Participantes de atos contra o governo Temer são chamados a depor em Florianópolis - Cidades - O Sol Diário

MANIFESTAÇÕES06/09/2016 | 12h17Atualizada em 06/09/2016 | 21h41

Participantes de atos contra o governo Temer são chamados a depor em Florianópolis

Seis pessoas que estiveram nas manifestações dos últimos dias na capital catarinense receberam a notificação, que não especifica o motivo da intimação 

Participantes de atos contra o governo Temer são chamados a depor em Florianópolis Cristiano Estrela/Agencia RBS
Pessoas foram identificadas por imagens e fotos como participantes dos protestos dos últimos dias em Florianópolis Foto: Cristiano Estrela / Agencia RBS

Seis pessoas ligadas à Rede Fora Temer em Florianópolis foram intimadas a depor na Central de Plantão Policial de Florianópolis - Norte, nos Ingleses, no Norte da Ilha, na tarde desta terça-feira. De acordo com os organizadores dos protestos da Capital, quatro homens e duas mulheres receberam a notificação. Eles chegaram ao local indicado por volta das 15h30min desta terça-feira e os depoimentos duraram cerca de quatro horas. Eles não deram entrevista à imprensa na entrada e na saída da delegacia.  

Promotor aponta falhas em intimação policial de manifestantes

A intimação não detalhava o motivo pelo qual as pessoas foram chamadas a depor, mas a Polícia Civil informou que as seis foram ouvidas como testemunhas para ajudar a identificar autores de atos de vandalismo no Centro da Capital nos protestos de quarta e sexta-feira da semana passada. Às 18h, dois homens já tinham prestado depoimento.

Foi instaurado um inquérito para apurar a associação criminosa que promoveu o vandalismo na Capital. Os depoimentos foram tomados pelo delegado Atílio Guaspari Filho e, conforme os defensores das seis testemunhas, as perguntas ficaram centradas na responsabilidade sobre o fechamento das pontes e sobre quem teria dado início ao confronto na confusão entre policiais e manifestantes.

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Um coletivo de juristas formado pelos advogados Daniela Felix, Diogo Andrade e Luzia Cabreira acompanhou as testemunhas. Na avaliação dos defensores, os depoimentos ocorreram em clima tranquilo. As testemunhas, de acordo com os juristas, afirmaram que não concordam com vandalismos e que não sabem identificar os autores da depredação, destacando que os atos são articulados pelas redes sociais e por isso não há lideranças definidas.

A advogada Daniela Felix afirmou que os intimados foram identificados como participantes dos atos, e não como líderes de algum movimento ou como os responsáveis pelos atos de vandalismo registrados nos protestos de quarta e sexta-feira (31/8 e 2/9). Segundo a Rede Fora Temer Floripa, nenhum deles mora nos Ingleses, onde fica a delegacia.

— Hoje as pessoas têm que depor e nem sequer sabem o motivo. Além disso, se foi pelos fatos ocorridos no centro da cidade qual o motivo de deporem nos Ingleses? — questionou a advogada, que trabalha com causas populares.

Foto: Divulgação

O delegado Atílio confirmou que as seis testemunhas foram identificadas como participantes do protesto, por meio de vídeos, fotografias e redes sociais. Ele não soube dizer porque os depoimentos tiveram de ser no Norte da Ilha, sendo que o vandalismo ocorreu no Centro.

— Não sei o motivo. Eu cumpro determinação superior — afirmou.

Entres os que se apresentaram coercivamente na delegacia está um arquiteto de 59 anos, ativista dos debates do Plano Diretor e da reforma urbana na cidade. A reportagem do Diário Catarinense conversou com ele, mas o homem preferiu não se manifestar publicamente. A avaliação, no entanto, é que repete-se em Florianópolis o "enquadramento nacional" visto recentemente em São Paulo, em que pessoas ligadas aos protestos foram detidas e soltas somente após os atos contra o governo Temer. 

Publicação feita na manhã desta terça-feira na página do Movimento Passe Livre Floripa

Segundo Daniela, a intenção também seria impedir a participação dessas pessoas na manifestação de hoje. No entanto, a advogada considera que a criminalização fará com que mais pessoas se sintam no direito de ir às ruas e se manifestar.

A investigação da Polícia Civil agora continua, principalmente com uso de imagens de câmeras de segurança, fotos e acompanhamento de redes sociais.

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