Secretárias das escolas de Florianópolis se recusam a voltar ao trabalho como terceirizadas  - Cidades - O Sol Diário

Educação03/02/2017 | 18h55Atualizada em 03/02/2017 | 20h27

Secretárias das escolas de Florianópolis se recusam a voltar ao trabalho como terceirizadas 

Profissionais reclamam que perderão benefícios e não poderão assinar documentos oficiais no regime terceirizado 

O impasse na rede municipal de ensino de Florianópolis continua. Nesta sexta-feira, o secretário de Educação se reuniu com as secretárias de escolas demitidas após a reforma administrativa. Maurício Pereira foi informado que as profissionais se recusam a voltar ao trabalho de forma terceirizada.

No dia 30 de janeiro, 21 secretárias foram exoneradas. Uma das leis do 'pacotão' aprovada na Câmara de Vereadores prevê que apenas funcionários de carreira poderiam seguir na função, e elas era contratadas como cargo comissionado – por indicação. O objetivo da prefeitura era valorizar profissionais da comunidade escolar. No entanto, há secretárias com décadas de casa e sem qualquer envolvimento político.

— Eu já estou matriculando os filhos dos alunos que eu matriculei no passado — conta a secretária Mirian Olindina Goes, 46 anos, 23 deles na escola Padre João Alfredo Rohr, no Córrego Grande.

Ela reclama que, com a mudança de regime, o salário irá se manter o mesmo, R$ 1560, mas irá perder os planos de saúde e odontológico e o seguro de vida. Mas além desse prejuízo, há um problema burocrático.

— Uma pessoa terceirizada não pode assinar documento público, já começa aí o erro deles. Eu sou a segunda pessoa a responder pela escola, então eu assino histórico, transferência, atestado de frequência — explica.

Outro ponto levantando pelas secretárias é com relação ao período de experiência. O medo delas é que, terminado o contrato de 3 meses, sejam demitidas novamente.

No final da tarde, Maurício Pereira se reuniu com o prefeito Gean Loureiro para resolver a situação. Conforme o secretário, três dos 21 casos já foram resolvidos. E na segunda-feira será tomada uma decisão final.

— Uma desistiu. Outras duas vagas já foi definido pelas escolas que serão preenchidas função gratificada por indicação do diretor. E as profissionais que optarem por serem contratadas como terceirizada, é só procurar a Secretaria que a vaga está garantida.

As escolas municipais de Florianópolis estão fechadas. A prefeitura alterou o período de matrículas para 06 a 10 de fevereiro. Mas segundo a Secretaria de Educação, não há relação entre a mudança do prazo e as demissões.

Durante a campanha, Gean garantiu que profissionais não seriam demitidas

Enquanto era candidato a prefeito, Gean Loureiro divulgou uma mensagem nas redes sociais direcionada às secretárias das unidades educacionais da prefeitura, em especial das creches e escolas de ensino fundamental. Ele disse que circulavam boatos que, em sua futura administração, iria exonerar todas as secretárias.

— Isso não é verdade, nós vamos manter e, mais do que isso, vamos valorizar. Nós sabemos que as secretárias são importantíssimas nesse trabalho nas unidade de educação (...) Nosso compromisso é com os servidores da educação — afirmou.

Ano letivo pode não começar em função da greve

O magistério de Florianópolis está em férias, mas os demais servidores estão em greve desde 17 de janeiro. Eles cobram a revogação de outra lei do "pacotão" aprovada na Câmara: a que altera o estatuto do servidores. Uma nova assembleia está marcada para 07 de fevereiro, um dia antes do ano letivo começar.

A intenção do sindicato da categoria (Sintrasem) é de que neste dia o quadro do magistério engrosse a paralisação com cerca de 5 mil funcionários. Ou seja, o ano letivo pode não começar. O secretário de Educação afirma que está buscando reuniões com diretores de escolas, mas alguns não participam.

— A greve já foi declarada como ilegal por parte da Justiça. Eu sou homem público, eu tenho que seguir a lei. Se a greve é ilegal, as minhas ações permanecem iguais. Todo o nosso trabalho é pensando que as aulas vão começar no dia 08 — afirma Maurício Pereira.

 

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