Professores compram certificados para fraudar concursos em SC - Cidades - O Sol Diário

Fraude na educação10/10/2016 | 20h13Atualizada em 10/10/2016 | 20h13

Professores compram certificados para fraudar concursos em SC

Objetivo é conseguir melhores colocações em concursos públicos ou até mesmo em progressão de carreira

Professores de escolas públicas em Santa Catarina estão comprando certificados de cursos de aperfeiçoamento para fraudar processos seletivos para ACTs e de progressão de carreira na Grande Florianópolis. A investigação foi feita pela RBS TV, que conversou com professores que denunciaram o esquema. 

— É uma compra direta. A gente escolhe a área, paga o valor, que é correspondente à carga horária, e na semana seguinte recebe o certificado. Muita gente diz que nem estuda, mas acaba sempre tendo uma boa colocação porque compra o curso, tem sua vaga garantida em processos seletivos — lamenta a professora denunciante. 

A reportagem comprou um certificado na área de educação especial através de uma professora de uma escola de São José, na Grande Florianópolis. Por telefone, a mulher disse que vende desde 2010.

— É  tudo certificado do MEC, tá? Nunca deu problema. Já vendi mais de 200 ali, pra toda rede. Eu até brinco com as gurias, coloca uma folha branca embaixo do travesseiro e uma caneta, e tu acorda o trabalho está pronto, né? — diz ela. 

Quem emitiu o certificado foi o Centro de Valorização e Capacitação Profissional, de Balneário Arroio do Silva, no Sul do Estado. O diretor disse que não vende cursos e culpou a professora pela fraude.

— A assinatura é minha. Esse certificado foi comprado? Tudo bem, mas foi comprado diretamente comigo? Não, não foi. Esse certificado foi adquirido através de uma representante nossa. Houve uma grave falha ù explicou Walter Alves, diretor da Cevcap Cursos.

De acordo com as denúncias, professores efetivos também estão comprando certificados. Neste caso, para subir na carreira e melhorar o salário. Foi o que disse a professora vendedora:

— Uma efetiva precisava pra subir de numero, de letra, pra ganhar mais. Ela pediu de 500 horas, ficou bem caro. Ela subiu de nível lá.

A reportagem conversou ainda com um professor da rede municipal de Florianópolis. Ele vende certificados em várias cidades e para várias áreas. Por telefone, explicou como é feita a negociação:

— Te mando as opções de cursos que têm na área de Educação Física. Escolhe um código ali, e aí a gente fecha direitinho. Quando eu te entregar o certificado, eu recebo. 

Dias depois, o certificou chegou, emitido pelo Centro de Educação, Capacitação e Aperfeiçoamento Profissional, o Ceduca, de Araranguá, também no Sul do Estado. O Ceduca, por nota, disse que repudia qualquer forma de atividade ilícita. A empresa também destacou que desconhece a venda do certificado e que já tomou providências.

 
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