"Religiosidade e espiritualidade em alto nível estão associadas a menos risco de depressão", diz especialista  - Cidades - O Sol Diário
 
 

Saúde mental19/12/2016 | 03h00Atualizada em 19/12/2016 | 03h00

"Religiosidade e espiritualidade em alto nível estão associadas a menos risco de depressão", diz especialista 

Coordenador da seção de Espiritualidade e Psiquiatria da Associação Brasileira de Psiquiatria, Alexander Moreira Almeida defende que alguns hábitos diários podem ajudam na prevenção de doenças mentais

"Religiosidade e espiritualidade em alto nível estão associadas a menos risco de depressão", diz especialista  Congresso Brasileiro de Psiquiatria/Divulgação
Alexander Moreira Almeida Foto: Congresso Brasileiro de Psiquiatria / Divulgação

A espiritualidade pode estar diretamente relacionada à saúde mental. É o que aponta o psiquiatra Alexander Moreira Almeida, diretor do Núcleo de Pesquisas em Espiritualidade e Saúde (Nupes) da Universidade Federal de Juiz de Fora, em Minas Gerais. 

O coordenador das seções de Espiritualidade e Psiquiatria, da Associação Mundial e Brasileira de Psiquiatria, reforça que estudos apontam que pessoas com maiores níveis de religiosidade estão menos propensas à depressão, suicídio e problemas com drogas. Apesar disso, poucos profissionais receberam treinamento nesta área e abordam o tema com os pacientes. Confira a entrevista com o especialista.

De que forma a espiritualidade pode influenciar e ajudar no tratamento de transtornos psiquiátricos? 
Na área da psiquiatria, maiores níveis de religiosidade e espiritualidade estão geralmente associados a menos depressão, suicídio, problemas com álcool e outras drogas, melhor qualidade de vida e bem-estar. Há estudos também mostrando uma maior melhora em pacientes com depressão, transtorno bipolar e problemas com drogas. Mas há também certas formas de religiosidade, como as que enfatizam uma postura passiva, de culpa excessiva, de recusa a tratamentos, que se associam com pior saúde. O modo como a espiritualidade impacta a saúde ainda é uma área pouco compreendida. Entre os possíveis mecanismos, as hipóteses são de que a religiosidade geraria, por exemplo, comportamentos mais saudáveis (desencorajamento ao envolvimento com drogas, violência e comportamentos sexuais de risco), sentido para a vida e para os desafios, crença na capacidade de superar os problemas, maior integração e suporte social.

Mas existem estudos que comprovam isso?
Sim, atualmente, há milhares de estudos investigando o impacto da espiritualidade sobre a saúde. Especificamente em nosso grupo de pesquisas, o Núcleo de Pesquisas em Espiritualidade e Saúde da UFJF, realizamos estudos com pacientes bipolares, dependentes de crack, em hemodiálise e internados em hospitais gerais.

Que ações as pessoas podem fazer no seu dia a dia (ligadas à espiritualidade) que ajudariam a combater ou prevenir os transtornos mentais?
Entre as atividades ligadas à espiritualidade com potencial impacto benéfico sobre a saúde mental, estão frequentar serviços religiosos (missas, cultos, palestras, grupos de estudos etc), envolvimento em trabalho voluntário, práticas de oração e meditação, utilizar os ensinos e exemplos de sua tradição religiosa para ajudar a compreender e enfrentar os problemas e desafios que surgem na vida.

E como os psiquiatras em geral lidam com isso? Eles reforçam a espiritualidade ou ainda falta conhecimento?
Grande parte dos psiquiatras ainda não recebeu um treinamento sobre como lidar com a espiritualidade do paciente. Por isso, associações como a Brasileira e a Mundial de Psiquiatria têm tomado muitas medidas para difusão deste conhecimento e proporcionado treinamento para melhor lidar com o tema. Ambas têm comissões especificamente dedicadas ao tema. A Associação Mundial de Psiquiatria publicou este ano uma declaração formal enfatizando a importância de se levar em conta a espiritualidade no treinamento, na prática clínica e na pesquisa em psiquiatria. Acabou de ser publicado um artigo sobre a religiosidade de psiquiatras brasileiros. Quase 80% consideram importante integrar a espiritualidade nos cuidados dos pacientes, mas só 42% perguntam com frequência aos pacientes sobre o tema. As duas maiores barreiras apontadas no estudo foram o medo de extrapolar o papel de médico e a falta de treinamento na área.

Leia também:

"Existe uma propaganda anti-psiquiátrica que não existe em nenhum outro ramo da medicina"

"Toda prevenção do suicídio é complexa", defende psiquiatra

Aumento de tentativas de suicídio entre crianças e adolescentes reforça importância da prevenção

Saiba como identificar os sinais de alerta para prevenir o suicídio entre crianças e adolescentes

Confira o especial sobre suicídio: Sobreviventes de si mesmos

DC recebe prêmio da Associação Brasileira de Psiquiatria por reportagem sobre suicídio

Reportagem especial: Sobreviventes

O Sol Diário
Busca
Imprimir