Upiara Boschi: Rivalidade em Florianópolis vira o Fla-Flu de SC - Cidades - O Sol Diário
 
 

Opinião20/10/2016 | 07h02

Upiara Boschi: Rivalidade em Florianópolis vira o Fla-Flu de SC

O que se vê no segundo turno em Florianópolis entre Angela Amin (PP) e Gean Loureiro (PMDB) também traz esse combustível altamente inflamável para a disputa

Nascida de uma dissidência de atletas em 1911, a rivalidade futebolística entre Flamengo e Fluminense fez da expressão “Fla-Flu” um sinônimo para qualquer tipo de polarização mais acirrada. O que se vê no segundo turno em Florianópolis entre Angela Amin (PP) e Gean Loureiro (PMDB) também traz esse combustível altamente inflamável para a disputa continuada entre grupos que já foram aliados. Essa é a diferença em relação a Joinville e Blumenau, onde o confronto existe, mas não traz essa carga histórica.

O horário eleitoral de ambas as campanhas de Florianópolis, especialmente as inserções, foram tomados por um bate e rebate, pela troca de acusações, pela sequência de pedidos de intervenção à Justiça. Não se trata exatamente de uma novidade, mas tudo indica que a sociedade chegou a um ponto de saturação em relação às caneladas de pepistas e peemedebistas.

Há quatro anos, Cesar Junior (PSD) e o mesmo Gean apresentaram espetáculo semelhante – com direito a reprimendas contínuas do juiz Hélio Figueira dos Santos, que chegou a deixar ambos os candidatos sem inserções por 24 horas. Boa parte dos temas da atual campanha – Andrea Bocelli, Banco Santos – já apareciam. Cesar Junior jogava o desgaste do então prefeito Dário Berger no colo do peemedebista e recebia em troca críticas aos governos de Angela e Esperidião Amin – o filho do casal, João Amin, era candidato a vice do pessedista.

Na eleição anterior, em 2008, foram os dois ícones maiores dessa rivalidade que fizeram o segundo turno de Florianópolis: Dário e Amin. A pauta girou em torno da paternidade das obras tocadas por Amin quando secretário do governador Jorge Bornhausen – crítica semelhante sofre hoje Gean por usar ações do governo Dário. Em 2004, no primeiro clássico, o até então josefense Dário Berger (ainda no PSDB) derrotava Chico Assis, o candidato dos Amin, sob as críticas de ser “forasteiro”.

É isso mesmo. Nas últimas quatro eleições os mesmos grupos políticos disputam o poder de Florianópolis em tons crescentes de ódio e rivalidade. É isso que o eleitor da Capital vê na televisão. Chega a ser inacreditável lembrar que Angela se reelegeu prefeita em 2000 com o apoio do vereador Gean Loureiro, enquanto Dário era o prefeito pefelista reeleito com 80% dos votos na vizinha São José, um aliado do Amin em plano estadual. Foi a última partida que jogaram juntos.

Diagnóstico errado
A acusação de que a prefeita eleita Alessandra Garcia (PSB) ofereceu consultas médicas gratuitas durante a campanha pode levar a cidade de Santa Cecília à realização de novas eleições. A juíza Aline Mendes de Godoy, da 51ª Zona Eleitoral, cassou o registro de sua candidatura após ação do Ministério Público Eleitoral. A pessebista ainda pode recorrer ao TRE-SC.

Nova eleição
Alessandra Garcia teve 61,6% dos votos válidos. Como ela teve mais da metade dos votos do eleitorado que compareceu às urnas, Santa Cecília deve ter nova eleição caso a pessebista não derrube a decisão.

JORNAL DE SANTA CATARINA

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