não senta é golpista". Ao final, já na frente do Ticen, a bateria improvisada aumentou o volume para embalar as palavras de ordem derradeiras da noite: "Amanhã vai ser maior".


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