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Desafie seu cérebro13/01/2017 | 14h59Atualizada em 13/01/2017 | 15h10

Saiba como você pode se tornar mais inteligente

A genética e a infância são determinantes para a inteligência, mas em qualquer idade é possível aumentar a capacidade intelectual

Saiba como você pode se tornar mais inteligente Arte ZH/
Foto: Arte ZH

Será que as pessoas já nascem mais ou menos inteligentes? Será que a capacidade de aprender novas habilidades, de superar desafios é determinada desde o nascimento? Que todas as bases do potencial intelectual são formadas ainda na infância — e depois dessa fase pouco se possa fazer para despertar aptidões ainda não descobertas?

Não, nada disso. Até já se chegou a pensar que a inteligência fosse determinada, principalmente, pela hereditariedade, e que as conexões que formassem os alicerces do intelecto precisavam ser todas desenvolvidas quando ainda se é criança. Mas estudos atuais sobre o cérebro, o mais enigmático dos órgãos no corpo humano, apontam outro caminho.

Está certo que a inteligência não é algo que depende só de nós, pois há uma forte carga genética envolvida, e isso determina o potencial de cada cérebro. Mas essa também não é uma atribuição somente hereditária: o que aprendemos, criamos e imaginamos ao longo da vida é primordial para definir a capacidade intelectual. Ao longo da vida, perceba. Porque, sim, é sempre tempo de fazer novas descobertas.

A inteligência a que a ciência se refere não é determinada pela probabilidade de acertar muitas questões de português ou matemática em um concurso, por exemplo. Ela tem mais relação com a facilidade para aprender palavras novas, entender tecnologias inovadoras, inventar, resolver problemas. É uma característica que se aplica a praticamente todas as áreas da atuação humana: da proficiência com números à familiaridade com idiomas, das relações pessoais à criatividade, do esporte às artes plásticas.

— Quem é inteligente encontra estratégias para enfrentar os problemas que aparecem. O que diferencia as pessoas esforçadas das inteligentes é a maneira de lidar com algo que não estava lá antes — explica André Palmini, chefe do Serviço de Neurologia do Hospital São Lucas da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS).

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Há uma grande variedade de definições para a inteligência. Talvez uma das mais concisas e, ao mesmo tempo, abrangente seja esta: a capacidade de se adaptar à realidade. Isso inclui tudo, desde aprender a fazer cálculos básicos até conseguir extrair o melhor das pessoas, e se aplica a qualquer campo. Ser inteligente, nesse sentido, seria conseguir se preparar para qualquer circunstância e, em face de alguma adversidade, ser capaz de pensar em como superá-la e conseguir agir de acordo.

A origem da palavra, inclusive, reforça a inteligência como a capacidade de entender o mundo à nossa volta: ela vem do latim intellegentia, que significa a faculdade de compreender, de discernir.

Como (e quando) nasce a inteligência

Cientistas estimam que a carga genética que a criança recebe dos pais é determinante para definir o seu potencial intelectual. Ou seja, a capacidade máxima que o cérebro tem, por exemplo, de absorver informações e utilizá-las para fazer novas descobertas. Mas isso não representa um obstáculo intransponível: pesquisadores veem indícios de que não conseguimos utilizar nosso cérebro ao máximo, mesmo diante de dificuldades que exijam muita ação neural. Esse limite, portanto, não é, ou não deveria ser, um impedimento.

As conexões do cérebro vão sendo moldadas conforme a criança cresce. A cada nova lição, nova experiência. É como um quebra-cabeças esperando a nova peça se encaixar — com a grande diferença de que não há uma única figura correta a ser montada no final, porque as possibilidades são infinitas.

— Na infância, o cérebro está ávido por novas informações. Os neurônios estão ali, esperando. E as conexões neurais formadas nesses primeiros anos são muito mais sólidas do que as que acontecem mais tarde — diz Mariana Dagnino Araújo, neurologista do Hospital Moinhos de Vento.

