Sífilis em gestantes cresce quase 60% em um ano em Santa Catarina - Cidades - O Sol Diário

Combate às DSTs18/11/2016 | 03h00Atualizada em 18/11/2016 | 12h39

Sífilis em gestantes cresce quase 60% em um ano em Santa Catarina

No ranking obtido pelo último boletim epidemiológico do Ministério da Saúde, Estado é o terceiro com maior aumento na taxa de detecção entre mulheres grávidas; Dessas, 110 não tiveram tratamento prescrito no ano passado

Sífilis em gestantes cresce quase 60% em um ano em Santa Catarina Sndressa Gallo/Divulgação
Testes rápidos para detecção da DST são disponibilizados pelo SUS Foto: Sndressa Gallo / Divulgação

Apesar de ser uma doença sexualmente transmissível (DST) que pode ser prevenida, tem diagnóstico rápido, dispõe de tratamento e possibilita a cura, a sífilis está novamente se espalhando pelo país. Em 2015, Santa Catarina registrou uma taxa de 58 casos a cada 100 mil habitantes contra 42,7 em todo o Brasil. O índice estadual, que pode ser maior se levada em consideração a subnotificação da rede privada, que não é obrigada a contabilizar, é o quinto mais grave do Brasil e o segundo pior da região Sul.

A abrangência da sífilis no território catarinense é ainda mais preocupante em mulheres grávidas. Entre 2014 e 2015, a estatística pulou de 781 para 1.235 casos a cada mil bebês nascidos vivos. O aumento de 58,1% em um ano faz com que Santa Catarina seja o terceiro Estado com maior aumento na taxa de detecção entre gestantes. 

A gerente de vigilância das DSTs, aids e hepatites virais da Diretoria de Vigilância Epidemiológica (Dive-SC) Dulce Maria Quevedo argumenta que, nesse contexto, o problema está no companheiro. 

– A paciente é tratada, mas se reinfecta porque o parceiro não comparece às consultas e não faz o tratamento. E aí o risco de sífilis congênita é altíssimo – explica a especialista.

Segundo ela, o Estado está tentando incluir a exigência do teste rápido também no segundo trimestre da gestação, pois atualmente o procedimento é feito apenas no início e no fim da gravidez. 

Questionada sobre o motivo de 110 gestantes catarinenses terem ficado sem a prescrição do antibiótico usado para curar a sífilis em 2015, Dulce lembra dos problemas enfrentados pelo Ministério da Saúde para obtenção de matéria-prima. A promessa formalizada pela pasta nesta semana é de reabastecer completamente os Estados até abril. 

– Em 2015, houve uma situação nacional de falta de penicilina. As prioridades seriam gestantes e parceiros, e o Estado fez essa distribuição específica. Agora, já está normalizada a situação. Até o momento, nenhuma gestante ficou sem receita.

O Ministério da Saúde divulgou o último boletim epidemiológico com dados atualizados até 30 de junho de 2016 junto a uma nova campanha a fim de combater a epidemia nacional com apoio das sociedades médica e civil no prazo de um ano. O foco é detectar precocemente a doença no início do pré-natal e encaminhar imediato tratamento com penicilina, além de incentivar a prevenção por meio de publicidade.

– Culturalmente as mulheres tendem a procurar o médico apenas quando a barriga aparece, o que diminui as chances de cura da sífilis para a mãe e facilita a transmissão da doença para o bebê – explica a diretora do Departamento de HIV, aids e hepatites virais do Ministério da Saúde, Adele Benzaken.

Negligência ajuda a ampliar estatísticas

Foram 3.021 registros de sífilis adquirida em Santa Catarina no ano passado, 1.235 de sífilis em gestantes e 453 de sífilis congênita. Florianópolis está acima da média nacional de infecção nas últimas duas estatísticas. O presidente da Sociedade Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia de SC, Ricardo Maia Samways, credita o cenário alarmante à pouca prevenção.

– As pessoas estão relaxando quanto ao uso da camisinha, que é o único método que previne das DSTs, porque os pacientes não estão mais morrendo – analisa. 

A Dive SC acrescenta que o número elevado de portadores do vírus HIV/aids é outra possível justificativa para o aumento de casos nas três situações, principalmente na de sífilis adquirida. 

– A associação de indivíduos com aids e sífilis aumenta em 60% a taxa de transmissão. Por outro lado, desde 2010 fazemos notificação compulsória, então esse aumento era esperado – opina o infectologista e professor de Medicina da Univali, Pablo Sebastian Velho.

Para o especialista, os casos de sífilis em gestantes e recém-nascidos são justificados pela pouca presença do homem no pré-natal e pela não-realização do teste rápido na mesma etapa, já que o tratamento é administrado facilmente – em dose única ou em três vezes com intervalo de uma semana. 

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A SÍFILIS

O que é

— É uma doença sexualmente transmissível causada pela bactéria Treponema pallidum.

— Na sífilis congênita, a bactéria é transmitida da mãe para o bebê durante a gestação.

Sintomas

— A doença apresenta vários estágios. No primeiro, causa feridas na região genital (pênis, vulva, vagina, colo uterino, ânus). Isso acontece entre 20 a 90 dias após a relação sexual com a pessoa infectada. Estas lesões não coçam, não doem, não ardem e nem apresentam pus. Nas mulheres, muitas vezes a falta de sinais visíveis retarda o diagnóstico. Esses ferimentos se curam sozinhos e, depois disso, a bactéria entra na corrente sanguínea.

— Após ingressar no sangue, a Treponema pallidum provoca a chamada sífilis secundária, que começa a se manifestar depois de dois ou três meses da contaminação. Os principais sinais são lesões de pele no corpo todo, parecidas com rubéola, inclusive na área genital.

Diagnóstico

— Pode ser feito através de teste rápido, oferecido nos postos de saúde. Também pode ser feito exame laboratorial.

Tratamento

— É feito com penicilina benzatina. Se não tratada, a longo prazo, pode provocar lesões articulares, no cérebro e nos vasos cardíacos.

Prevenção

— Uso de preservativo nas relações sexuais.

Sífilis congênita

Apesar de o exame para detectar sífilis fazer parte do pré-natal, a infecção pode ocorrer após o tratamento em função de o parceiro não ter o diagnóstico. Quando não identificada e tratada, pode acarretar em aborto espontâneo, parto prematuro, complicações neurológicas e lesões ósseas e nos dentes do bebê.

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