Com homologação da delação da Odebrecht, Cármen Lúcia dá um recado político  - Cidades - O Sol Diário

Opinião30/01/2017 | 10h46Atualizada em 30/01/2017 | 10h48

Com homologação da delação da Odebrecht, Cármen Lúcia dá um recado político 

Presidente do STF não chega a acelerar investigação, mas evita um atraso que agradaria os alvos da Polícia Federal e do Ministério Público Federal

Com homologação da delação da Odebrecht, Cármen Lúcia dá um recado político  José Cruz/Agência Brasil
Foto: José Cruz / Agência Brasil
Guilherme Mazui e Zero Hora

guilherme.mazui@gruporbs.com.br

Ao homologar as delações dos 77 executivos e ex-executivos da Odebrecht antes da escolha do novo relator da Lava-Jato, a ministra Cármen Lúcia tomou uma decisão jurídica com um explícito recado político: se depender da presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), a sangria da operação não será estancada. 

Mais do que avalizar a Procuradoria-Geral da República (PGR) a utilizar os depoimentos dos delatores para pedidos de abertura de inquéritos contra a cúpula da política nacional, Cármen Lúcia dá uma resposta aos milhões de brasileiros que olham desconfiados o futuro da Lava-Jato desde a morte do antigo relator do caso, Teori Zavascki, em um acidente aéreo no litoral fluminense. Dentro do limite da lei, já que houve um pedido de urgência da PGR e o recesso do STF lhe permitia homologar as delações até terça-feira, a ministra fez sua parte. Vai definir a escolha do novo relator com essa etapa da discussão encerrada. A decisão fortalece a magistrada como liderança nacional em ascensão.

Com um arranhão na imagem depois de liderar o acordo que manteve Renan Calheiros (PMDB-AL) na presidência do Senado, Cármen Lúcia tenta deixar claro que não está no mesmo time do peemedebista e de outros réus ou investigados na Lava-Jato. Suas possíveis pretensões políticas já provocam comentários curiosos e críticos em Brasília. 

Na prática, Cármen Lúcia não chega a acelerar a operação, mas evita um atraso que agradaria Palácio do Planalto, governadores e ex-governadores, deputados, senadores, empresários, lobistas e doleiros, enfim, toda a fauna envolvida no petrolão e suas ramificações.

Com a homologação, o STF destrava o trabalho dos procuradores, que temiam viver uma eterna espera sobre o futuro das delações. Aliás, por isso, parece adequada a posição de manter os sigilos dos depoimentos, uma vez que levas de pedidos de busca e apreensão serão feitos nas próximas semanas. Definida a homologação da delação do fim do mundo, o país agora aguarda o nome do próximo relator da Lava-Jato. Ao colega que assumirá os processos, Cármen Lúcia também deixou um recado: a partir de agora é tudo com você.

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