Prontuários do IGP-SC ajudarão na identificação das vítimas do voo que levava o time da Chapecoense - Cidades - O Sol Diário

Perícia30/11/2016 | 17h39Atualizada em 01/12/2016 | 03h35

Prontuários do IGP-SC ajudarão na identificação das vítimas do voo que levava o time da Chapecoense

Previsão de autoridades é que os 71 corpos sejam identificados até o final desta quarta-feira

Prontuários do IGP-SC ajudarão na identificação das vítimas do voo que levava o time da Chapecoense Marco Favero/Agencia RBS
Necropapiloscopista do IGP catarinense auxilia autoridades colombianas na identificação de vítimas de acidente aéreo Foto: Marco Favero / Agencia RBS

O instituto de perícia da Colômbia começou nesta quarta-feira o trabalho de identificação das 71 vítimas fatais do acidente com o avião que levava o time da Chapecoense para a Colômbia, que caiu na madrugada de terça-feira. Até o final da tarde desta quarta-feira, o Itamaraty já havia confirmado os nomes de 45 pessoas. O trabalho estaria mais rápido devido à colaboração de equipes brasileiras de perícia no compartilhamento de documentos. Um especialista do Instituto Geral de Perícias (IGP) de Santa Catarina está em Medellín para auxiliar os trabalhos.

O necropapiloscopista Ruy Fernando Garcia, do IGP catarinense, tem experiência em casos de reconhecimento de vítimas de desastres e chegou em Medellín na noite de terça-feira. Ele levou do Brasil os prontuários de impressões digitais de 34 dos 71 mortos no voo, sendo 21 catarinenses, cinco gaúchos, quatro cariocas, um acriano, um pernambucano, um maranhense e um paraense. Os prontuários são documentos obtidos com órgãos de perícia dos Estados e contém cópia das impressões digitais dos 10 dedos de cada pessoa. Os dados das outras 37 vítimas foram entregues pela Polícia Federal (PF). 

Os documentos são necessários para a identificação por impressão digital. O gerente do Instituto Médico Legal do Estado, Marcos Aurélio Lima, conversou com Ruy Fernando Garcia na manhã de hoje.

— A equipe brasileira foi para auxiliar no processo de identificação, que é comandado pela autoridades colombianas. O que o Ruy nos contou é que os trabalhos estão adiantados e que devem concluir até o final do dia todos os 71 corpos. Ele tem muita experiência nesse tipo de identificação e inclusive levou prontuários aqui de Santa Catarina para agilizar esse processo de identificação das vítimas — afirma Marcos Aurélio.

Sobre o método de identificação adotado, por impressão digital, Marcos explica que foi a melhor alternativa, levando em consideração a condição do acidente e o estado dos corpos: 

 — Não houve explosão do avião na queda, então os corpos não ficaram carbonizados. Em casos assim, o exame de DNA poderia ser utilizado. Outra opção é de arcada dentária, mas para isso teríamos que ter um registo de visita ao dentista das vítimas. A respeito do reconhecimento por parente, é uma escolha muitas vezes traumática, e não é considerada uma comprovação científica.

Preparação para receber corpos

Além do necropapiloscopista, viajou à Colômbia no mesmo avião o secretário executivo de Assuntos Internacionais de Santa Catarina, Carlos Adauto Virmond Vieira, que representa o governador Raimundo Colombo. Ele deu detalhes sobre os procedimentos após a liberação dos corpos.

— Um avião Hércules da Força Aérea Brasileira está em Manaus aguardando pela liberação dos corpos. Assim que o reconhecimento for concluído, o avião irá para Medellín e trará as 71 vítimas para Chapecó, onde serão recebidas com todas as honras. 

Como funciona a identificação por impressão digital

Foto: Marco Favero / Agencia RBS

A papiloscopista do IGP, Shirlanie Martins Machado, detalhou como funciona o processo de identificação de impressão digital de uma vítima fatal:

Passo 1: Peritos fazem cópias das digitais de cada dedo com tinta ou pó em um papel, o prontuário.

Passo 2: Documento é digitalizado e comparado com material disponível na base de dados do IGP.

Passo 3: Papiloscopista precisa identificar no mínimo 12 pontos coincidentes em um dedo, entre digital retirada do corpo e a do banco de dados. Dependendo do estado de decomposição ou tipo de acidente, esse processo manual pode demorar de 15 minutos a 3 horas.

Passo 4: É elaborado um laudo pericial papiloscópico, confirmando a identidade do corpo. 

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