É por isso que se pensa, e não sem uma boa parcela de razão, que o aprendizado na infância é o que molda as futuras capacidades de um adulto. O que se descobre nos primeiros anos de vida deixa marcas indeléveis no cérebro, formando uma base para tudo o que virá depois. E uma habilidade desenvolvida quando ainda se é criança, mesmo que seja deixada de lado por décadas, pode ser retomada muito mais facilmente anos depois do que uma aptidão adquirida na fase adulta.

Em constante aprendizado

Imaginemos, mais uma vez — pois essa atividade faz bem para o cérebro —, que a inteligência é como um grande quebra-cabeça. A genética pode até determinar o tamanho do jogo, mas o que o faz tomar forma são as experiências, os conhecimentos adquiridos, os desafios enfrentados e superados. Isso tudo os cientistas definem como ambiente: é a parcela do intelecto determinada por aquilo que vivemos e aprendemos.

Claro que tudo começa na infância, mas não pense que as experiências ao longo da vida são apenas como móveis recém-comprados em uma casa já construída: aquele mesmo cérebro ávido por informações nos primeiros anos de sua formação mantém sempre um espacinho reservado para aprender coisas novas. Cada lugar explorado, cada lição, cada erro ajuda a moldar a inteligência. Em qualquer idade.

— O cérebro vai se desenvolvendo a partir da estimulação que recebe do ambiente. Quanto mais estímulos, mais sinapses vão ser feitas e mais ele vai se desenvolver — relata a neuropsicóloga Candice Steffen Holderbaum, sócia-fundadora do Instituto de Neuropsicologia do Rio Grande do Sul.

Por isso o aprendizado constante, mais do que qualquer questão hereditária, é importante: não só na escola, durante a faculdade, mas por toda a vida. Conviver com pessoas diferentes, resolver problemas novos, falar outra língua são algumas das atividades que proporcionam muitos estímulos ao cérebro. A inteligência só não se expande em uma mente totalmente fechada.

Falar russo, tocar harpa? Sim, você pode!

Sabe-se que uma pessoa que tenha aprendido a tocar os primeiros acordes em um violão aos sete, oito anos, mesmo que abandone o instrumento depois, terá muito mais facilidade para reaprendê-lo quando for adulto, se assim desejar. Isso não impede, no entanto, que a mesma habilidade seja adquirida aos 30 anos e, com dedicação, leve a resultados melhores.

— São poucas as habilidades irrecuperáveis. Os cientistas mostraram que há pouquíssimas coisas que não podem mais ser adquiridas depois de adulto. Isso é muito interessante, surpreendente e estimulante, se a gente parar para pensar. São poucas as habilidades que o ser humano perde a oportunidade de adquirir depois da infância — afirma a neurologista Mariana Dagnino Araújo.

Isso acontece porque há "janelas" que o cérebro abre para o aprendizado de certas habilidades. A faixa dos oito, nove anos, por exemplo, é excelente para o estímulo musical. As conexões neurais feitas nessa época ficarão fortemente marcadas no cérebro — algo que não vai acontecer com tanta facilidade se as lições forem tomadas bem mais tarde.

Entre as tais habilidades irrecuperáveis estão a pronúncia de fonemas que não fazem parte da língua materna de uma criança. Passada a "janela" que permite ao cérebro aprender a pronunciar sílabas do alemão, por exemplo, que não encontram paralelo no português, não haveria esforço capaz de vencer essa dificuldade. Já ouviu um americano ou um japonês tentando falar o "erre" do português? Só se eles tivessem tido contato com o idioma na infância que a história poderia ser diferente.

Para além dos casos impossíveis — que são a exceção —, cientistas explicam que nunca é tarde para começar. O esforço será maior, não há jeito, mas quem tem vontade de falar russo, de tocar harpa, seja o que for, pode, sim, desenvolver essas habilidades quando adulto, quando idoso. Os benefícios são tantos que se pode afirmar: é algo inteligente a se fazer.

