Ex-PMs acusados de participação no sumiço de 103 armas de batalhão em Joinville são condenados - Cidades - O Sol Diário

Julgamento15/02/2017 | 17h05Atualizada em 15/02/2017 | 17h50

Ex-PMs acusados de participação no sumiço de 103 armas de batalhão em Joinville são condenados

Armas desapareceram em maior número entre março e junho de 2012

Ex-PMs acusados de participação no sumiço de 103 armas de batalhão em Joinville são condenados Leo Munhoz/Agencia RBS
Um dos revólveres da Polícia Militar recuperado após o sumiço do batalhão Foto: Leo Munhoz / Agencia RBS

Quase cinco anos depois, a apuração do desaparecimento de mais de 100 revólveres do 8º Batalhão da Polícia Militar de Joinville chegou a um desfecho na Justiça. Em um julgamento militar realizado na última segunda-feira, dois ex-policiais militares foram condenados pelo crime de furto-peculato, previsto no Código Penal Militar para punir quem se vale da condição de militar ao praticar o delito.

O ex-cabo Ademir Tomelin recebeu pena de 6 anos, 10 meses e 27 dias de reclusão, enquanto o ex-soldado Jucemar da Silva Poleza foi sentenciado a 7 anos, 2 meses e 12 dias de reclusão. As condenações são em regime semiaberto, mas ambos poderão recorrer em liberdade. Eles ficaram presos preventivamente entre setembro de 2012 e maio de 2013. Os dois também responderam a processos administrativos e já foram expulsos da corporação. 

Além de determinar as condenações, a sentença da 5ª Vara Criminal da Capital (antiga auditoria da Justiça Militar) traz à tona detalhes sobre como 103 armas calibre .38 e 414 munições desapareceram de um dos maiores batalhões da PM no Estado. Conforme a investigação, Poleza atuava como armeiro do quartel, responsável pelo armazenamento dos revólveres, e facilitava a entrada de Tomelin ao local, que deveria ser de acesso restrito. 

 "O modus operandi empregado consistia em o soldado Poleza, armeiro, permitir o acesso do cabo Tomelin à reserva de armamento, sempre com uma mochila em que eram depositadas as armas e, posteriormente, subtraídas do interior daquela unidade policial", diz a denúncia do Ministério Público.

Segundo a apuração, que teve como base uma planilha controlada por armeiros do batalhão, as armas desapareceram em maior número entre os meses de março e junho de 2012. Eram revólveres considerados antigos, usados para o treinamento e instrução dos policiais, mas que chegaram a ser aproveitados durante a Operação Veraneio na temporada 2011/2012. 

Apenas nove revólveres foram recuperados, em ocorrências isoladas, após a descoberta do sumiço. A denúncia do Ministério Público aponta que o ex-cabo Ademir Tomelin chegou a contratar um primo para vender as armas. Cada revólver era comercializado a R$ 800,00, sendo pagos R$ 100,00 em comissão para o familiar. 

Em depoimento, pelo menos três testemunhas confirmaram que compraram revólveres por intermédio do primo do ex-policial militar. O parente do ex-PM também confirmou o esquema.

—As armas iam para o comércio ilegal. O mais grave é que a Polícia Militar, que luta para tirar as armas das ruas, teve de enfrentar criminosos com os próprios armamentos. Efetivamente se comprovou que os acusados subtraíam e repassavam os revólveres para pessoas que cometeram crimes — destacou à reportagem o promotor de justiça Wilson Paulo Mendonça Neto.

Policiais militares ouvidos em depoimento confirmaram que o único armeiro que permitia o acesso do ex-cabo Tomelin à reserva de armamento era o ex-soldado Poleza. Um soldado ouvido pela Justiça observou que, na época dos fatos, armas curtas eram colocadas numa gaveta e não havia muita organização na reserva de armamentos. Depois, disse, o procedimento foi melhor organizado. 

Ex-PMs negam participação no sumiço das armas

Os dois ex-policiais militares negam envolvimento no desaparecimento das armas. Interrogado, Ademir Tomelin afirmou que não tem boa relação com o primo citado na denúncia e alegou que foi injustamente incriminado pelo parente. Disse que frequentava a reserva de armamento apenas uma vez por mês para verificar a folha de pagamento. 

Também disse que esteve apenas duas vezes no local no mês de junho de 2012. Alegou ainda que jamais esteve na reserva de armamento com mochila. Em uma ocasião, afirmou o ex-cabo, entrou no local carregando cervejas em uma bolsa marrom e preta para presentear o ex-soldado Poleza.

Ao ser interrogado, Jucemar da Silva Poleza também negou participação no sumiço das armas. Em juízo, afirmou que o cabo Tomelin entrou na área de reserva de armamento em algumas oportunidades, mas sempre em sua presença. Em junho de 2012, disse Poleza, o ex-cabo Tomelin esteve no local cerca de 15 vezes para utilizar o computador. 

No entanto, Poleza apontou que o ex-cabo usava mochila e ficava sozinho no local em algumas oportunidades, como nas saídas dele para jantar e ir ao banheiro. Também em depoimento, disse que o ex-cabo Ademir Tomelin ficou sozinho na reserva de armamento na noite de 29 de junho de 2012, quando dois revólveres desapareceram, durante o momento em que ele jantava. 

O ex-soldado ainda afirmou que só recebeu duas caixas de cerveja do ex-cabo, levadas dentro de uma mochila preta. Em depoimento, Poleza afirmou que não tinha visão sobre a mochila, pois ela ficava no balcão, pelo lado de fora.

 

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