"Não tomarei decisões apenas pela minha cabeça", diz Leonel Pavan - Cidades - O Sol Diário

Entrevista13/01/2017 | 14h37Atualizada em 13/01/2017 | 20h22

"Não tomarei decisões apenas pela minha cabeça", diz Leonel Pavan

Às vésperas da posse, secretário de Turismo, Cultura e Esporte planeja ações mas admite falta de dinheiro

Foto: Charles Guerra / Agencia RBS

Leonel Pavan (PSDB) sabe que assumirá na terça-feira a Secretaria de Turismo, Cultura e Esporte com pouco dinheiro em caixa. Praticamente no vermelho, ele admite. Mesmo assim, planeja ações — algumas imediatas, como a criação de receptivos para os turistas estrangeiros. 

Mais tranquilo do que seu perfil sempre indicou, Pavan quer buscar parcerias com a iniciativa privada e garante que terá uma gestão alinhada com o trade turístico. 

Quais são as suas prioridades à frente da secretaria?
Estamos fazendo levantamento geral do que existe e dos novos projetos. Chegamos à secretaria em plena temporada, então estamos preparando algum tipo de recepção. Já recebemos alguns aviões charter, devem ser 700 até o fim da temporada. Queremos uma recepção desde a entrada em Dionísio Cerqueira até os aeroportos. Com bandas, pessoas poliglotas. Isso é para agora. Depois tem o Centro de Eventos de Balneário Camboriú, que é prioridade número um em termos de obra. E temos dois projetos de repercussão nacional. Junto com a Polícia Militar Rodoviária, vamos colocar totens onde o turista vai parar e ter informação no celular ou em panfletos. Retira o destino que deseja, e recebe uma radiografia do que vai encontrar pela frente, além disso o policial vai interagir com o turista. A polícia está se colocando à disposição para fazer uma boa receptividade. Vamos tentar ampliar isso depois para a PRF. E queremos iniciar uma parceria público-privada no Hotel Santo Amaro da Imperatriz, com a Fecomércio. Queremos transformar em um hotel-escola de gastronomia e hotelaria.

E no esporte?
Os jogos abertos tinham parado. Vamos fazer o maior da história do Estado, em Chapecó. Queremos aproveitar os 100 anos de Chapecó. Também determinei o resgate do edital Elisabete Anderle, que por motivos econômicos estava suspenso, para valorizar o artista.

Há dinheiro em caixa para esses projetos?
Em todo o meu gabinete a previsão de gastos é negativa, na cultura, no esporte e no turismo. A equipe está refazendo o orçamento para ver se é possível retirar de algum lugar. Senão, vou tentar buscar. Os pórticos e o Centro de Eventos de Balneário Camboriú estão garantidos, o resto não. O orçamento, com o que já está no papel, é negativo. Mas vamos buscar parceria privada. Pretendo acabar com os fundos, fazer investimento em projetos com recurso direto, sem passar pelos fundos. Estamos com 631 projetos que já foram realizados e ainda não receberam a aprovação da conta. Desde 2014 nenhum foi terminado. 

Como ficará o Carnaval no Estado?
Vamos tentar pelo menos quatro, Laguna, Florianópolis, São Francisco do Sul e Joaçaba. Laguna e São Francisco do Sul é o carnaval de rua. Mas não posso passar recurso para as escolas de samba porque não prestaram contas como deviam. Estamos vendo de que forma vamos investir no Carnaval de Florianópolis. Se não atenderem às exigências, infelizmente não poderei colocar recursos. 

A procura é grande?
Desde o dia que em que coloquei os pés na secretaria, é inacreditável o volume de pessoas que procuram. São novos governos municipais, está todo mundo com gás, com ansiedade. Em função da crise econômica, participei de um corte de 40% do turismo na Assembleia, votei a favor. Mas era necessário. 

Tu entras em um momento em que o turismo está fragilizado. A expectativa era de uma temporada melhor...
Tem que plantar para colher. Éramos o melhor turismo do Brasil. Veja, o Beto Carrero teve um aumento na movimentação, resultado de um trabalho muito forte de mídia, de divulgação. Vamos também bater recorde no turismo internacional. E o turismo do voo charter é um turismo de qualidade. 

Mas a temporada vai fechar com bons números?
Não tenho avaliação ainda. Mas em Florianópolis a previsão é de aumento de 4% em relação ao ano passado na hotelaria. Nos restaurantes uma queda de 2 a 4%. Falam que, com a inflação, essa queda chega a 12%.

Como explicar essa disparidade de números?
Acredito que muitos turistas estão se alimentando em casa. Mas nossa gastronomia está cada vez melhor, é muito boa. Fazemos pesquisas diárias, para saber como foi a estadia. A maioria avalia como muito bom, e a segurança tem um índice bom também. Turismo é pesquisa permanente. Se fizer uma análise, precisaríamos ter uma estrutura muito forte, temos águas termais de ponta a ponta, turismo rural do Sul ao extremo Oeste. Há muito o que explorar.

Como viu a divulgação de Santa Catarina como um dos Estados com mais praias impróprias no país?
Eu terei uma conversa com a Embratur. Há mídia nacional divulgando o Norte e o Nordeste do Brasil e não existe divulgando o Sul. Vou estar com Vinicius Lumertz. Há um tempo, Balneário Camboriú tinha 20, 20 e poucos pontos impróprios. Isso não existe mais. Eu mesmo trouxe R$ 450 milhões de empréstimo da Jica, de Tóquio, que estão sendo investidos desde o primeiro ano do governo Colombo. A poluição está diminuindo, nós evoluímos. O Estado de Santa Catarina é um dos poucos no Brasil que ainda resistem à crise, muito pela gestão de governo. Já chegamos a ser oito vezes o melhor destino do Brasil, mesmo com problemas seriíssimos. Vou meter o dedo nessa ferida. Quero um movimento forte pela concessão dos aeroportos de Florianópolis e Navegantes. Entraremos firmes nisso, com o trade. Aliás, não tomarei decisões apenas pela minha cabeça. Não vou inventar a roda, mas fazer ela girar. 

 
  •                                
  •  
     
  •  
     
  •  
O Sol Diário
Busca
clicRBS
Nova busca - outros