Entenda as negociações entre Colombo e Odebrecht envolvendo R$17,1 milhões, relatadas por delatores - Cidades - O Sol Diário

Lista de Fachin13/04/2017 | 10h17Atualizada em 13/04/2017 | 17h20

Entenda as negociações entre Colombo e Odebrecht envolvendo R$17,1 milhões, relatadas por delatores

Delação de ex-diretores da empreiteira revela que governador e aliados do PSD teriam pedido dinheiro de caixa 2 para campanha

Entenda as negociações entre Colombo e Odebrecht envolvendo R$17,1 milhões, relatadas por delatores Felipe Carneiro/Agencia RBS
Foto: Felipe Carneiro / Agencia RBS
upiara boschi
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Pouco mais de um ano depois do vazamento das planilhas da Odebrecht que pela primeira vez colocaram o nome do governador Raimundo Colombo ( PSD) no âmbito da Operação Lava-Jato, o fim do sigilo sobre as delações de dois ex- executivos da empreiteira, na tarde de ontem, traz à tona a citação de que o catarinense e correligionários teriam pedido R$ 17,1 milhões para financiar o caixa 2 das campanhas eleitorais dele e de aliados em 2010, 2012 e 2014. 

Entenda o que pesa contra e o que dizem os catarinenses citados na lista

Os relatos de Fernando Reis e Paulo Welzel, ambos diretores da Odebrecht Ambiental, apontam para o início da relação entre Colombo e a empreiteira ainda em 2010, quando o catarinense era senador e disputaria pela primeira vez o governo estadual. O ponto em comum: o projeto de venda de parte das ações da Casan, alvo da empreiteira.

O primeiro encontro teria acontecido no apartamento funcional que o então senador Raimundo Colombo, ainda filiado ao DEM, ocupava em Brasília. O jantar com Reis teria sido intermediado por Ênio Branco, antigo aliado de Colombo e que seria depois nomeado para a presidência da SC Parcerias. O catarinense teria defendido um novo modelo para o saneamento no Estado, com participação privada. 

A segunda vez teria como cenário o aeroporto de Congonhas, em São Paulo, na sala vip do HSBC, quando Colombo e Branco conversaram com Reis e Welzel. O senador teria falado como candidato a governador e defendido uma gestão alinhada com a iniciativa privada nas áreas de saneamento e energia – citando a possibilidade de vender a Casan. Antes do encontro, por telefone, Branco já teria pedido a Reis R$ 2 milhões para a campanha de Colombo ressaltando "preferir não ter a empresa como doadora oficial". 

O acerto teria sido fechado no terceiro encontro, também com participação de Colombo, em um hotel em São Paulo. É nesse momento que o catarinense ganha o codinome Ovo nas planilhas da Odebrecht. Depois da vitória de Colombo ainda em primeiro turno, a empreiteira acompanhou de perto as mudanças na legislação realizadas por sua gestão para permitir que 49% das ações da Casan fossem vendidas a um parceiro privado – o que acontece em setembro de 2011.

Operação não se concretizou

Apesar do interesse aparentemente mútuo, a operação nunca se concretizou. Em julho de 2012, Colombo teria recebido Reis na Casa d'Agronômica – Branco e Nelson Serpa, secretário da Fazenda, estavam presentes. Eles informam que as dívidas previdenciárias da Casan impediam a venda naquele momento. Meses depois, no período eleitoral, Reis relata ter sido chamado a outro encontro na residência oficial do governador onde recebeu o pedido para doar R$ 3 milhões em caixa 2 a campanha de Cesar Souza Junior (PSD) à prefeitura de Florianópolis – o que teria sido atendido. No final daquele ano, em um terceiro encontro no mesmo local, Reis ouve de Colombo e do então presidente da estatal, Dalírio Beber (PSDB), hoje senador, que a valorização da companhia permitiria o prosseguimento do negócio. 

Um novo encontro teria acontecido em 2013. Colombo teria falado como candidato à reeleição e dito que "no segundo mandato faria tudo que não fez no primeiro", incluindo a venda das ações da Casan. Segundo relato de Reis, teria pedido mais R$ 5 milhões para o caixa dois da nova campanha. Nesse encontro, apresentou José Carlos Oneda ao diretor, que teria ficado responsável por operacionalizar as novas doações. 

Em 2014, um novo personagem é introduzido pelo delator: o secretário Antonio Gavazzoni (PSD), da Fazenda. Em dois almoços no restaurante Toca da Garoupa durante o período eleitoral ele teria reforçado a necessidade da vitória de Colombo para a "perspectiva 'concreta' do leilão das ações" da Casan. O secretário teria pedido R$ 2 milhões para a reta final da campanha do governador e outros R$ 550 mil para cada um dos deputados estaduais Gelson Merisio ( PSD) e José Nei Ascari ( PSD) – alcunhados como  "cunhado" e "herdeiro", respectivamente. Em um terceiro encontro no mesmo local, já em fevereiro de 2015, Gavazzoni teria sinalizado com a sequência da operação – envolvendo os 20% de ações da Casan de propriedade da Celesc e outros 29% do Estado. 

O último encontro, em agosto de 2015, teria acontecido na Casa d¿Agronômica, com a presença de Colombo e Gavazzoni. Em pauta novamente a operação de venda das ações da estatal. Desta vez, Reis relata ter dito que a Odebrecht Ambiental não teria condições de investir R$ 400 milhões na compra do percentual acionário da estatal catarinense. Fazia apenas 28 dias que o presidente da empreiteira, Marcelo Odebrecht, havia sido preso pela Polícia Federal e levado até Curitiba – onde está até hoje. 

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