Pelo menos um gari se feriu a cada três dias com lixo descartado de forma errada em SC em 2016 - Cidades - O Sol Diário

Conscientização15/03/2017 | 07h02Atualizada em 15/03/2017 | 08h18

Pelo menos um gari se feriu a cada três dias com lixo descartado de forma errada em SC em 2016

Vidros quebrados sem proteção e restos de frutos do mar como cascas de siri estão entre os principais causadores de cortes nos trabalhadores

Pelo menos um gari se feriu a cada três dias com lixo descartado de forma errada em SC em 2016 Cristiano Estrela/Agencia RBS
Dabney Vieira cortou a perna há dois meses com um fundo de garrafa quebrada e ainda sente dor para correr Foto: Cristiano Estrela / Agencia RBS

Às vésperas do último Natal, o gari Dabney Vieira sofreu um acidente de trabalho ao realizar a coleta de lixo nas ruas do bairro Monte Verde, em Florianópolis. Um fundo de garrafa de cerveja quebrada descartado em sacola plástica sem proteção alguma lhe rendeu um corte profundo na perna direita, que precisou de oito pontos e exigiu 15 dias de repouso em plena época de festas de fim de ano. 

O trabalhador faz parte de uma estatística que pode ser mudada com a disseminação de informação: somente na Companhia de Melhoramentos da Capital (Comcap) e na Ambiental Limpeza Urbana e Saneamento Ltda., de Joinville, duas das maiores empresas de recolhimento de lixo do Estado, no ano passado pelo menos um acidente a cada três dias foi registrado em decorrência do descarte indevido.

Dois meses depois do acidente, Vieira ainda sente dormência na perna ao correr. Com 24 anos de casa, ele é um dos funcionários mais experientes da Comcap e afirma ver este tipo de problema com frequência. O último há duas semanas, quando o colega Ismael Wellington Daniel cortou o joelho com um gargalo de garrafa e precisou de 10 pontos.

– Meu acidente foi em um beco sem saída, os moradores colocam o lixo para coleta no pé de uma escadaria. Quando ergui um saco de lixo ele raspou na minha perna. No momento nem notei, um amigo me alertou e vi o sangue escorrendo — relembra.

Agora, Viera toma ainda mais cuidado ao recolher o lixo e quando encontra algum vidro acondicionado de forma errada, procura conversar pessoalmente com os moradores explicando os perigos que a atitude acarreta aos trabalhadores.

Somente no ano passado, a Comcap registrou 242 acidentes de trabalho, resultando em 1,8 mil dias de trabalho perdidos pelo afastamento de colaboradores que sofreram danos à saúde. Entre os acidentes, 51 foram consequência do mau acondicionamento dos resíduos, como vidro, agulhas e lixo orgânico. No litoral, os restos de frutos do mar, como cascas de siri, ostras, mariscos, cabeças de camarão e espinhas de peixe estão entre os principais itens provocadores de lesões quando mal descartados.

Em Joinville, o número também é alto, foram 25 acidentes em 2016 ocasionados pelo comportamento inadequado dos cidadãos, 12 casos com vidros e 13 com agulhas. Em São José, chama atenção o alto número de acidentes com agulhas: sete ao longo do ano passado. Os dados são da Ambiental, empresa que atua na coleta de lixo de nove cidades catarinenses, entre a Grande Florianópolis e o Norte de SC.

Campanha para conscientização

A gerente da Divisão de Segurança e Medicina do Trabalho da Comcap, Cléria Winck Dias, ressalta que os acidentes acarretam problemas para saúde do gari e toda a equipe de trabalhadores, que acaba sobrecarregada para compensar a ausência do colega.

– As pessoas precisam ter a noção de que por trás da coleta existe um ser humano, a maioria deles é pai de família, que acaba tendo danos à saúde e ficando afastado do trabalho, tudo por causa do lixo jogado fora de maneira errada – diz.

Para Cléria, o tipo de material que causa mais receio dos trabalhadores da coleta de lixo são as seringas, já que há o temor que possam transmitir alguma doença. Ela orienta que a forma ideal de descarte é levar o material até uma unidade de saúde, para que seja enviado ao aterro sanitário junto com o lixo hospitalar. Se essa forma não for possível, a orientação é colocá-las em uma garrafa pet e lacrar.

Para prevenir novos acidentes, Cléria explica que a equipe de medicina no trabalho iniciou um projeto para promover a conscientização dos cidadãos. Desde o ano passado, quando o endereço da lixeira onde ocorreu o acidente é anotado, a equipe visita o local para conversar e ensinar aos moradores a maneira correta de realizar o descarte.

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