Servidores reclamam de truculência durante confusão na Câmara, mas consultor defende ação das tropas - Cidades - O Sol Diário
 
 

Pacotão do Gean25/01/2017 | 15h16Atualizada em 25/01/2017 | 18h47

Servidores reclamam de truculência durante confusão na Câmara, mas consultor defende ação das tropas

Servidores e as forças de segurança se enfrentaram duas vezes dentro e fora do prédio do Legislativo na tarde de terça-feira durante votação

Servidores reclamam de truculência durante confusão na Câmara, mas consultor defende ação das tropas Diorgenes Pandini/Agencia RBS
Servidores acompanharam a sessão em frente ao prédio da Câmara, no Centro da Capital Foto: Diorgenes Pandini / Agencia RBS

A confusão que deixou pelo menos 10 pessoas feridas na tarde desta terça-feira nos arredores da Câmara de Vereadores de Florianópolis abriu a discussão sobre o papel de cada lado durante o confronto ocorrido em meio à votação dos projetos que fazem parte do conhecido "pacotão" do prefeito Gean Loureiro (PMDB). Especialista em segurança ouvido pelo DC concorda com a ação das forças de segurança que faziam a segurança do prédio.

Assista aos vídeos da confusão:
Manifestação gera primeiro confronto
GMF usa gás de pimenta para conter servidores
Manifestantes jogam cadeiras sobre guardas municipais

Os desentendimentos iniciaram com bate-boca entre servidores e agentes da Guarda Municipal (GMF) e da Polícia Militar (PM) e terminou com spray de pimenta e balas de borracha. As diferentes versões dadas pelos dois lados para o começo da confusão resumem o dia de desentendimentos.

O Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal de Florianópolis (Sintrasem) alega que o confronto iniciou quando o áudio da transmissão da sessão, colocado do lado de fora do prédio para que os trabalhadores pudessem acompanhar a votação, foi cortado. O corte teria ocorrido momentos antes de ser votado o primeiro projeto, no começo da tarde. Descontentes com a atitude, os servidores foram para a porta do acessos inferior do prédio para protestar.

— Na hora que ia ser votado o primeiro projeto, tiraram o microfone, deixaram a turma às cegas. Aí houve um acirramento, a turma foi bater e pedir para reativar o som. Não entendemos o por quê, a Guarda chamou a PM, que abriu gás de pimenta e depois bomba de gás — alega o presidente do Sintrasem, Alex dos Santos.

Ao mesmo tempo, dentro da Câmara, outro confronto começou no mesmo momento. Santos argumenta que os servidores que estava dentro do prédio ouviram as bombas e ficaram agitados com o ocorrido.

— Ficamos indignados. Demos socos no vidro para pedir ao presidente ir lá interferir porque foi ele que chamou a PM. Então a Guardou soltou spray de pimenta lá dentro. Uma atitude bisonha. Jogaram uma cadeira no vidro para tentar abrir um buraco para o pessoal respirar — justifica o presidente.

Mais tarde, no começo da noite, houve nova confusão. Na rampa para o acesso superior, servidores jogaram cadeiras contra o grupo de GMF, protegido com escudos. Santos diz que esse confronto começou quando os agentes negaram o acesso a ele e outros dirigentes do sindicato ao prédio.

GMF e PM alegam "uso progressivo da força"

No lado oposto das discussões, a diretora da GMF, Maryanne de Mattos, dá versão diferente para os fatos. Ela afirma que a reação ocorreu de "forma gradativa, aumentando o uso progressivo da força para conter as agressões de alguns manifestantes". A diretora discorda do presidente do Sintrasem sobre o começo do confronto ocorrido no começo da tarde. Justifica a ação dos guardas por conta da tentativa dos servidores em invadir o prédio enquanto havia iniciado um desentendimento dentro do Legislativo.

—  Eu que solicitei o apoio do PPT (Pelotão de Patrulhamento Tático (PPT) porque eles (servidores) estavam batendo com paus e pedras para quebrar o vidro. Eles estavam com um vaso, iam jogar no vidro. Nesse momento fizemos a intervenção para afastar as pessoas — explicou Maryanne.

A diretora alega que o spray dentro do prédio foi preciso para evitar o aumento da confusão, já que a informação era de que ocorreria uma invasão:

— Chegou a informação de que teria invasão na parte externa e na mesma hora houve o agito interno. Foi preciso usar gás (de pimenta) para evacuar o prédio sem violência. É desagradável, mas ninguém sai ferido e dessa forma esvaziou o prédio.

No começo da noite, a GMF diz ter sido atacada pelos servidores enquanto tentava proteger o prédio na acesso ao piso superior. Maryanne afirma que os manifestantes passaram a jogar cadeiras e pedras.

O tenente-coronel Marcelo Pontes, comandante do 4º Batalhão da PM, apontou a ação do Choque como "proporcional e necessária" para restabelecer a ordem na Câmara de Vereadores:

– Recebemos o chamado da Guarda Municipal de que havia tentativa de invasão. Fomos recebidos com pedras e cadeiras. Usamos força moderada e devolvemos o prédio para a guarda.  

Consultor defende ação da PM e da GMF

Para o especialista em segurança Eugênio Moretzsohn, a ação das duas forças de segurança foi correta e seguiu os procedimentos previstos naquele tipo de situação:

— As imagens transmitidas pela RBS mostram a ação de contenção por parte das forças policiais envolvidas (PMSC e GMF), segundo as técnicas atuais de controle de tumulto. Infelizmente, nesses momentos, sempre alguém sai perdendo, e neste caso, acho que perdeu a cidade.

Moretzsohn pondera que "ninguém gosta, especialmente servidores que trabalham honestamente, de ser atingido por spray de pimenta, receber golpes de cassetete, empurrões e ouvir estrondos de bombas de efeito moral, e nada disso teria sido necessário se as pessoas, simplesmente, se comportassem com urbanidade, ainda que não satisfeitas com as medidas que estavam sendo votadas". O consultor justifica que "para resolver conflitos assim existe o Poder Judiciário".

— Não custa lembrar que os vereadores que estão lá foram eleitos pelas pessoas da cidade, inclusive muitos daqueles que protestaram — finalizou o especialista.

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