"A situação não é rotineira, é anômala", diz ex-comandante-geral da PM em Santa Catarina - Cidades - O Sol Diário

VIOLÊNCIA26/04/2017 | 19h57Atualizada em 26/04/2017 | 19h57

"A situação não é rotineira, é anômala", diz ex-comandante-geral da PM em Santa Catarina

Hoje na reserva da Polícia Militar, coronel Nazareno Marcineiro vê cenário de violência no Estado e em Florianópolis com preocupação

"A situação não é rotineira, é anômala", diz ex-comandante-geral da PM em Santa Catarina Daniel Conzi/Agencia RBS
Foto: Daniel Conzi / Agencia RBS

À frente do comando-geral da Polícia Militar de Santa Catarina entre janeiro de 2011 e maio de 2014, o coronel Nazareno Marcineiro enfrentou duas ondas de atentados liderados por uma facção criminosa com origem em Santa Catarina. Após a passagem pelo maior cargo da PM em SC, Nazareno ainda comandou a Força Nacional de Segurança por mais seis meses. 

Hoje na reserva, Nazareno reconhece que já não acompanha os bastidores da segurança pública no Estado, mas diz ter preocupação com o cenário de violência e defende ações a partir de medidas estruturadas para enfrentar a criminalidade.

Como o senhor tem acompanhado a escalada de homicídios e violência?

Com bastante preocupação. Acredito que as pessoas que são responsáveis estejam preocupadas também. A situação não é rotineira, é anômala. E, como uma anomalia, ela tem de ser tratada, precisa se dar um jeito de estancar isto. O jeito de estancar segue duas frentes complementares. Primeiro, uma intervenção mais estruturada nas comunidades onde essas pessoas vivem. E outra, com uma ação de inteligência estruturada de reação, de busca da prisão dessas pessoas. Não deixar surgir novos casos e tirar os casos que estão em circulação. 

Na sua época de comando, não era tão comum o confronto de facções. O que mudou na forma de fazer segurança?

Cada vez mais, o sistema de inteligência precisa estar agindo. Como isto está se desenvolvendo? Este conflito tem sido estimulado ou desacreditado, coibido? Se for pelo mesmo padrão cultural que eles estabelecem, do conflito armado, isto certamente vai gerar um crescente de forças dos dois lados. E vai acabar virando aquilo que hoje a gente vê no Rio de Janeiro que, a gente sabe, chegou a esse estágio por negligência. O conflito foi negligenciado, potencializado e hoje está no estágio que está nos outros lugares. Mas acredito que as autoridades estejam engajadas em evitar que o futuro esteja pior do que o presente.

O senhor fala em negligência. Quem errou nesse conjunto?

A polícia é um ente que lida hoje prioritariamente com a reação. Mas tem uma série de fatores no plano da prevenção que não são de responsabilidade da polícia. Ainda assim, a polícia é um dos entes da construção desse resultado desejado. Vários outros segmentos da sociedade e do governo precisam estar comprometidos com isso.

Os ataques de terça-feira seriam uma represália às ações policiais...

Mas isto não pode, de forma alguma, intimidar a ação da polícia. Tem que fazer isto sistematicamente, independente de interpretações, principalmente interpretação vindo do segmento desajustado socialmente. Não há que ceder. Tem de continuar com firmeza atuando na reação inteligente à prática de crimes. Uma postura firme, determinada, legal de coação a esse tipo de comportamento. Ao mesmo tempo, um procedimento estruturado, de resgate dos eventuais futuros criminosos. 

A letalidade da polícia nesses enfrentamentos gera preocupação?

Sempre fui um defensor de que as ações estruturadas da polícia reduziam bastante o número da letalidade violenta. Mas as forças de segurança do Estado não podem se intimidar com a situação de violência do outro lado. Tem de usar a força necessária para coibir. Se este enfrentamento resultar em morte, que esta morte não seja das forças legalmente constituídas. 

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