"Nunca houve uma falta de recursos tão grande" afirma presidente do conselho curador da Fahece - Cidades - O Sol Diário

CRISE07/10/2016 | 13h08Atualizada em 07/10/2016 | 13h08

"Nunca houve uma falta de recursos tão grande" afirma presidente do conselho curador da Fahece

Em meio à crise financeira que recai sobre a saúde catarinense, os constates atrasos nos repasses e a falta de perspectiva para os próximos meses fizeram a diretoria executiva da Fundação de apoio ao Hemosc e Cepon (Fahece) renunciar em caráter irrevogável na tarde desta quinta-feira. 

Na fala da presidente do conselho curador, Zuleika Mussi Lenzi, que responde pela entidade até esta segunda-feira - quando será escolhido um novo representante para ocupar a presidência -  o governo segue omitindo as informações e descumprindo acordos. 

— Nunca houve uma falta de recursos tão grande para o Cepon e Hemosc. O que nós precisamos é de transparência do governo do Estado. Acordos são feitos e desfeitos e não tem uma decisão, só omissão  — afirma a presidente. 

A afirmação de Zuleika segue no mesmo entendimento do ex-presidente da Fahece. Em entrevista na manhã desta sexta-feira, José Augusto Oliveira, afirmou que os atrasos nos repasses prejudicam todas as atividades desempenhadas pelas duas Instituições.

— Seria uma irresponsabilidade permanecer a frente da Fahece nas condições que ela se encontra — explicou Oliveira. 

Ainda, conforme o ex-presidente, com o objetivo de resolver a situação a entidade consultou o Ministério Público (MP-SC) sobre a possibilidade de ingressar com um processo na Justiça para garantir o pagamento das parcelas atrasadas. 

— Mas entrar na justiça contra o Estado não adianta, pois o Estado seria absolutamente inconsequente já que as entidades são financiadas e sustentadas pelo poder público. [...] E exatamente para evitar uma ação como essa é que decidimos sair — afirmou. 

Diretoria executiva da Fahece renuncia em meio a crise financeira

Em uma audiência em 11 de agosto deste ano, o governo catarinense se comprometeu a repassar para a entidade cerca de R$ 6 milhões até o dia 4 de cada mês. Já entre os dias 15 a 22, cerca de 5 milhões deveriam ser depositados na conta da entidade para compra de remédios e manutenção dos serviços. No entanto, em setembro os recursos da folha foram repassados somente no dia 6. Já a segunda parcela foi parcialmente paga dias depois - cerca de R$ 1 milhão.

Questionada sobre o acordo firmado, a assessoria da secretaria de saúde informou por meio de nota oficial que "os repasses à Facehe vêm sendo feitos dentro das possibilidades existentes, com pagamentos de salários sendo garantidos aos funcionários, e dentro do fluxo de caixa permitido". 

Após repasse de R$ 8 milhões para Cepon e Hemosc, serviços são normalizados

Entrevista com o ex-presidente da Fahece

Como e quando a mesa diretora decidiu se afastar da entidade?
José Augusto Oliveira: Essa dificuldade já vem desde o mês passado e no mês de setembro. Quando havia sido firmado o compromisso com a MP e nós ainda aguardamos um tempo para ver se normalizava a situação. Mas como nada melhorou já no início dessa semana tomamos a decisão. 

Além da paralisação dos trabalhos que preposicionaram o governo em setembro, a Fahece tentou outra forma para resolver o impasse entre o governo?
José: Consultamos o Ministério Púbico se poderíamos entrar na justiça e eles nos disseram que, se esgotadas todas as possibilidades a gente poderia. Mas entrar na justiça contra o Estado não adianta.

Na sua avaliação, qual é o maior problema que afeta a saúde de SC e a entidade hoje?
José: A falta de dinheiro. Saúde é cara, principalmente nos casos do Hemosc e Cepon, que são procedimentos de complexidade alta e exigem insumos importados e caros. A saúde é cara e não somos nós que desejamos que seja assim. 

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