Intelecto medido: os testes de QI

A inteligência não é só um conceito abstrato: ela também pode ser medida, o que é feito por meio dos testes de quociente de inteligência, o famoso QI. Desenvolvidos a partir de provas aplicadas a milhares de pessoas, esses exames conseguem apontar um resultado médio esperado em determinada população — e a partir daí avaliar se uma pessoa está acima ou abaixo do padrão na sua faixa etária.

Essas provas não são como um vestibular. Até há questões que envolvem resolução de problemas matemáticos, ou que exijam um bom vocabulário na sua língua, mas é esperada ainda uma série de outras habilidades.

O principal teste de QI do mundo, a escala de Wechsler, trabalha com duas categorias de aptidão para adultos: verbal e não verbal.

— Os testes envolvem conhecimentos verbais, como vocabulário, e outros que não dependem de uma resposta verbal, mas do raciocínio lógico — explica a doutora em psicologia Candice Steffen Holderbaum.

Entre as questões propostas a quem está tendo seu QI avaliado, estão o conhecimento do significado de palavras e a capacidade de montar figuras de acordo com um modelo apresentado. Como envolve diversos aspectos da inteligência e exige acompanhamento profissional para ser bem aplicado, o exame precisa ser feito por um psicólogo. Fazer testes de QI online pode não levar a um resultado condizente com a realidade.

Essa avaliação de inteligência não serve apenas para matar a curiosidade: ela é muito utilizada na busca por um diagnóstico clínico de inteligência, e pode comprovar algum tipo de incapacidade cognitiva ou deficiência intelectual. Aplicada a crianças, pode estimar se elas estão no nível de aprendizado esperado para a idade, embasando decisões sobre a necessidade de repetir ou até avançar uma série, por exemplo.

Seu cérebro quer desafios

Então o cérebro saudável está sempre disposto a aprender, e quanto mais descobre, quanto mais é exigido, mais inteligente se torna. Ok, mas... como estimulá-lo?

A verdade é que não há uma fórmula para isso. Não se pode dizer que brincar na infância, aprender um novo idioma quando adulto e ler bastante na terceira idade serão formas eficientes — e suficientes — de desenvolver o intelecto. Porque o cérebro não é formado por "fases"; não é a idade, à óbvia exceção dos anos iniciais de vida, que determina a capacidade intelectual de uma pessoa.

Por isso, a dica é um tanto genérica mas, garantem os cientistas, funciona: é preciso desafiar-se. Há evolução quando se consegue enfrentar e superar algo que não se havia vencido antes. Isso vai desde passar por um desafio físico (desbravar uma trilha, remar ao outro lado de um lago) até resolver um problema matemático ou ter de usar o raciocínio lógico, mesmo para atividades aparentemente simples do dia a dia.

— Nosso cérebro adora desafio. É a ginástica de que ele mais gosta — afirma Mariana Dagnino, mestre em neurociências pela PUCRS.

Para exercitá-lo, portanto, é preciso estar sempre colocando o órgão para funcionar de diferentes maneiras. A rotina não faz bem ao cérebro. É descobrindo coisas novas, retomando aptidões deixadas de lado, resolvendo problemas que se está desenvolvendo a inteligência.

Estamos ficando mais inteligentes?

Com tanto acesso a informação, qualquer dúvida podendo ser resolvida com alguns cliques, e tamanha interconexão entre pessoas em todo o mundo, estamos ficando mais inteligentes do que em décadas ou séculos passados?

Uma pesquisa publicada há dois anos por pesquisadores do King's College London, analisando dados de mais de 200 mil testes de QI, estimou que, sim, os humanos estão ficando mais inteligentes. Mas não (só) por conta da tecnologia: seriam os avanços na saúde e o desenvolvimento da educação os responsáveis por essa ascensão.

A tendência, conforme o professor neozelandês James R. Flynn, é de que as novas gerações sejam mais inteligentes do que as anteriores. O problema do chamado "efeito Flynn", porém, é que só consegue levar em consideração dados dos testes de QI, que começaram a ser realizados por volta de 1930. Assim, não se pode estimar se a população atual é, na média, mais inteligente do que na época de Da Vinci, Newton ou Einstein.

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