SC é o segundo Estado com maior número de coworkings no Brasil - Cidades - O Sol Diário

Tecnologia04/03/2017 | 03h00Atualizada em 04/03/2017 | 03h00

SC é o segundo Estado com maior número de coworkings no Brasil

Já são 40 espaços de trabalho compartilhado, atrás apenas de São Paulo, conforme levantamento da UFSC

SC é o segundo Estado com maior número de coworkings no Brasil Felipe Carneiro/Agencia RBS
Thiago Dorini no Impact Hub, em Florianópolis Foto: Felipe Carneiro / Agencia RBS

Em 2015, o arquiteto catarinense Thiago Dorini, 30, já acumulava 10 anos de atividades em um escritório em Florianópolis. Quando começou a receber demandas de empresas que queriam transformar completamente o espaço de trabalho, ele repensou a própria estrutura, que ainda abrigava outros três funcionários. Foi neste momento que transferiu a equipe para um espaço coworking  na capital catarinense, que junto de pelo menos outras seis cidades concentram 40 áreas de trabalho compartilhado — segundo maior número do país — e incrementam o ecossistema de inovação em Santa Catarina.

Dorini lembra que a mudança foi influenciada pelas experiências de grandes empresas do Vale do Silício (Estados Unidos), como o Google e o Facebook, que apostam em ambientes abertos, horizontais e coloridos. 

— Tínhamos um ambiente de trabalho criativo, mas não estávamos acostumados a projetar dessa maneira. Ao começar, foi meio que inevitável: passamos a questionar o nosso próprio modelo de trabalho. Ficamos enciumados porque queríamos isso para nós. Então esquecemos a lógica tradicional e passamos a dividir o ambiente com outras empresas — lembra.

Quanto ao custo operacional, ele afirma que a mudança não gerou redução de despesas, o ganho é com a manutenção e com o que o espaço oferece. 

_ A questão não é o custo, até porque alugamos uma mesa, que é praticamente o valor de uma sala. Vai além disso, o ambiente é muito estimulante. Você também deixa de ter incomodações comuns a qualquer escritório, como faxineira e manutenção em geral _ diz. 

Pesquisadora do projeto Habitats de Inovação e Empreendedorismo da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), a professora Clarissa Teixeira lembra que o Estado vem logo atrás de São Paulo na locação de postos de trabalho proporcionada pelos coworkings. 

— Em SC esta área está crescendo muito, principalmente fora da Capital. Este ano a gente já vê vários lançamentos, como em Criciúma e Blumenau. É um movimento que começa, principalmente, nos grandes polos e vai se espalhando como se fosse um hub [concentrador] de acordo com a necessidade de cada região. O coworking é uma das primeiras sementes dos habitats de inovação — conceitua a pesquisadora do VIA

Espaço propicia troca de boas ideias, segundo os frequentadores Foto: Diorgenes Pandini / Agencia RBS

Geração de valor

Além da colaboração entre pessoas que atuam em diversas áreas e que estão alojadas em espaços coworking, Thiago Dorini valoriza o networking possível nessas estruturas compartilhadas. Na maioria delas, é possível alugar uma cadeira, uma mesa ou uma sala de reuniões. Para isso, paga-se uma mensalidade que inclui a permanência e outros encargos, como internet, café e limpeza. 

— O ambiente é muito estimulante. O espaço também é fértil, tanto para conhecer outro empreendedor e montar um negócio junto, quanto participar de outros negócios. Mas confesso que logo no começo estranhei um pouco. Você vai tateando o espaço, entendo graus de liberdade, como se aproximar das pessoas, e aí entram os eventos que facilitam todo esse processo — explica. 

Proporcionar o conhecimento entre coworkers por meio de ações específicas e constantes é o desafio dos espaços de trabalho compartilhado, segundo Gabriela Werner, que é a CEO da rede mundial de coworking Impact Hub em Santa Catarina. Ela reconhece que nos últimos anos muitos deles fecharam as portas tão logo abriram, embora outros se mantenham e estejam até abrindo novas sedes, como o que ela gerencia. Superada a dificuldade de encontrar um modelo de negócio rentável, ela encara essa estrutura como uma tendência mundial. 

