"Ninguém deixou de ser atendido", afirma ex-secretário de Saúde, João Kleinubing - Cidades - O Sol Diário

Entrevista03/01/2017 | 07h45Atualizada em 03/01/2017 | 07h45

"Ninguém deixou de ser atendido", afirma ex-secretário de Saúde, João Kleinubing

Deputado deixou comando da secretaria de saúde no último dia 31 para voltar à Câmara dos Deputados 

"Ninguém deixou de ser atendido", afirma ex-secretário de Saúde, João Kleinubing Gilmar de Souza / Agência RBS/Agência RBS
Foto: Gilmar de Souza / Agência RBS / Agência RBS

O ano de 2016 não foi fácil para a saúde de Santa Catarina. Em meio aos atrasos nos repasses durante os últimos meses, as dívidas acumularam e os servidores do setor cruzaram os braços em diversos hospitais pelo Estado. No meio disso, o ex-secretário de Saúde do Estado, João Paulo Kleinubing, passou o ano entre reuniões com gestores das entidades realizando verdadeiras ginásticas financeiras para minimizar os impactos da crise problemas na gestão. No último dia 31, Kleinubing deixou o cargo de chefe da pasta para voltar à Câmara de Deputados neste ano. A reportagem do Diário Catarinense conversou com o deputado, que fez um balanço sobre o trabalho em 2016. Leia:

O senhor voltará para Câmara de Deputados no próximo mês. A sua saída da secretária tem relação com a crise financeira que a secretaria enfrenta?
R: Não. Houve um acordo de que eu ficasse esse tempo aqui na secretaria e esse tempo acabou. Volto para o meu posto, lugar em que fui eleito para continuar trabalhando pela saúde de Santa Catarina e pelo Estado.

Secretário, o ano de 2016 fui bastante difícil para a saúde. O senhor acha que 2017 será pior?
R: Acho que teremos uma condição mais confortável por dois fatores. O primeiro é que vamos diminuir a folha. Uma das coisas que impactou muito foi o acordo de 2012 e 2013 com os funcionários que comprometeu o nosso orçamento de 2016. Outra coisa é que a receita destinada para a saúde vai aumentar de 12% para 15% em três anos.

Com relação à crise que o setor enfrenta, a Fundação de Apoio ao Hemosc e Cepon (FAHECE), tem afirmado que a secretaria deve cerca de R$ 42 milhões e isso impede os serviços. A secretaria concorda com esse valor?
R: Com a Fahece temos procurado resolver a questão dos atendimentos. Temos que olhar para a questão do funcionamento imediato. E, em um momento de crise financeira, é o que estamos fazendo. Temos acompanhado e pago os valores de produção. Não tem atendimento comprometido.

A perda do título de filantropia da Instituição também afeta o funcionamento do Hemosc e Cepon?
R: Não. A questão da perda é de inteira responsabilidade deles. A secretaria tem acompanhado e ajudado, mas essa questão não vai impactar funcionamento dos atendimentos.

Na metade do ano a Fundação anunciou que, por conta no atraso nos repasses, remédios, tratamentos e atendimentos começaram a ficar comprometidos. A secretaria concorda?
R: Ninguém deixou de ser atendido e ninguém deixou de recebe remédio ou sangue por falta de atendimento. Não teve isso. Os serviços estão funcionando.

Com relação aos hospitais filantrópicos, alguns estão com grande dificuldade financeira, como por exemplo o Hospital de Caridade. O senhor acha que esse cenário ocorre por conta de uma má gestão?
R: Não necessariamente. Não de maneira geral. Acho que tem mais vinculo com o modelo adotado de repasse de dinheiro. Veja, os hospitais só recebem após a produção pelo SUS ser feita e não antes.

O governo Federal deve algum repasse para a secretaria de saúde?
R: Sim. Dos atendimentos já feitos pelo Estado temos um crédito de R$ 400 milhões para receber do Ministério da Saúde.

O SindSaúde afirmou que faltam cerca de 3 mil funcionários hoje na saúde de SC. A secretaria acredita? Haverá concursos públicos no próximo ano?
R: Absolutamente não falta isso. Eu acredito que o governo terá que contratar mais gente, mas não necessariamente por concurso. O governo agora vai precisar estudar qual melhor modelo.

Recentemente alguns leitos foram fechados nos hospitais da Grande Florianópolis. Isso aconteceu por falta de pessoal?
R: Foi um remanejamento. O que acontece é que no fim de ano as cirurgias eletivas diminuem e os atendimentos de urgência e emergência aumentam.

Mesmo com dificuldades, em um balanço, o que a saúde catarinense conseguiu de positivo?
R: Foi um ano que teve muita dificuldade, principalmente por conta da crise financeira do Estado. Não foi uma crise só da saúde, mas de todo o Estado, né. Mas apesar de toda a dificuldade nós conseguimos avançar no ponto de cobertura de atendimentos. E continuamos tocando obras nos hospitais que serão inauguradas no ano que vem também. 

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