"Bloqueadores de inovação matam a ideia na raiz", defende o executivo do Google no Brasil  - Cidades - O Sol Diário

Desafios para inovar06/10/2016 | 19h29Atualizada em 06/10/2016 | 19h29

"Bloqueadores de inovação matam a ideia na raiz", defende o executivo do Google no Brasil 

Confira as dicas do executivo de negócios do Google no Brasil Renato Carvalho para tirar as ideias do papel e conseguir inovar

"Bloqueadores de inovação matam a ideia na raiz", defende o executivo do Google no Brasil  Diorgenes Pandini/Agencia RBS
Renato Carvalho é executivo de negócios do Google no Brasil Foto: Diorgenes Pandini / Agencia RBS

Inovação no dia a dia e em qualquer setor. O que pode parecer distante para boa parte dos empreendedores, pode se tornar possível seguindo alguns passos simples. É o que defende o executivo de negócios do Google no Brasil, Renato Carvalho, que se baseia em experiências na multinacional para mostrar o caminho das pedras. Mas não há uma fórmula mágica, como ele mesmo faz questão de reforçar, e o processo é lento e envolve fatores que deveriam ser essenciais em qualquer empresa: valorização das pessoas, comunicação e assumir riscos. O executivo, que nesta sexta-feira fará uma palestra no evento 1º Insigth na Prática, com inscrições já encerradas na Pedra Branca em Palhoça, conversou com o Diário Catarinense e falou sobre como tirar as ideias do papel e colocá-las em prática e como ser inovador. Confira e mãos à obra:

Para quem quer colocar as ideias em prática e inovar, quais seriam os princípios básicos?

Um dos princípios que é bem interessantes e fácil de fazer é não ter uma preocupação de errar ou assumir riscos calculados. Quando na faculdade o professor faz uma pergunta, ninguém responde, porque ninguém quer se expor com uma informação errada. E a gente traz essa cultura para dentro das empresas, onde não tem liberdade para falar ou trazer uma ideia diferente. Então é muito importante deixar as pessoas sugerirem novas ideias, e à medida que elas erram, melhorar essas ideias. Eu faço algo, eu pego o feedback daquilo, depois eu melhoro, relanço. Não tem que ter medo de fazer algo. O próprio Google tem produtos que não atenderam às expectativas e que tivemos que melhorar e hoje são casos de sucesso. Imagina se lá na primeira vez a gente tivesse abandonado a ideia. Outro princípio é que as boas ideias vêm de todo lugar. Existe sempre uma ideia circulando. Normalmente as inovações vêm de ideias de pessoas que não foram bem compreendidas. Essas pessoas acabam inovando, uma vez que tenham liberdade. Deixar que qualquer pessoa, independentemente da área, sugira coisas é importante.

O ambiente físico também auxilia para a inovação?

Dependendo do negócio, como aqueles que envolvem a indústria e chão de fábrica, é mais difícil criar um ambiente pomposo, digamos assim. Mas o máximo que as empresas puderem criar de ambiente físico que seja convidativo, que elas se sintam bem, é super importante. O Google inclusive preza muito por isso. Para se ter uma ideia a gente tem um incentivo para comprar coisas para enfeitar a nossa mesa como quisermos, e a empresa subsidia uma parte. A gente faz o ambiente mais amigável possível, mas mais que o ambiente, o incentivo ao capital humano para fomentar a inovação é fundamental. Imagina que muitas vezes alguém comenta com seu chefe ou seu superior a ideia e ela já morre, porque nunca foi feito aquilo. Os bloqueadores de inovação matam a ideia na raiz.

E esses seriam os erros mais comuns nas empresas?

A grande dificuldade é fazer com que a visão que a empresa começou chegue a todos os setores da empresa. Quando você cria a empresa e tem várias pessoas, você depende delas para passar a tua visão e a comunicação é difícil. A comunicação é hoje um grande problema dentro das empresas. Tem primeiro essa questão da empresa difundir bem os valores e as pessoas estarem cientes. Em algumas empresas se tornam mais um parágrafo do site do que algo real. Existe uma cultura de bloquear a comunicação na raiz e essas ideias boas acabarem se perdendo. 

Hoje a inovação está muito ligada à tecnologia. É possível inovar em qualquer setor?

Com certeza. Parte do meu trabalho é todo dia conversar com as pessoas sobre isso. A gente tem ferramentas, processo, metodologia para isso. E a gente vê que qualquer segmento que tem um pouco de vontade de fazer algo diferente consegue implementar essa mudança. Não é uma mudança fácil, a curto prazo, mas vale a pena fazer o esforço para a longo prazo colher os resultados. 

Qual será o enfoque da palestra em Palhoça?

O Google completou 18 anos e a ideia é contar o que, ao longo destes anos, a gente identificou que deu certo. Quais foram os princípios que a gente adotou no Google e fomentaram uma cultura de inovação. Como é que as empresas e as pessoas que estão dentro das empresas participam desse processo de fomentar a inovação e como os gestores lideram esse processo. Não tem uma fórmula secreta, mas são princípios e conceitos que foram aplicados que se materializaram em produtos e conceitos específicos, que quebraram um paradigma de mercado. Um exemplo bem moderno, é que a gente está trabalhando bem forte nos carros auto-dirigíveis nos Estados Unidos e é um exemplo muito claro de como inovamos. A gente olha para um problema, como o tráfego e como a gente faz para melhorar o trânsito nas grandes cidades e as pessoas serem mais produtivas, e como resolvê-lo. Ao invés de mudar a engenharia, que é muito mais difícil, vou fazer um carro que se auto-dirige, que entende o mapeamento da cidade e entende o ritmo do trânsito. O grande ponto do Google é que começamos com uma empresa que tinha um algoritmo de busca, isso não era novidade, e agora produzimos carros auto-dirigíveis, lançamos balões na atmosfera para dar acesso a internet em regiões remotas. Aí temos que dar muito valor para o capital humano, as pessoas. Como toda essa tecnologia e essa inovação pode ser fomentada sem as pessoas? Os lideres precisam capacitar essas pessoas e elas precisam ser proativas e serem valores para a empresa.

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