"Não vou ceder naquilo que inviabiliza o município", diz Gean após fim da greve em Florianópolis - Cidades - O Sol Diário
 
 

Fala, prefeito!23/02/2017 | 20h50Atualizada em 23/02/2017 | 21h54

"Não vou ceder naquilo que inviabiliza o município", diz Gean após fim da greve em Florianópolis

Prefeito diz que resistência vai garantir o pagamento em dia das contas 

"Não vou ceder naquilo que inviabiliza o município", diz Gean após fim da greve em Florianópolis Marco Favero/Agencia RBS
Prefeito diz que resistência vai garantir o pagamento em dia das contas  Foto: Marco Favero / Agencia RBS

Assim que terminou uma reunião para avaliar a decisão dos servidores de pôr um fim à greve de 38 dias, no fim da tarde desta quinta-feira, o prefeito Gean Loureiro se encaminhou para a concentração do bloco Enterro da Tristeza para entregar as chaves da cidade ao Rei Momo. Foi um ato simbólico. Gean estava mais leve, depois de mais de um mês de imensa pressão, com funcionários de braços cruzados e os serviços básicos, como saúde e educação, paralisados. 

O prefeito reafirma que cedeu apenas naquilo que poderia e defendeu sua atitude firme, apesar da paralisação com maior adesão da história da cidade. Leia abaixo os principais trechos da entrevista que ele concedeu ao Diário Catarinense. 

O senhor acredita que pode ter saído um pouco chamuscado politicamente da greve?
Acho que não. Primeiro porque eu aprovei todas as medidas que desejava implementar no pacote. Conseguimos vencer a primeira batalha, que foi a aprovação de todos os projetos. Foi o momento mais difícil. Eu tomei medidas para o desenvolvimento econômico da cidade: reorganização tributária, redução dos impostos e menos entraves burocráticos. Também vou reduzir a máquina pública com a reforma administrativa e a reavaliação de benefícios. Mas em um greve, todo mundo perde. Para um prefeito, ver a sociedade não ser atendida é terrível. Mas eu mostrei, diferentemente da administração anterior, que cedia em qualquer movimento de greve, que tenho responsabilidade com a gestão financeira. 

Qual foi o acordo que levou prefeitura e sindicato a um meio-termo?
Tivemos seis pontos principais, que eram os mais polêmicos. O primeiro foi o plano de cargos e salários. Já tínhamos aceitado flexibilizar, com a revogação das cláusulas financeiras sendo mantida. A única mudança é nós vamos encaminhar a programação financeira na data-base, no fim de maio. O segundo ponto eram as horas extras: o sindicato pressionou para manter em 100% no fim de semana e 50% nos dias úteis, mas foi mantido tudo em 50%. O terceiro ponto é o adicional por tempo de serviço. Já tínhamos encaminhado a proposta de um teto de 30% e só perder o direito com 10 dias de faltas. Mas flexibilizamos: ficou 30% para o quadro civil e 50% para o magistério e com um prazo de assiduidade de duas faltas não justificadas. Quarto ponto: ficou proibido qualquer tipo de incorporação na ativa. O que ficou flexibilizado foram as gratificações inerentes ao cargo, que poderão ir para a aposentadoria. Quinto ponto: a licença-prêmio, que era uma questão de honra para o sindicato, conseguimos extinguir. Em troca, criamos a licença-capacitação, com metade do tempo anterior (de 90 para 45 dias). O único ponto que nós voltamos atrás foi o adicional noturno, que era o de menor impacto financeiro, R$ 280 mil ao ano. Vimos que atingiria em cheio os coveiros e motoristas do Samu, os menores salários. Foi até bom ceder para mantê-los nos quadros.

Essa foi a greve com mais adesão da história dos servidores. O senhor esperava uma reação tão forte da categoria quando enviou o pacotão para Câmara?
Isso é normal. Claro que teve um ingrediente político por eu ser do PMDB com um vice do PSDB. A discussão foi nacional, com a presença da direção nacional da CUT  e presidenciáveis de partidos se manifestando a favor da greve. Mas tudo isso também é fruto de uma série de mentiras que foram trazidas pelo sindicato. Por que o movimento enfraqueceu? O  tempo começou a mostrar que não era verdade aquilo que eles diziam, como por exemplo, que iam perder 75% da remuneração, que ia acabar a dedicação exclusiva, que ia acabar a hora-atividade. Os servidores começaram a ver que aquilo não era verdade.

O novo projeto vai tramitar em regime de urgência?
Sim, vamos encaminhar em regime de urgência. A Câmara tem maturidade para fazer uma tramitação célere, diante desse acordo.  

E como se dará a recuperação das horas não trabalhadas?
O secretário da Saúde já vem fazendo uma programação, conversando com os com os chefes de unidade e os grevistas. Essa programação vai ser anunciada em breve. A Assistência Social vem tratando da mesma forma. 

E o calendário letivo?
Na Educação, em função daquela ação do Ministério Público, a gente precisa definir antes para apresentar ao promotor o calendário da reposição. Mas as aulas recomeçam nesta sexta-feira.

Como o senhor se sente depois desses 38 dias?
Estou satisfeito com o fim da greve, mais ainda por ter conseguido resistir e não ceder. Às vezes, é tanta pressão em cima de um prefeito que ele acaba cedendo naquilo que não pode cumprir. Acho que essa resistência valeu muito para manter as contas da prefeitura em dia. 

Para o futuro, essa resistência que o senhor citou envia um recado para o sindicato em relação a greves?
Não é recado. Eles sabem o perfil do prefeito que estão lidando. Sou um cara que cede naquilo que tem viabilidade financeira, mas não vou ceder naquilo que inviabiliza o município. Tenho uma responsabilidade com os próprios servidores, que é pagar o salário deles. 

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