Novo presidente da Fahece será definido na segunda-feira - Cidades - O Sol Diário

Crise na Saúde07/10/2016 | 21h44Atualizada em 07/10/2016 | 21h44

Novo presidente da Fahece será definido na segunda-feira

Diretoria executiva da fundação renunciou em meio a crise financeira

leonardo gorges e Caroline Borges

caroline.borges@diáriocatarinense.com.br

O novo presidente da Fahece, fundação responsável pela gestão do Centro de Pesquisas Oncológicas (Cepon) e do Centro de Hematologia e Hemoterapia de Santa Catarina (Hemosc), deve ser conhecido até a próxima segunda-feira. Até lá, quem responde pelo cargo é a presidente do Conselho Curador, Zuleika Mussi Lenzi. Na quinta-feira, a diretoria executiva da entidade renunciou alegando ser impossível continuar diante dos constantes atrasos nos repasses por parte do governo do Estado.

"Nunca houve uma falta de recursos tão grande", afirma presidente do conselho 

Ainda na quinta-feira, Zuleika se encontrou com o promotor Davi do Espírito Santo, do Ministério Público, para buscar orientação. Na reunião, ficou decidido que até segunda-feira seria encontrado um nome provisório para assumir tanto a presidência quanto a diretoria administrativa e financeira. A diretoria técnica e operacional seguirá vaga.

Diretoria executiva da Fahece renuncia em meio a crise financeira

Uma pessoa já teria sido procurada para assumir os cargos, porém pediu até a segunda-feira para dar a resposta. Com o aval do Ministério Público, como prevê o Estatuto da Fundação, o indicado assumirá de maneira provisória. O mais provável é que fique no cargo por até 60 dias, enquanto o Conselho Curador encontre alguém para terminar o mandato da antiga diretoria executiva, que vai até março de 2018. Também existe a possibilidade de que o presidente provisório seja efetivado no cargo. A diretoria executiva é composta por voluntários.

Paralelamente à transição na Fahece, o Ministério Público cobrou explicações da Secretaria de Estado da Saúde sobre o descumprimento do acordo que garantia os repasses financeiros à Fahece e requisitou informações sobre as medidas que o Estado pretende adotar para evitar a paralisação dos serviços prestados pelo Cepon e Hemosc.

Na sexta-feira, ofícios foram endereçados ao secretário João Paulo Kleinunging em razão dos atrasos no pagamento dos contratos de gestão firmados com o Estado e consequente impossibilidade da fundação em cumprir suas obrigações no Hemosc e Cepon. 

Falta de dinheiro

Ainda na sexta-feira, a presidente do Conselho Curador da Fahece criticou o governo do Estado, afirmando que há omissão de informações e descumprimento do contrato. 

— Nunca houve uma falta de recursos tão grande para o Cepon e Hemosc. O que nós precisamos é de transparência do governo do Estado. Acordos são feitos e desfeitos e não tem uma decisão, só omissão  — diz Zuleika.

A afirmação de Zuleika segue no mesmo entendimento do ex-presidente da Fahece, José Augusto Oliveira. Ele diz que os atrasos nos repasses prejudicam todas as atividades desempenhadas pelas duas Instituições.

— Seria uma irresponsabilidade permanecer à frente da Fahece nas condições em que ela se encontra — explicou Oliveira. 

Em 11 de agosto, foi firmado com o MP um acordo entre Fahece e Secretaria de Estado da Saúde, no qual houve um compromisso para a normalização dos repasses, mesmo que parcelados em três vezes, a fim de evitar a paralisação dos serviços. Segundo o contrato de gestão, os repasses mensais devem ser de R$ 12 milhões, porém a Fahece alega ter recebido apenas R$ 5,4 milhões em setembro. Ao todo, a dívida chegaria a R$ 56 milhões — valor não reconhecido pela Secretaria de Saúde. 

Em nota, a Secretaria de saúde informoU que "os repasses à Facehe vêm sendo feitos dentro das possibilidades existentes, com pagamentos de salários sendo garantidos aos funcionários, e dentro do fluxo de caixa permitido"

Veja abaixo a entrevista com o ex-presidente da Fahece

Como e quando a mesa diretora decidiu se afastar da entidade?
José Augusto Oliveira: Essa dificuldade já vem desde o mês passado e no mês de setembro. Quando havia sido firmado o compromisso com a MP e nós ainda aguardamos um tempo para ver se normalizava a situação. Mas como nada melhorou já no início dessa semana tomamos a decisão. 

Além da paralisação dos trabalhos que preposicionaram o governo em setembro, a Fahece tentou outra forma para resolver o impasse entre o governo?
José: Consultamos o Ministério Púbico se poderíamos entrar na justiça e eles nos disseram que, se esgotadas todas as possibilidades a gente poderia. Mas entrar na justiça contra o Estado não adianta.

Na sua avaliação, qual é o maior problema que afeta a saúde de SC e a entidade hoje?
José: A falta de dinheiro. Saúde é cara, principalmente nos casos do Hemosc e Cepon, que são procedimentos de complexidade alta e exigem insumos importados e caros. A saúde é cara e não somos nós que desejamos que seja assim.

 
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