— O que tem gerado valor é a oportunidade de negócios, que acontece quando o espaço facilita isso (com copa compartilhada e lounge grande, por exemplo), mas também com uma série de eventos e encontros programados. Há um crescimento exponencial desse tipo de espaço no mundo, tanto dentro das próprias empresas, que rearquitetam escritórios com menos paredes, quanto em espaços compartilhados. O que as pessoas esperam do espaço de trabalho mudou radicalmente  — revela a responsável pela conexão de 220 coworkers.

""É uma coisa meio caótica que funciona", avalia o representante da Acate sobre os coworkings Foto: Diorgenes Pandini / Agencia RBS

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Como se dá a colaboração nestes espaços?

É a filosofia do balcão de bar. Se cada um está na sua mesinha no bar, vai ficar lá. Quando você está em um balcão, depois do segundo chope, você já está entrando na conversa do outro. É isso que acontece no coworking. Não existe e não deve existir uma regra. É algo totalmente orgânico, natural, e vai fluindo. Tem o networking, que é fundamental. Você vai num dia, conhece uma pessoa, essa pessoa traz outra pessoa, vocês vão conversando. Aí você vê que uma delas entende do que você está precisando. É uma coisa meio caótica que funciona.

Além de pessoas abertas às trocas, qual é a infraestrutura necessária para que o espaço funcione bem?

Precisa ter um projeto arquitetônico que incentive a criatividade. Se você botar uma sala de aula tradicional com as pessoas lá dentro, não vai funcionar. Precisa ter circulação. Também precisa de infraestrutura de ar-condicionado, internet. Também precisa ter café. 

Por que esse ambiente de trabalho dialoga tão bem com empresas de tecnologia?

Porque a tecnologia é uma área muito dinâmica. É aplicada em múltiplas áreas profissionais de trabalho. Então esse dinamismo do ambiente combina muito com a área de tecnologia. Você não pode tratar uma empresa inovadora como uma empresa tradicional. O que existe agora é o movimento inverso: essas empresas tradicionais vindo para o perfil dessas startups. Esse espaço que nós estamos abrindo vai focar justamente nisso. A gente está chamando de um laboratório de inovação aberta. Vamos atrair grandes empresas, mas empresas grandes mesmos, tradicionais até, que precisam inovar e não querem inovar dentro da sua própria parede, mas usar esse ecossistema que está borbulhando para inovar para ela.

A UFSC tem um mapeamento que mostra 40 coworkings em SC. Você enxerga crescimento?

Se você fosse fazer esse mapeamento no início do ano passado, teriam 10. Está crescendo drasticamente. Estive em São Paulo no ano passado visitando vários coworkings. Cada coworking que eu ia visitar tinha um plano de abrir 10 filiais. Porque é um bom negócio. É um espaço barato para as pessoas. Vai de R$ 500 a R$ 5 mil por mês. E tem uma série de facilidades, que se torna melhor do que alugar uma sala comercial, que pressupõe contrato, fiador, multa em caso de desistência etc.

Também deve haver lado negativo, né? Qual é?

Mas não é só maravilhas. É muita gente trabalhando, muita gente conversando. Não é um ambiente silencioso. Por mais que as pessoas tentem ser, não é. Então quem precisa de trabalho de muita concentração, talvez não goste. Há um burburinho, porque há uma rotatividade de pessoas muito grande, então exige uma convivência harmônica. Apesar de, se você visitar uma empresa de tecnologia hoje, vai ver que é tudo aberto.

COWORKING EM NÚMEROS

Comparativo com o número de coworkings nos Estados que mais concentram esses espaços no país:

1) São Paulo: 186
2) Santa Catarina e Rio de Janeiro: 40 cada
3) Minas Gerais: 34

Número atualizado de habitats de inovação em SC

Espaços coworking: 40
Cidades inteligentes/criativas: 3
Polo de Inovação/tecnologia: 12
Parques: 7
Aceleradoras: 3
Incubadoras: 25
Pré-Incubadora: 2
Coworking: 40
Fablab: 6
NIT: 16

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