Inovação está no centro das discussões empresariais de Joinville - Cidades - O Sol Diário

Joinville que Queremos17/11/2016 | 10h44

Inovação está no centro das discussões empresariais de Joinville

O tema desta etapa do projeto Joinville que Queremos vai mostrar saídas para melhorar a cidade e olhar os problemas sob outra ótica

Inovação está no centro das discussões empresariais de Joinville Arte Robson Bruning/Agencia RBS
Quando especialistas falam em inovação, não se referem somente à oferta de produtos que até então não existiam, mas também a processos de trabalho Foto: Arte Robson Bruning / Agencia RBS
Rafaela Mazzaro

Especial

Em tempo de transição econômica, a palavra inovação, inevitavelmente, ganha status de solução. Seja para aqueles que perderam o emprego e buscam criar alternativas criativas e independentes de reconquistar renda ou às indústrias que precisam cortar custos e se equilibrar na corda bamba do competitivo mercado. Reinventar-se pode parecer necessidade contemporânea, mas há muito tempo a inovação, tema da terceira e última etapa deste ano do Projeto Joinville que Queremos , faz parte do cotidiano da cidade.

— Joinville conserva a cultura da inovação desde 1970, quando começou a formar profissionais aptos para isso — lembra o consultor na área de inovação e membro do Conselho Municipal de Ciência Tecnológica e Inovação (Comciti), Pompeo Scola.

O conceito de inovação surgiu mais recentemente e tem mobilizado uma série de discussões, principalmente em solos industriais férteis, como o da cidade mais populosa de SC. Só neste mês, pelo menos quatro eventos promoveram o tema em Joinville. A Expoinovação, organizada pelo Comciti na semana passada, por exemplo, trouxe cases de fora da cidade para engrossar o coro da inovação ao empresariado local.

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—  A crise impulsionou a impressão de que o tema esteja mais em voga, mas a inovação faz parte de toda a história humana. Nunca saiu de pauta — ressalva Angelo Reck, engenheiro e criador da 4C Innovation, empresa que oferece consultoria para clientes que desejam implantar mudanças.

Quando especialistas falam em inovação, não se referem somente à oferta de produtos que até então não existiam, mas também a processos de trabalho. Em uma fábrica, cujo produto final precisa passar por várias etapas, a forma com que uma das peças é instalada também pode ser considerada fruto de uma inovação.

—  Muitos pensam que inovação é só o iPhone, o resultado. Mas simples melhorias no cotidiano das empresas também são vistas como inovações — acrescenta Reck.

São estas pequenas mudanças que podem ser determinantes para a continuidade de alguns setores. Scola vai ainda mais longe e afirma que a inovação se tornou o único caminho para quem deseja entrar ou sobreviver aos atuais cenários empresarial e econômico.

Foi o que fez a americana Tesla Motors, eleita pela revista Forbes a empresa mais inovadora do mundo em 2016. Em vez de seguir a massa na busca por produzir carros de baixo custo, a montadora resolveu entrar no mercado oferecendo justamento o contrário: carros 100% elétricos, potentes e altamente seguros que, apesar do elevado preço, não repeliram os clientes.




A força está com todos

Não é preciso ter um currículo extenso para assinar um grande projeto. Hoje, o espírito inovador é tão valorizado quanto qualquer outra habilidade profissional. A dica de Scola é observar o próprio dia a dia com lentes de aumento.

—  A inovação não passa pelo conhecimento; passa pela forma de pensar. Somos treinados para a economia de energia. Precisamos forçar o cérebro a sair do automático. Só assim iremos descongelar comportamentos —  conclui.

É na observação apurada do cotidiano que grandes ideias podem surgir, como as que levaram o joinvilense Eliseu Loth (foto acima) a criar um projeto de uma central de lavação de caminhões, processo atualmente manual, para otimizar mão de obra e tempo das empresas. A inovação identifica a geometria externa dos veículos e informa para uma central de comando, que automaticamente inicia a lavação personalizada.

—  O que ele fez foi simplesmente olhar para um problema do cotidiano e melhorar o sistema com o que havia disponível —  resume Scola.

A ideia surgiu quando o empresário e estudante de engenharia trabalhou na indústria alimentícia e percebeu que era gasto muito tempo para higienizar os caminhões, que precisam ser limpos mais de uma vez ao dia.

— Os primeiros estudos e protótipo da lavação mecânica já foram concluídos com sucesso e agora estamos trabalhando na automatização do processo como um todo — comemora Loth.

Para incentivar que mais pessoas tirem suas ideias do papel e tenham aporte financeiro para a executarem, Scola pretende lançar em 2017 o Acelera Joinville por meio da empresa dele, a Psico.Help. A exemplo de outras cidades brasileiras, o projeto pretende reunir um fundo de investimento para beneficiar até dez startups para participarem da seleção via edital.




Inovação versus invenção

É fácil confundir o tema desta edição do Joinville que Queremos com a criação de algo que não existe. Uma forma simples de diferenciar os termos, explica Reck, é refletir se a ideia é útil só para quem criou ou se pode servir a um público maior. Caso ela seja de interesse mais amplo, está dentro do que os especialistas entendem por inovação.

—  Nós trabalhamos com o conceito de que, para ser considerada uma inovação, é preciso atender às necessidades dos clientes e gerar lucros para a empresa —  explica Reck.

É claro que uma invenção pode conquistar o posto de inovação. Porém, em um mercado em que tanto já foi criado, as possibilidades de renovação são ainda maiores. Uma sugestão de Reck para quem quer desenvolver algo inédito é buscar inspiração em bancos de patentes. A consulta pode ser feita na base online disponibilizada gratuitamente pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi).

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