Homem que matou índio de 2 anos em Imbituba será julgado em março - Cidades - O Sol Diário

Júri popular03/02/2017 | 17h43Atualizada em 03/02/2017 | 19h56

Homem que matou índio de 2 anos em Imbituba será julgado em março

Criança foi degolada com estilete quando estava no colo da mãe em 2015

Ângela Bastos

Está marcado para 14 de março na Câmara de Vereadores de Imbituba o júri popular de Matheus de Ávila Silveira, 24 anos. Réu confesso, ele degolou o indiozinho Kaingang Vitor Pinto, 2 anos. O crime ocorreu em 30 dezembro de 2015, no momento em que o menino estava no colo da mãe, embaixo de uma árvore, próximos da rodoviária da cidade. 

Inicialmente, Matheus ficou detido na Unidade Prisional Avançada de Imbituba. Depois foi levado para o Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico, em Florianópolis. Teve diagnóstico de síndrome de Borderline, um transtorno de personalidade, e alegou à polícia ter praticado o crime por questões religiosas. Conforme depoimento ao delegado Raphael Giordani, de Imbituba, Teria sido orientado por uma entidade espiritual a sacrificar uma pessoa com grande repercussão. Isso abriria os caminhos e lhe traria notoriedade, inclusive, no campo profissional.

O processo tramita em segredo de Justiça. Matheus foi denunciado pelo Ministério Público por homicídio duplamente qualificado (por motivo torpe e mediante recurso que impossibilitou a defesa da vítima). O assassinato teve repercussão no país, especialmente por entidades que defendem os direitos dos índios. Jornais com sucursais no Brasil noticiaram o crime para outros países.

Mãe achou que aproximação era para fazer um carinho no filho

A arma do crime foi um estilete. Conforme Sônia da Silva, mãe da criança, ao ver que o homem se aproximava do rosto do menino ela pensou que ele iria fazer um carinho no filho. Seguindo a tradição, a família Kaingang tinha vindo da aldeia Condá, no Oeste do Estado, para vender artesanato no litoral catarinense. Naquela manhã quente, a mãe ficou com o pequeno descansando enquanto o pai se afastou para oferecer os cestos de vime em ruas próximas.

Na aldeia Condá, há muito expectativa com relação ao júri marcado para a partir das 9h30min de 14 de março. A comunidade está mobilizada e quer estar presente em Imbituba. O Departamento Jurídico do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) está tomando providências para que de alguma forma isso possa ocorrer. 

Comunidade se mobiliza para estar presente

Apesar dos indicativos de que a defesa tentará desconstruir a ideia de que foi um crime com motivação étnica, a família e lideranças questionam o motivo do assassino ter escolhido justamente uma criança índia. 

De acordo com o pai do menino, Arcelino Pinto, nada trará o filho de volta. Mas acredita que a presença dos Kaingang poderá ajudar que seja feita justiça. Além disso, reforçar junto aos não brancos que as famílias têm o direito de sair das aldeias com suas crianças sem que sejam vítimas de preconceito ou mesmo sacrificadas.


 

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