Infrações nas carnes abalam credibilidade e há risco de SC perder mercados  - Cidades - O Sol Diário

Estela Benetti17/03/2017 | 19h41Atualizada em 18/03/2017 | 19h21

Infrações nas carnes abalam credibilidade e há risco de SC perder mercados 

É lamentável que alguns fiscais sanitários e executivos corruptos de agroindústrias, para ganhar um pouco mais, infrinjam normas de sanidade, coloquem em risco a saúde das pessoas e o mercado internacional tão arduamente conquistado. Problemas apurados pela Operação Carne Fraca, como uso de carne vencida e de produtos químicos que fazem mal à saúde nos Estados do Paraná, Goiás e Minas Gerais, precisam ser apurados com rigor, e os culpados, punidos. 

SC está envolvida diretamente nesse escândalo e o dinâmico e competitivo setor agroindustrial de carnes ficou sob risco de perder mercado no Brasil e exterior. Além da forte presença em todos os lares brasileiros, os produtos catarinenses estão em mais de 150 países.

O risco é que a partir de segunda-feira grandes importadores possam iniciar uma série de cancelamentos de compras em função dos problemas revelados. Isso já aconteceu com suspeita de ocorrência de doenças em outros Estados anos atrás. SC conta com status sanitário diferenciado. É o único livre de aftosa sem vacinação, por isso é habilitado para exportar carne suína ao Japão e aos EUA. 

Para conquistar isso, o Estado fez um esforço coletivo de quase 20 anos. Apesar das carnes exportadas passarem por fiscalização e a maioria não ser industrializada, esse patrimônio está ameaçado agora, justamente quando o setor de alimentos vem se destacando como um dos primeiros a crescer e ajudar na saída da recessão.  

Vale lembrar que esses corruptos estão derrubando uma credibilidade de agroindústrias conquistada durante décadas. Esse trabalho foi iniciado há 83 anos pela Perdigão, há 73 anos pela Sadia e há 62 anos pela Seara no Oeste catarinense. A região foi o berço dessa competente agroindústria que ajuda a alimentar o Brasil e o mundo com proteína de qualidade a preços acessíveis. Nas últimas décadas, a tecnologia e a genética permitiram grande oferta de carnes de frango e suíno por preço acessível no mundo. O Brasil seguirá como um dos principais provedores desse alimento pela sua capacidade produtiva e condições naturais de água, clima e solo.

A propósito, esse episódio vai ajudar a projetar outras marcas não citadas no escândalo. A quarta maior do país em frangos e suínos é a Aurora, do Oeste de SC, que tem como donos cerca de 70 mil famílias associadas de cooperativas agropecuárias. 

Após esse escândalo, os órgãos responsáveis pela sanidade precisam reforçar a fiscalização. É fundamental que todos colaborem para denunciar, apurar e punir qualquer irregularidade. Só assim é possível ter confiança para consumir alimentos.

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