Noite de homenagens na Arena Condá tem arquibancadas lotadas e festa digna de título em Chapecó - Cidades - O Sol Diário

Chapecoense30/11/2016 | 21h01Atualizada em 05/12/2016 | 18h08

Noite de homenagens na Arena Condá tem arquibancadas lotadas e festa digna de título em Chapecó

Atletas da Chapecoense entrariam em campo contra o Atlético Nacional nesta quarta-feira à noite 

Noite de homenagens na Arena Condá tem arquibancadas lotadas e festa digna de título em Chapecó Nelson Almeida/AFP
Foto: Nelson Almeida / AFP

Quando o pé direito do goleiro Danilo salvou uma bola debaixo da trave e colocou a Chapecoense na final da Sul-Americana, há sete dias, parecia que a Arena Condá tinha o tamanho do Maracanã. Nenhum torcedor da Chape diria o contrário naquela noite. A classificação histórica diante do tradicional San Lorenzo e o "milagre" nos segundos finais, logo contra o time do Papa, desenharam o estádio da cidade no mapa do futebol mundial. A Chapecoense ainda ganhava por antecipação algo que jamais caberia numa sala de troféus: virou o segundo time de todo brasileiro.

A casa da Chape, que vinha embalada para a inédita final, voltou a ficar cheia nesta quarta-feira à noite. Refletores ligados, arquibancadas lotadas e uma multidão de verde e branco por todos os lados. Mas, desta vez, o ídolo Cleber Santana não estava em campo e sequer havia traves para Danilo repetir seus milagres. A Arena Condá abriu os portões para lembrar e homenagear aqueles que partiram na tragédia. A Chapecoense entraria em campo justamente nesta quarta-feira, na Colômbia, pela primeira partida da final contra o Atlético Nacional.

Por alguns momentos, foi como se o time do técnico Caio Júnior estivesse em campo. Teve batuque de tambor, gritos de guerra e, quem diria, até aplausos quando a torcida do Atlético Nacional apareceu em um vídeo no telão. Cenas que se repetiram em Medellín, ao mesmo tempo, numa noite de homenagens no campo do time colombiano.

A noite na Arena Condá também teve silêncio para ouvir as palavras de conforto dos pastores Claudir, Bartolomeu e do padre Igor.

— Deus ama a cidade de Chapecó e há de dar a ela um novo dia, um novo sentido, uma nova vida — anunciou o pastor Bartolomeu.

Foto: Nelson Almeida / AFP

O padre Igor, uma espécie de torcedor símbolo pela devoção particular ao time da cidade, convocou a torcida a gritar "sou Chapecoense, com muito orgulho, com muito amor". Lembrou que "as alegrias" e as "horas mais difíceis" dividem o mesmo trecho no hino do clube. Também pediu que os torcedores acendessem os celulares. Pela altura da festa, algum desavisado no lado de fora poderia jurar que o time da casa acabava de conquistar mais um título.

Atletas das categorias de base entraram em campo abraçados, deram a volta olímpica acompanhados de crianças e levantaram os quatro cantos das arquibancadas. Claro que o garotinho vestido de índio, mascote oficial da Chape, também fez parte da celebração e foi uma atração à parte.

O que levou o estádio às lágrimas, no entanto, foi o anúncio de uma escalação que nunca mais vai se repetir. Cada integrante da delegação enviada à Colômbia teve o nome anunciado no telão. Além de jogadores, comissão técnica e convidados foram lembrados. Todos os jornalistas mortos na tragédia também receberam aplausos.

A noite não teve adversário e terminou sem placar, é verdade, mas a torcida foi embora com a certeza de que o futebol pode ser muito mais do que vitórias ou derrotas.


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