Ano letivo da rede estadual começa nesta segunda com cinco desafios importantes para o governo  - Cidades - O Sol Diário

Educação13/02/2017 | 06h51Atualizada em 13/02/2017 | 10h56

Ano letivo da rede estadual começa nesta segunda com cinco desafios importantes para o governo 

Implantação do modelo de ensino médio integral e a aplicação da Prova Brasil, um dos principais indicadores do Ideb, são alguns deles

Ano letivo da rede estadual começa nesta segunda com cinco desafios importantes para o governo  Diorgenes Pandini/Agencia RBS
Foto: Diorgenes Pandini / Agencia RBS
Cristian Edel Weiss
Cristian Edel Weiss

cristian.weiss@diario.com.br

O ano será decisivo para a educação básica de Santa Catarina. Primeiro, porque a principal novidade é a implantação do ensino médio em tempo integral, que flexibiliza o currículo do aluno e cujas aulas começam na quarta-feira em 16 escolas estaduais. Segundo, porque é ano de avaliação da Prova Brasil, um dos principais indicadores que compõem a nota do Índice da Educação Básica (Ideb) 2017. No último índice, divulgado no ano passado, o Estado teve o pior desempenho desde 2005, vindo em queda livre desde 2011.

No ensino fundamental, o principal desafio é retomar a liderança nacional nas séries finais (9º ano). Em 2013, data da última avaliação, houve um tropeço nesta fase e a consolidação do modelo de ensino nas séries iniciais (5º ano), cujas notas têm crescimento contínuo a cada Ideb, superando em 2015 a meta de 2019.

Para 2017, especialistas ouvidos pelo DC apontam os grandes pontos que merecem atenção na educação básica. Diretor de Inovação e Articulação do Instituto Ayrton Senna, Mozart Neves Ramos cita três grandes desafios para 2017 em Santa Catarina: transferir o bom índice e os ganhos de aprendizagem dos anos iniciais para os finais no ensino fundamental; estabelecer o modelo de escolas integrais e com jornada ampliada; e investir na capacitação do professor.
Para ilustrar o primeiro aspecto, Mozart cita o exemplo de Florianópolis, cujos índices de aprendizado nas séries iniciais (5º ano) são altíssimos, mas despencam nos anos finais (9º ano).

– É impressionante a ausência desses ganhos para os anos finais. Para os municípios, o foco é desenvolver um modelo de ensino fundamental 2 (anos finais) que possa aproveitar os inúmeros ganhos de aprendizagem dos anos iniciais para os finais. O que naturalmente vai impactar no próprio ensino médio.

Para isso, sugere Mozart, é necessário costurar a relação com o governo estadual, já que muitas escolas com as séries finais do ensino fundamental ainda são do Estado. Mas nem isso nem a consolidação do ensino médio integral ocorrerá sem valorização da carreira do professor, sugere o especialista. Professor da Udesc e pesquisador de ensino médio, Norberto Dallabrida concorda que um ponto crítico é tornar a carreira docente atrativa, que indique perspectivas de crescimento. Além disso, sugere que métodos de avaliação da performance dos professores sejam mais rigorosos.


– Como a carreira docente não é atrativa, as licenciaturas estão esvaziadas – afirma.

Em época de crise, com contenção de despesas e austeridade no setor público, Dallabrida diz que a única forma é estabelecer a educação como prioridade, a exemplo do que fez a Coreia do Sul, ainda arrasada, nos anos pós-Segunda Guerra Mundial.

Ensino médio é a maior preocupação

A aprovação da reforma do ensino médio pelo Senado na semana passada, que flexibiliza o currículo, dá incentivo a mais ao modelo que será aplicado a partir de quarta-feira no Estado. O foco é ampliar as oportunidades de formação, além do ensino das disciplinas tradicionais. Também desenvolverá nos estudantes valores e competências essenciais para o sucesso na vida pessoal e profissional, como colaboração e responsabilidade.


O modelo é inspirado no Colégio Estadual Chico Anysio, do Rio de Janeiro, que se destacou entre as melhores escolas públicas no Enem 2016. Segundo o presidente do Conselho Nacional de Educação e secretário de Estado da Educação, Eduardo Deschamps, os professores já passaram por capacitação, que será ampliada ao longo do ano. Os estudantes do novo modelo devem ser submetidos em março a uma avaliação, que também será aplicada a um conjunto de escolas que não são do regime integral, para estabelecer uma comparação do desempenho de aprendizagem. Ao final do ano, novas provas serão aplicadas.

– É uma cultura nova, mas estamos muito esperançosos de que este seja o grande primeiro passo para uma educação para o século 21 em Santa Catarina. A boa implementação será fundamental para que a gente coloque o ensino médio em outro patamar – acredita Mozart.

Cerimônia e palestras na manhã de hoje em Florianópolis darão a largada do novo sistema de ensino no Estado.

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