Casal de Joinville esteve em mansão que abrigou brasileiros desaparecidos nos EUA - Cidades - O Sol Diário
 
 

Piratas do Caribe16/01/2017 | 16h45Atualizada em 16/01/2017 | 19h07

Casal de Joinville esteve em mansão que abrigou brasileiros desaparecidos nos EUA

Para Polícia Federal, os dois e uma agência de turismo ajudaram os coiotes com infraestrutura e burocracia para entrar ilegalmente no país

Leandro S. Junges

leandro.junges@an.com.br

Duas pessoas de Joinville e uma agência de turismo são suspeitas de ajudar brasileiros a tentar entrar ilegalmente nos Estados Unidos.

Eles estão listados no grupo investigado pela operação Piratas do Caribe, da Polícia Federal de Rondônia. A operação foi deflagrada na última sexta-feira. Há uma ordem de prisão preventiva contra o casal, que ainda não foi encontrado, mas não é considerado foragido.

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A investigação começou em novembro, quando 12 brasileiros desapareceram nas Bahamas. Eles continuam desaparecidos.

Com a ajuda de familiares, a Polícia Federal chegou aos nomes de três agências de turismo (uma da cidade de Ariquemes, em Rondônia; uma de Governador Valadares, em Minas Gerais; e uma de Joinville, em Santa Catarina).

Os nomes das pessoas e da agência não foram liberados pelo delegado Rafael Baggio, da Polícia Federal de Rondônia, nem pelo delegado Alexandre de Andrade Silva, de Joinville.

Segundo a PF, o casal de Joinville foi responsável pelo embarque de pelo menos duas das 12 pessoas que desapareceram. Eles teriam estado em uma mansão em Nassau, nas Bahamas, onde os 12 brasileiros ficaram alojados enquanto aguardavam a travessia, de barco, para Miami, nos Estados Unidos.

No dia 1º de novembro, o homem de Joinville teria exigido o depósito de R$ 1,6 mil para o pagamento da estadia na mansão em Nassau. O dinheiro foi depositado na conta da mulher. Os comprovantes estão com a Polícia Federal.

O casal catarinense também teria ajudado na burocracia para remarcar uma passagem e fazer as vacinas necessárias nos dois passageiros cujas famílias estão ajudando a Polícia Federal na investigação.

Segundo o delegado Rafael Baggio, da Polícia Federal de Rondônia, a investigação chegou ao nome de sete pessoas e três agências envolvidas no processo de levar os brasileiros até a travessia, nas Bahamas. Segundo ele, o caminho feito pelos brasileiros é perigoso, a travessia é noturna e as pessoas ficam sem qualquer ajuda, inclusive sem água e alimentação.

— O preço variava. O preço desses 12 brasileiros desaparecidos está entre R$ 40 mil e R$ 60 mil. Um grupo daria uma casa — disse o delegado. 

Segundo o delegado, a responsabilidade pelo destino desses brasileiros desaparecidos pode ser imputada ao grupo que está sendo investigado.

— Se essas pessoas que estão desaparecidas morreram, foram sequestradas ou estão em cárcere privado, todas as pessoas que intermediaram a ida desde o começo serão responsabilizadas — afirma Baggio.

Investigação

A investigação que deu origem à operação, batizada de "Piratas do Caribe", foi iniciada em novembro do ano passado, quando 12 brasileiros desapareceram na região das Bahamas tentando entrar ilegalmente nos Estados Unidos.

Segundo o delegado Rafael Baggio, as vítimas passava em média de 20 a 30 dias perto de um aeroporto internacional, à espera do sinal da quadrilha.

— Eles viajavam para o Panamá e, depois, para as Bahamas. Lá, eles ficavam numa casa até receberem a ordem de travessia para os Estados Unidos, de barco.

Os coiotes

Os coiotes são conhecidos por cobrar para intermediar e dar a infraestrutura para que estrangeiros possam entrar ilegalmente nos Estados Unidos. São várias quadrilhas que agem da mesma maneira, cobrando valores que vão de R$ 30 mil a R$ 60 mil pelo transporte. Na maioria das vezes, as vítimas ficam à própria sorte e tem suas famílias ameaçadas caso algo dê errado.

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