Risco de ataques de tubarão nas praias gaúchas é remoto, garantem especialistas - Cidades - O Sol Diário

Fora de perigo16/11/2016 | 12h02Atualizada em 16/11/2016 | 12h08

Risco de ataques de tubarão nas praias gaúchas é remoto, garantem especialistas

Pescador que morreu na terça-feira após ser mordido por tubarão estava em alto-mar, a quase 300 quilômetros da costa, e em água profunda

Risco de ataques de tubarão nas praias gaúchas é remoto, garantem especialistas Tenente Lencina/Assessoria de imprensa da Comunicação Social do Esquadrão Pantera
Aeronaves de resgate chegaram até o barco, mas o pescador já estava morto Foto: Tenente Lencina / Assessoria de imprensa da Comunicação Social do Esquadrão Pantera

A morte de um pescador após ser mordido por um tubarão em alto-mar em Rio Grande despertou a preocupação de que os animais possam atacar banhistas ou surfistas no litoral gaúcho. Especialistas garantem, entretanto, que as possibilidades são remotas por conta de uma característica das nossas praias: a pouca profundidade do mar junto às praias.

— Aqui no Estado, temos uma costa bem rasa perto da praia, por isso, os tubarões não aparecem. Eles vivem em águas profundas — explica o professor aposentado da Universidade Federal do Rio Grande (Furg) Carolus Maria Vooren, um dos maiores especialistas nesse tipo de animal. 

— Não lembro de nenhum registro de ataque perto da costa (do RS) até hoje. Não tem perigo, podem tomar banho e surfar à vontade.

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A exceção pode ocorrer se ocorrerem alterações no oceano, como elevação da temperatura da água, por exemplo, o que pode provocar a vinda de tubarões para perto da areia — mas são possibilidades remotas. Via de regra, os animais habitam áreas a mais de 50 metros da costa gaúcha, nas chamadas "águas azuis", e não frequentadas por banhistas ou surfistas.

O local onde o pescador, vítima de uma mordida na panturrilha estava, é considerado alto-mar, pois fica a cerca de 280 quilômetros da costa de Rio Grande, área frequentada por embarcações pesqueiras.

A pesca desse animal é permitida por lei e bastante comum no litoral gaúcho. Segundo Vooren, são retiradas do oceano cerca de 500 toneladas do animal por ano na região de Rio Grande. A carne é vendida para alimentação humana.

Descuido é apontado como causa da morte de pescador

Para o diretor do Museu Oceanográfico da Furg, Lauro Bracellos, a morte do pescador tem relação com descuido após a retirada do animal da água, já que ele sobrevive algum tempo fora do mar:

— Quando são pescados e chegam vivos ao convés do barco, eles tentam se defender. E obviamente que ficam muito, muito brabos por estarem fora da água. E o descuido profissional leva a isso.

Nos casos de ataques a surfistas e banhistas no nordeste do país, onde as praias têm águas mais profundas próximo da costa — e também devido a alterações no ecossistema oceânico, que favorecem o aparecimento de tubarões —, Vooren explica que se trata de "um comportamento alimentar" do animal.

— Ele está com fome e percebe a presença de algo que pode lhe servir de alimento, então abocanha. É o mesmo que nós fazemos com churrasco — esclarece o professor aposentado, acrescentando que a pesca de outros peixes e moluscos marinhos, que são o alimento mais comum dos tubarões, contribui para que eles busquem outras fontes.

Entre as espécies de tubarão mais comuns nas águas que banham o Rio Grande do Sul — como tubarão-azul, tubarão-cabeça-chata, galha-branca-oceânico —, o tubarão-martelo é o único que se aproxima das praias. No entanto, destaca Vooren, são apenas as fêmeas prenhas, que chegam para parir os filhotes, principalmente em novembro e dezembro.

— Elas atravessam a plataforma, largam os filhotes e vão embora. Não estão em situação alimentar. Estão preocupadas com outras coisas e não oferecem perigo, o que não as impede de caíram nas redes dos pescadores — afirma o especialista.

 
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