Projeto de lei propõe liberar uso do celular em sala de aula em SC - Cidades - O Sol Diário

Reforço ou distração?10/03/2017 | 06h01Atualizada em 10/03/2017 | 10h12

Projeto de lei propõe liberar uso do celular em sala de aula em SC

Lei em tramitação quer autorizar uso para fins pedagógicos. Atualmente uma lei proíbe o uso do aparelho em escolas catarinenses

Projeto de lei propõe liberar uso do celular em sala de aula em SC Betina Humeres/Agencia RBS
No Colégio Energia, smartphones ajudam na utilização de óculos de realidade virtual Foto: Betina Humeres / Agencia RBS

Os alunos chegam na sala de aula e deixam os celulares desligados e longe dos ágeis dedos para evitar a distração. Quando o professor começa a explicar sobre cartografia pede que os estudantes peguem os aparelhos, abram o Google Maps e explica os conceitos na prática. Ao discutir um livro de Machado de Assis, a tarefa é um vídeo feito todo em celular com uma releitura do clássico. Esses exemplos do uso do smartphone estão longe de ser novidade em algumas escolas catarinenses, mas devem ser ainda mais replicados daqui para frente, já que um projeto de lei em tramitação na Alesc autoriza o uso do aparelho em sala de aula para fins pedagógicos. Atualmente uma lei estadual proíbe os celulares nas salas de aula catarinenses. 

O diretor de tecnologias educacionais da Secretaria de Educação de SC, Diego Calegari, reforça que essa lei, de 2008, é de uma época que os aparelhos não tinham tanta funcionalidades e por isso precisa ser revista:

— A gente vê com muitos bons olhos essa iniciativa [de alteração da lei], porque o celular é uma ferramenta fantástica. É uma câmera, é uma filmadora, é gravador de voz, é acesso a repertório de conteúdos da internet, a gente está falando de um instrumento que tem um potencial pedagógico enorme.

Porém Calegari reforça que o uso do aparelho seria restrito e que cada escola definiria no seu projeto político-pedagógico de que forma usar a tecnologia a seu favor. 

A professora do Observatório de Prática Escolares da Udesc, Geovana Mendonça Lunardi Mendes, defende que o celular, assim como outros equipamentos tecnológicos, tem um excelente potencial pedagógico e em vários países do mundo o uso é recorrente e produtivo:

— Há muito preconceito social e desconhecimento de como os jovens pensam e agem. Se a aula é interessante, pertinente e bem construída a participação e concentração dos alunos é decorrência — observa. 

Em boa parte das instituições privadas o celular já faz parte da rotina. Na escola Dinâmica, em Florianópolis, os alunos deixam os aparelhos em painéis e só retiram quando o professor solicita para atividades. Os alunos, inclusive os menores, têm acesso a espaços com tablets para dar continuidade a conteúdos das aulas, fazer pesquisas e acessar materiais complementares, como vídeos e áudios: 

— Não tem como pensarmos a tecnologia longe do espaço educacional, sendo que as crianças já chegam no berçário com o olhar tecnológico, onde veem um celular, um tablet e já vêm com o dedo para passar a foto ou abrir alguma janela. A criança já está inserida neste meio e o ambiente escolar não pode ficar para trás — destaca a coordenadora da educação infantil da escola, Gisele Goedert.

Com uso restrito e apenas quando autorizado pelos professores, o celular também é uma ferramenta dos alunos do Colégio Energia, em Florianópolis. Atividades e materiais de aula estão a um clique. Nas aulas de inglês, por exemplo, alunos conectam o aparelho em um óculos 3D e, através da realidade virtual, aprendem o idioma, seja com filmes, imagens ou jogos. Nem os pais escapam das informações pelos smartphones. 

— A gente não tem mais agenda física, os relatórios, todas as atividades são encaminhadas diretamente para o celular dos pais. Tem até a localização para saber se o pai está chegando perto da escola — conta a pedagoga da unidade, Lorena Xavier. 

Por dentro     

Projeto de Lei 0198.8/2016, do deputado estadual Antonio Aguiar (PMDB), altera lei n. 14.636/2008, que proíbe uso de telefone celular nas escolas de Santa Catarina. O projeto autoriza o uso para fins pedagógicos. 

Escolas públicas driblam dificuldades para inserir a tecnologia em aula

Nas escolas públicas catarinenses o uso do celular é mais incipiente, tanto pela lei estadual que proíbe como pela estrutura das próprias unidades, com acesso restrito a internet e falta de formação dos professores. Mas alguns docentes conseguem driblar essas dificuldades com muita criatividade. Foi o caso da professora de geografia Josi Zanette do Canto, que em 2015 desenvolveu um aplicativo sobre o continente europeu com um grupo de alunos do 9º ano da escola Bernardino Sena Campos, em Araranguá: 

— Tinha poucos livros e todo mundo tinha celular, então a gente criou um aplicativo. Foi uma coisa bem simples, a gente só organizou o conteúdo do semestre em uma plataforma online gratuita para que todo mundo pudesse acessar e ter o conteúdo por meio do aparelho. A utilização do celular de forma pedagógica é uma coisa comum, às vezes a escola não tem o recurso necessário, mas o aluno já tem — defende. 

Ela cita que a alternativa também resolveu o problema da distração em sala de aula:

— A gente mudou o foco, usou o celular para chamar a atenção. A tecnologia naquele instante vai se transformar num chamariz, vai fazer o aluno parar o que está fazendo e prestar atenção. Então, a partir da prática pedagógica, a tecnologia fica de lado e a aprendizagem se sobressai — reforça Josi.  

Nos dias 14 e 15 deste mês, os profissionais dos núcleos de tecnologia educacional da secretaria de Educação de SC irão passar por um curso de formação em Florianópolis e um dos temas será o uso responsável do celular em sala de aula.

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