Litoral catarinense receberá seis vezes menos transatlânticos no verão de 2016 - Cidades - O Sol Diário

Turismo12/11/2016 | 10h01

Litoral catarinense receberá seis vezes menos transatlânticos no verão de 2016

Temporada de cruzeiros começa com 31 escalas a menos em Santa Catarina e terá Porto Belo como único ponto de desembarque de turistas

Litoral catarinense receberá seis vezes menos transatlânticos no verão de 2016 Lucas Correia/Agencia RBS
Em Porto Belo, os navios atracam em alto-mar e pequenas embarcações trazem os visitantes à terra firme Foto: Lucas Correia / Agencia RBS
O navio MS Marina abre terça-feira, em Porto Belo, a época de transatlânticos em Santa Catarina. Desta vez, uma temporada bem mais modesta. O Estado terá apenas cinco escalas regulares, 31 a menos do que no ano passado – um reflexo da redução no número de navios navegando pela costa brasileira. Como Itajaí e São Francisco do Sul ficaram fora da rota dos grandes navios, Porto Belo será a única cidade no Estado a receber paradas fixas – com percalços que incluem o cancelamento de uma escala que estava prevista para este domingo.

O problema não é exclusivo de SC. Cinco anos atrás, o Brasil tinha 22 transatlânticos operando na costa durante o verão. Nesta temporada serão sete, o que reduz o número de paradas e enxuga as rotas. Entre as embarcações que foram para outras partes do mundo estão o navio Empress, que fez 16 escalas em Itajaí no ano passado, e os transatlânticos Horizon e Zenith, que mantiveram nos últimos anos atracações em São Francisco do Sul.

Esses navios foram incluídos em roteiros nos Emirados Árabes, no Caribe e na África do Sul, onde os cruzeiros têm crescido. Não por falta de demanda no Brasil, é bom que se diga: o mercado comprou bem a ideia do turismo de transatlânticos e a procura é crescente, segundo o trade turístico. No entanto, os armadores reclamam dos altos custos de operação no país, da burocracia e de diferentes entendimentos da legislação que fazem, por exemplo, alguns estados cobrarem ICMS sobre alimentos e bebidas que estão a bordo – e que já foram taxados.

Some-se a isso a falta de estrutura em alguns portos e o cenário do desaquecimento está completo. Embora tenha alcançado boas avaliações dos passageiros de transatlânticos que aportaram na cidade nos últimos anos, Itajaí não tem capacidade estrutural no píer para receber nenhum dos navios que permaneceram na costa brasileira este ano, todos com cerca de 300 metros de comprimento. E não é a única cidade com o problema:

– A maioria dos portos brasileiros tem limitação. Nossa estrutura é muito recente, começou com a lei de cabotagem, em 1997. São 20 anos. No Caribe, nos EUA, se operam cruzeiros há mais de 90 anos. Ainda assim, temos outras regiões no mundo em que esse mercado é recente, como a Ásia e os Emirados Árabes, mas que se desenvolveram muito bem – observa o diretor de Planejamento da Secretaria de Turismo de Itajaí, Darlan Martins Junior.

Um poderoso lobby da hotelaria, que viu nas últimas duas décadas o mercado de cruzeiros como um concorrente, e não como um indutor de turismo, colabora para a falta de estrutura. Sem investimento e emaranhado em burocracia, o Brasil se tornou um mercado inviável.

– Falta um entendimento da hotelaria de que a parada dos cruzeiros, de em média cinco horas, serve como degustação do destino. O passageiro que gostar vai voltar com mais tempo e se hospedar em um hotel – diz o secretário de Turismo de São Francisco do Sul, Guilherme Neves Pereira.

Três portos, três modelos

Os portos para transatlânticos em Santa Catarina têm características diferentes, o que impacta no modelo de receptivo e nas tarifas de atracação – e pode ajudar a explicar por que apenas um dos nossos destinos terá atracações nesta
temporada.

Em Itajaí o navio atraca em um píer turístico, separado do porto comercial, e os passageiros descem a pé, no Centro Histórico da cidade. Mas a operação está vinculada ao porto.

Em São Francisco do Sul os navios podem atracar no porto comercial ou ao largo (em alto-mar) e chegam à terra firme a bordo de tênderes, que são pequenas embarcações. Em Porto Belo o sistema é semelhante. O navio atraca próximo à Ilha de Porto Belo, e os passageiros desembarcam nos tênderes.

A diferença é que, por não estar em área portuária, e não necessitar de manobras de atracação, a cidade pode cobrar taxas menores.As tarifas variam de acordo com a embarcação, mas a diferença entre uma atracação em Porto Belo e Itajaí ou São Francisco do Sul chega a 90%, com vantagem para a cidade da
Costa Esmeralda.

— Só cobramos taxa de embarque e desembarque, a equipe é enxuta, não temos o custo de manutenção de faróis e as tarifas dos portos comerciais — diz o presidente da Fundação de Turismo de Porto Belo, Cláudio Souza.

A cidade foi a primeira no país a operar esse modelo de porto turístico, com liberdade para criar as próprias tabelas de cobrança. Mas não tem como viabilizar atracação em terra e ainda aguarda pelo alfandegamento. Por não ter estrutura portuária, Porto Belo também não tem nacionalização de navios – o que obriga as embarcações que vêm do Uruguai, por exemplo, a atracarem por pelo menos seis horas em Imbituba, no porto comercial, antes de chegarem a Porto Belo. Essa logística faz com que a cidade deixe de receber mais escalas.A Receita Federal informou que o processo de alfandegamento está caminhando, mas não será concluído nesta temporada. Antes de a nacionalização passar a valer, será necessário um ajuste de efetivo do órgão.

JORNAL DE SANTA CATRINA

 
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