Recentes protestos em Florianópolis acendem o debate sobre melhor forma de sair às ruas - Cidades - O Sol Diário

O papel de cada um04/09/2016 | 23h02Atualizada em 05/09/2016 | 11h28

Recentes protestos em Florianópolis acendem o debate sobre melhor forma de sair às ruas

Manifestações em Florianópolis motivam discussão sobre como protestar sem que ocorram atos de vandalismo e confrontos com a polícia

A semana se inicia com o aviso vindo principalmente das redes sociais acerca de manifestações contra o governo Temer: "Amanhã vai ser maior". A questão está em saber o tamanho e as consequências de atos que, a exemplo do que ocorreu na noite de sexta-feira, colocaram Florianópolis no epicentro de um confronto entre Polícia Militar (PM) e manifestantes.

Da batalha travada com pedras, foguetes, bombas de gás lacrimogênio e gás de pimenta, restam mais do que muros pichados, lixeiras incendiadas e vidros quebrados. "É preciso que se abra diálogo urgente, pois não temos dúvida que a violência só fará aumentar mais a indignação popular. Que fique claro, os manifestantes voltarão em número cada vez maior", avisa em nota oficial o movimento OcupaMinc SC.

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André Alves integra a coordenação da Frente Brasil Popular. Ele explica que as manifestações são organizadas por um coletivo, portanto não têm um líder, e que envolvem participantes como Frente Brasil Popular, Frente Povo Sem Medo, Rede Fora Temer e OcupaMinc SC. Partidos políticos de esquerda também participam, mas por meio das frentes. A internet é o grande canal para a comunicação. Por isso, algumas vezes os atos podem ser planejados em um curto espaço de tempo, além de contar com pessoas que vão aderindo de forma mais espontânea. A organização se declara contra os atos de vandalismo.

– Mas não temos o controle de todos os que estão presentes – ressalta Alves.

Ação policial ocorreu após vandalismo, afirma a PM

Em nota oficial, a PM diz que os organizadores do evento não avisaram da realização nem sobre previsão de público, itinerário e duração do evento. Também nega que tenha iniciado os confrontos. Considera, ainda, que "a ação de vândalos, exigiu - e sempre exigirá - o uso progressivo da força, à medida em que o patrimônio público e privado for ameaçado e violado".

De fato, a Frente Brasil Popular reconhece que não houve aviso prévio do trajeto. Informa que normalmente é feito no local junto ao comandante policial presente. Nesta semana estão programadas novas manifestações. Até ontem à noite não havia confirmação do dia. A ideia é concentrar no trapiche da Beira-mar Norte, sem deslocamentos para evitar novos confrontos.

Yuri Becker é da União Catarinense dos Estudantes (UCE) e na sexta-feira estava à frente do ato segurando uma faixa. Para ele, a depredação ocorreu por causa da reação proibitiva, mesmo passando das 21h e sem trânsito intenso no local onde tradicionalmente ocorrem manifestações.

– A PM iniciou a dispersão com bombas de gás e o resto foi reação. Se tivessem liberado a passeata, não haveria nada disso – afirma.

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Sobre o número de participantes, o estudante acredita que um dos motivos seja o fato de Santa Catarina ser reconhecidamente o Estado com mais manifestações pró-impeachment. Além de ter dado a maior votação ao candidato de oposição nas últimas eleições presidenciais, Aécio Neves (PSDB).

– Nossa militância se sentiu desafiada.

Entidades se manifestam com repúdio aos atos de vandalismo

A possibilidade de um confronto envolvendo manifestantes e a polícia já preocupava. Para alguns, isso ocorre principalmente por não haver uma liderança que assuma o comando do ato. Na sexta-feira, o advogado Sandro Sell, presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB/SC, divulgou nota acerca da legalidade da manifestação. O texto adverte que as iniciativas populares são parte da democracia e pedia o mesmo respeito que a PM demonstrou nos atos pró-impeachment.

Ele observou que "para baixar a pancadaria, basta um bando armado e sem comando". E apelou para que polícia e manifestantes ofereçam uma lição de tolerância, pacifismo e cultura política democrática.

A OAB/SC também se posicionou em nota defendendo a liberdade de expressão e o direito à manifestação - com ressalvas a atos de violência contra pessoas e patrimônio. "Num momento em que posições políticas estão acirradas, a OAB/SC apela ao bom senso dos manifestantes e do Estado, e lembra que situações de confronto penalizam a população. Democracia se faz com diálogo."

O PT de Santa Catarina defende que o afastamento definitivo de Dilma Rousseff da presidência violou a Constituição e provocou a ruptura do regime democrático. O partido orienta militantes e filiados a não praticarem atos de vandalismo nas manifestações.

Sobre os confrontos de sexta-feira, o movimento Ocupa Minc SC explica que a motivação era a de realizar um ato pacífico contra o governo Temer. Mas que desde o início da tarde a polícia monitorava as universidades públicas. No Centro, diz o movimento, um efetivo desproporcional em número e armamento aguardava os manifestantes, criando um clima de guerra e confronto anterior à manifestação.

Os participantes do ato reclamam que ações foram desencadeadas por oficiais e graduados sem identificação nos uniformes. Citam o encurralamento em vias estreitas, uso de bombas de gás, tiros de balas de borracha e spray de pimenta sobre os manifestantes. Acusam ainda a utilização de material explosivo próximo a posto de combustível, limpeza no dia seguinte.


Um grupo de jovens contrários aos atos de vandalismo durante o protesto contra o governo Temer na sexta-feira em Florianópolis resolveu se mexer. Nove amigos decidiram fazer um mutirão de limpeza pelas ruas do centro. Munidos de máscaras respiradoras, solventes, luvas e panos, o grupo ajudou a limpar prédios como o da Alfândega, um dos alvos das pichações.

– Foi uma atitude bonita tomada pelo meu filho e amigos – disse o corretor Jean Fabrizio Wolff, pai de um dos jovens.

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