Servidores de Florianópolis exigem revogação de lei aprovada na Câmara para encerrar greve - Cidades - O Sol Diário
 
 

Conta o "Pacotão"26/01/2017 | 19h57Atualizada em 26/01/2017 | 20h04

Servidores de Florianópolis exigem revogação de lei aprovada na Câmara para encerrar greve

Direção do sindicato propôs suspender a paralisação que está completando 10 dias, mas foi derrotada pela maioria dos funcionários, que votou por continuar a paralisação por tempo indeterminado

Servidores de Florianópolis exigem revogação de lei aprovada na Câmara para encerrar greve Marcus Bruno/Agência RBS
Foto: Marcus Bruno / Agência RBS

Apesar de a direção do sindicato dos servidores municipais de Florianópolis (Sintrasem) ter se posicionado a favor de suspender a greve após receber uma proposta da prefeitura, a maioria dos funcionários públicos votou por manter a paralisação por tempo indeterminado em assembleia na tarde desta quinta-feira, dividindo em parte a categoria. A greve está completando dez dias nesta sexta.

Durante a assembleia, o presidente do Sintrasem propôs suspender a paralisação até o dia 07 de fevereiro, quando retornam de férias os servidores do magistério. A ideia era retomar a greve nesta data, com os professores engrossando o movimento. Com a suspensão, a proposta de Executivo estaria mantida: retirada de ação judicial, negociação de um novo plano de carreira e possibilidade de reposição dos dias parados. No entanto, antes mesmo de ser colocado em votação, a ideia recebeu vaias da grande parte dos trabalhadores.

Os funcionários querem a revogação da proposta de lei complementar 1.591/16, que altera o estatuto dos servidores públicos. Para eles, o texto aprovado na Câmara retira direitos conquistados ao longo de 30 anos, como a suspensão do plano de carreira e a não incorporação de gratificações para a aposentadoria.

— Eu sou professor e deveria estar de férias, mas estou aqui para fortalecer a greve. Não é com uma paralisação de uma semana que a gente vai revogar a lei. Se a gente suspender a greve, vai parecer que saímos da Câmara com o rabo entre as pernas. A gente tem é que aumentar a mobilização — discursou o professor Rafael Gaspar ao microfone, recebendo muitas palmas dos cerca de 4 mil grevistas presentes na praça Tancredo Neves, no centro da Capital.

Após a aprovação da greve, os trabalhadores seguiram em passeata até a prefeitura para um novo protesto contra o prefeito Gean Loureiro. A direção do sindicato se reuniu com o secretário da Casa Civil, Felipe Melo, para informar da manutenção da greve e reabrir as negociações.

Nesta sexta-feira, os servidores planejam um novo ato às 8h no trapiche da Avenida Beira-Mar Norte. Uma nova assembleia está marcada para a tarde da próxima segunda-feira. O sindicato afirma que 95% da categoria está paralisada.

Prefeito vai reduzir salário em 30%

No entanto, para a prefeitura, o movimento já está diminuindo. O secretário de Administração, Everson Mendes, salienta que as mudanças no estatuto do servidor não irão reduzir os benefícios dos servidores. A regra segue a mesma para quem tenha cumprido 2/3 do tempo de serviço. Já aqueles que ganhavam hora extra a 200%, aí sim irá cair para 50%.

— Nós acreditamos que a greve vai perder força nos próximos dias. Amanhã (sexta) à noite, eu vou disponibilizar todos os contra cheques e eles vão ver que não diminuiu nada. Nós vamos divulgar inclusive a projeção da folha de fevereiro. Só quem está entrando agora é que não vai ter, porque se não vai ficar inviável. É preciso criar um novo parâmetro justo — argumentou Mendes.

O secretário informou ainda que o prefeito Gean Loureiro irá assinar um decreto nesta sexta-feira diminuindo o próprio salário em 30%, em 20% o do vice-prefeito e em 10% o de todos os secretários.

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