Santa Catarina projeta quatro postos para carros elétricos em 2017 - Cidades - O Sol Diário

De olho no futuro27/12/2016 | 16h25Atualizada em 27/12/2016 | 16h45

Santa Catarina projeta quatro postos para carros elétricos em 2017

Primeiro eletroposto do Estado já está instalado em Araquari, outros três serão em Florianópolis e Balneário Camboriú

Santa Catarina projeta quatro postos para carros elétricos em 2017 Salmo Duarte/Agencia RBS
Posto em Araquari é o primeiro em funcionamento no Estado Foto: Salmo Duarte / Agencia RBS

Um equipamento instalado em meados de dezembro no estacionamento ao lado do posto Sinuelo na BR- 101 (sentido Sul), em Araquari, no Norte de Santa Catarina, tem chamado a atenção dos motoristas que passam pelo local. É o primeiro ponto público gratuito para abastecer carros movidos a eletricidade no Estado. O equipamento, que parece uma bomba de combustível do futuro, é uma estação de carregamento rápido para veículos elétricos. A iniciativa faz parte de um projeto executado pela Fundação Centros de Referência em Tecnologias Inovadoras (Certi), com recursos do Programa de Pesquisa e Desenvolvimento da Celesc e da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

A partir de 2017, haverá pelo menos mais três eletropostos em Santa Catarina. O primeiro deles começa a funcionar em janeiro em frente à Fundação Certi, no campus da UFSC, em Florianópolis. O segundo, até o início de fevereiro, no posto Ilha Bela, no Itacorubi, também na Capital. Já o terceiro, em um ponto a ser definido em Balneário Camboriú.

– A inserção em massa dos veículos elétricos poderia trazer prejuízos à rede, aumento da demanda, queda na qualidade da energia. O objetivo geral do projeto é desenvolver um modelo original e viável de eletroposto para carregamento rápido de veículos elétricos inserido no contexto de uma cidade inteligente – reforça Marco Aurélio Gianesini, chefe da Divisão de Eficiência Energética, Pesquisa e Desenvolvimento da Celesc.

Ainda em fase de testes, a recarga é gratuita, até porque não existe regulamentação vigente para este tipo de operação, conforme explica Gianesini:

— Os postos disponibilizarão um número limitado de recargas, pois serão os próprios postos que irão arcar com as despesas de energia elétrica.

Os carregamentos devem ser gratuitos por pelo menos dois anos. Depois disso, os postos poderão cobrar em acordo com a regulamentação, que está prevista para ser lançada no final de 2017. O pesquisador Daniel Gomes Makohin, da Fundação Certi, afirma que outro objetivo do projeto é incentivar a inserção de veículos elétricos no país.

A recarga completa da bateria demora em torno de 15 a 20 minutos. Na Parada Sinuelo, em Araquari, dois veículos podem ser carregados simultaneamente. É tudo operado pelo próprio consumidor. No ponto previsto para a UFSC, será possível recarregar um carro por vez e também bicicletas e scooters elétricas.

Demanda ainda é pequena porque custo é muito alto

Paulo Sérgio Pereira, que tem carro elétrico há um ano, comemora chegada dos eletropostos Foto: Charles Guerra / Agencia RBS

Por enquanto, a demanda no Estado é pequena (confira quadro com o número de veículos elétricos ou híbridos em Santa Catarina). O número de carros elétricos licenciados no Brasil gira em torno de 2 mil e boa parte da frota ainda circula experimentalmente ou em grandes centros urbanos. Além da expansão do número de carros circulando no país, os eletropostos de Santa Catarina querem atender à demanda de turistas do Mercosul que procuram o litoral brasileiro.

Veículos elétricos são similares aos veículos comuns, a gasolina ou diesel, mas se movem com energia elétrica, sendo mais eficientes e amigáveis ao meio ambiente. São silenciosos e possuem custo de manutenção até cinco vezes menor que veículos comuns.

O que explica o baixo número de veículos no mercado é o alto custo. Podem sair até pelo dobro de uma versão convencional. Mas o investimento vale a pena, garante o aposentado Paulo Sérgio Pereira, 67 anos, que tem um carro elétrico há um ano. Atualmente, o morador de Florianópolis recarrega o veículo na garagem de casa, já que vem de fábrica com um dispositivo que permite usar as tomadas convencionais, além de ter uma autonomia de 150 quilômetros. Apesar de ponderar que não há incentivos para a compra do veículo verde, tanto nos impostos cobrados e custo da unidade quanto na falta de eletropostos, Pereira defende que é um bom negócio, principalmente por ser um transporte silencioso e sem emissão de poluentes:

— Ele não faz fumaça, não tem barulho, poluição e não gasta gasolina. Ele é um meio de locomoção racional e ecologicamente correto.

Estudos mostram que o valor do quilômetro rodado de um carro a combustão, considerando o uso de etanol, é de aproximadamente R$ 0,19. No veículo movido a eletricidade, este valor é de R$ 0,05, ou seja, quatro vezes menor. De acordo com a Associação Brasileira de Veículo Elétrico (ABVE), os veículos elétricos têm isenção de IPVA em sete Estados brasileiros (no Sul, apenas no RS) e alíquota diferenciada em outros três: SP, RJ e MS. São Paulo, Campinas, Curitiba, Brasília, Porto Alegre e Foz do Iguaçu já contam com estações de carregamento, nem todas acessíveis à população. Empresas como a WEG, em Jaraguá do Sul, e a BMW, em Araquari, também têm pontos internos.

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Foto: Salmo Duarte / Agencia RBS
Paulo Sérgio Pereira, que tem carro elétrico há um ano, comemora chegada dos eletropostos Foto: Charles Guerra / Agencia RBS
 
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