Casan e Celesc prometem aumento de equipe e modernização para evitar colapsos nesta temporada - Cidades - O Sol Diário
 
 

De olho no Verão14/12/2016 | 11h40Atualizada em 14/12/2016 | 11h40

Casan e Celesc prometem aumento de equipe e modernização para evitar colapsos nesta temporada

Reportagem abre a série "De Olho no Verão", que também vai abordar nos próximos dias mobilidade e saneamento no Litoral catarinense

Casan e Celesc prometem aumento de equipe e modernização para evitar colapsos nesta temporada Ver Descrição/Agencia RBS
Foto: Ver Descrição / Agencia RBS

O mês é dezembro, não há água e energia nas residências da Grande Florianópolis. Essa foi a situação no começo do mês após a passagem de um ciclone subtropical que trouxe vento de até 115km/h, derrubando árvores e postes na região. A demora para o retorno dos serviços básicos para as casas, principalmente em bairros nos extremos da Ilha de Santa Catarina, fez a população relembrar situações de desabastecimento em períodos de veraneio. Levando em consideração a expectativa de mais de 2 milhões de turistas apenas na Capital e recorde de voos fretados da Argentina, a preocupação só aumenta. Representantes de órgãos prestadores de serviço de água e energia afirmam que a situação foi atípica e citam o verão passado, onde houve um baixo registro de desabastecimento, como motivos para tranquilizar a população. Água e energia são os temas da primeira matéria da série De Olho no Verão, que ainda discute nos próximos dias a mobilidade urbana e o saneamento básico no litoral catarinense na alta temporada. 

O ciclone deixou cerca de 260 mil domicílios às escuras na Grande Florianópolis em 4 de novembro. Em algumas ruas de bairros do sul da Ilha, como Rio Tavares, a energia só foi restabelecida dois dias depois. O receio de que isso possa se repetir no verão retornou para moradores de áreas atingidas. Como parte da solução para apressar o atendimento, o presidente da Celesc, Cleverson Siewert, afirma que equipes de reforço estarão trabalhando a partir do dia 15 deste mês. 

— O que ocorreu foi um evento climático atípico, que dificilmente vai se repetir neste verão. Infelizmente, ocorreu dias antes das equipes de reforço começarem a trabalhar. Levando em consideração que um terço da ilha ficou sem energia, acho que tivemos uma resposta rápida. Sobre o verão, nosso parâmetro deve ser o passado, quando não tivemos grandes interrupções na rede — diz Cleverson.

Da temporada 2014/2015 com crise no abastecimento de água para o verão passado sem maiores contratempos nas torneiras das casas - o que não é possível falar sobre o tratamento de esgoto, vilão da última temporada na Capital. Para o superintendente da região Metropolitana da Grande Florianópolis da Casan, Lucas Arruda, um dos principais fatores para o serviço regular de água foi a garantia de geradores de reserva para estações de distribuição:

— A Casan novamente vai utilizar geradores de reserva em estações de bombeamento de água para regiões mais altas. Isso garante que o sistema continue operando mesmo em caso de falta de energia eventual. Usamos geradores durante todo o ano no sistema de saneamento, mas na água não é possível, pois afetaria a tarifa que a população paga.

Foto: Ver Descrição / Agencia RBS

ENTREVISTAS

Cleverson Siewert - Presidente da Celesc

É possível garantir que não teremos apagão nesta temporada?

A população vai se sentir atendida. O Verão é a época do ano mais complexa para o abastecimento elétrico. Primeiro há o aumento de demanda por causa do turismo, que traz uma sazonalidade no consumo. Por exemplo, no norte da Ilha temos duas vezes mais consumo no verão do que em outras época do ano. Em segundo temos o consumo alto devido ao calor, com o uso de ar-condicionado. O último ponto é que estudos mostram que temos de 35 a 40% mais tempestades no verão. São raios e ventos fortes que prejudicam diretamente nosso sistema elétrico.

Muitos moradores da Ilha de SC reclamaram do atraso na volta da energia após a passagem de um ciclone subtropical, dia 4 de novembro. Isso pode se repetir no verão? 

Tivemos um evento completamente atípico. Foram 115km/h de vento, muito forte. Tivemos um terço da Grande Florianópolis afetada, mas retornamos 85% das ligações ainda no primeiro dia. No segundo dia, chegamos a 95% e 99% no terceiro. Nos solidarizamos com quem ficou sem energia, mas se formos tomar como comparação o que ocorre em outras localidades, onde pessoas chegam a ficar seis dias sem energia, o resultado ainda é muito favorável.

Quais as ações para evitar problemas no verão?

Fazemos anualmente um investimento de R$ 300 milhões em média, que vai desde a troca de cabos, poda e roçada e até automação no atendimento. Além disso, fizemos uma análise sobre pontos que tiveram três ou mais ocorrências entre dezembro de 2015 e março de 2016. São pontos críticos que passaram por melhoramentos. Também trocamos 500 quilômetros de cabos apenas em 2016. Outro ponto importante é um equipamento chamado de termovisor. É como se fosse um escâner que passamos no sistema e enxergamos os pontos com problemas e onde podemos fazer substituições dessas estruturas. Essas ações são para o sistema não cair, mas se ainda isso acontecer aumentamos o atendimento. São 20% a mais de eletricistas e lojas de atendimento.

Lucas Arruda  - Superintendente da Casan na Grande Florianópolis

Houve uma redução de problemas de falta de água no verão 2016 em comparação com a temporada anterior. No entanto, a Casan registrou um aumento de  27% no consumo. Para este ano, onde há a previsão de 30% a mais de turistas apenas na Capital, é possível que o sistema de abastecimento esteja no limite e não dê conta? Como estão os números de perdas na distribuição de água?

No Norte da Ilha estamos modernizando o conjunto de bombas que distribui a água para aquela região. Não temos uma obra estruturante como o flocodecantador, que aumentou de 2.000 l/s para 3.000l/s a capacidade de tratamento de água no sistema integrado central, mas conseguimos transportar parte desse sistema para outras regiões mais vulneráveis. Além disso, fizemos todas as manutenções prévias para a garantia da operação dos sistema. Nossa capacidade atual consegue atender o crescimento de demanda no verão. Sobre as perdas, temos um trabalho de caça a fraudes que passa também pela consciência da própria população. Quando há um gato no sistema, essa água é contabilizada como perda junto com os vazamentos dos canos. Atualmente temos cerca de 39% de perdas na distribuição e estamos trabalhando para melhorar esse resultado. 

Além da falta de energia, moradores da Grande Florianópolis reclamaram do desabastecimento de água após a passagem do ciclone. Como foi o atendimento da Casan para reestabelecer o serviço?

Nos antecipamos a muitos problemas e conseguimos ajudar a Celesc, inclusive na pode de árvores em alguns pontos. Nas unidades de esgoto temos geradores o ano inteiro, mas isso não acontece para a distribuição de água. O nosso plano de emergência estabelece geradores para distribuição de água apenas a partir de 15 de dezembro. O custo seria muito alto na tarifa caso tivéssemos os geradores o ano inteiro. Mas não há essa necessidade. Tudo isso é ajustado com o órgão regulador.

A Vigilância Sanitária da prefeitura de Florianópolis faz uma análise mensal da qualidade da água em diversos pontos da cidade, através do programa Vigiágua. O resultado de agosto mostra que dos 96 pontos avaliados, 22 apresentaram o dobro da quantidade limite de cloro de acordo com padrões da Anvisa. Por que isso está acontecendo?

A qualidade de água nós superamos com o flodecantador. Antes a filtração era direta, um sistema que operava desde a década de 1970. Hoje temos um controle a cada cinco minutos e atendemos à portaria 29/2014 do Ministério da Saúde. No que diz respeito ao Vigiágua, temos que acertar parâmetros. Se temos uma saída de uma determinada quantidade de cloro, como chega na ponta de rede com o dobro se não há adição de produtos nesse percurso? Já estamos fazendo reuniões para balizar os padrões de análise da Casan, do Estado e do município. Não temos nem interesse em usar Cloro em excesso, pois isso iria aumentar os custos. Há uma divergência na parte de procedimento de análise.

Metas previstas para temporada

CELESC

- Mais funcionários: assim como no ano passado, a Celesc promete aumento de 20% no número de eletricistas e reforço no call center entre dezembro e março

- Infraestrutura: concessionária afirma que trocou mais de 500 km que cabos de energia em 2016.

- Tarifa mais baixa: como o previsto ainda no começo do ano, a Celesc e Aneel concordaram com a diminuição da tarifa de energia, que ocorreu em agosto deste ano, em de 4,16% de média. Além disso, o regime de bandeira tarifário está na cor Verde para dezembro, indicando que não haverá sobretaxa na cobrança

CASAN 

- Flocodecantador: operando desde o último verão, o sistema aumentou em 1000l/s o tratamento de água para o sistema central de Florianópolis, dando uma folga na produção da concessionária

- Redução de desperdício: apesar da meta de redução para 30% no vazamento de canos, o resultado atual é de 39%

- Geradores: ao contrário da temporada 2014/2015, quando houve falta de água porque a Casan não tinha providenciado geradores para estações elevatórias, no ano passado a concessionária garantiu 42 geradores durante o verão

De Olho no Verão - calendário de matérias:

Quarta-feira - Abastecimento
Quinta-feira - Mobilidade
Sexta-feira - Saneamento

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