Ex-prefeito de Imbituba Jaison Cardoso é suspeito de ter recebido dinheiro para eleição de 2012 - Cidades - O Sol Diário

Delações12/04/2017 | 08h12Atualizada em 12/04/2017 | 17h52

Ex-prefeito de Imbituba Jaison Cardoso é suspeito de ter recebido dinheiro para eleição de 2012

Delação sobre político do Sul do Estado foi feita por Paulo Roberto Welzel, ex-presidente da Foz do Brasil, empresa do grupo Odebrecht

O ministro Edson Fachin, relator da Lava-Lato no Supremo Tribunal Federal (STF), remeteu para a Justiça Federal de Santa Catarina a investigação sobre o ex-prefeito de Imbituba Jaison Cardoso Souza (PSDB) por suspeita de recebimento de "pagamento de vantagem não contabilizada' nas eleições de 2012, quando o tucano foi eleito. 

A delação sobre o ex-prefeito foi feita por Paulo Roberto Welzel, ex-presidente da Foz do Brasil, empresa do grupo Odebrecht e faz referência aos documentos encontrados ainda em 2016 pela Polícia Federal na casa de um dos diretores da construtora. Com o apelido de "surfista", Jaison aparece como receptor de R$ 300 mil do Setor de Operações Estruturadas da construtora, que gerenciava a propina para políticos e partidos, entre agosto e setembro de 2012. 

Na lista, há a indicação "PW" como a pessoa responsável pelos pagamentos a Jaison. Segundo a delação de Wezel, os valores foram operacionalizados pela equipe de Hilberto Silva, diretor da Odebrecht. As investigações do MPF/PR apontam que "PW" era a sigla de Wezel.

"Identifiquei no município de Imbituba considerável insatisfação com os serviços de saneamento básico prestados pela Casan. Nesse contexto, o candidato a prefeito daquele cidade, Jailson Cardoso de Souza, então vereador na Câmara Municipal, demonstrou publicamente a intenção de não renovar a concessão com a Casan e promover uma licitação para a participação de empresas privadas no serviço de saneamento", conta Wezel em delação.

O ex-presidente da Foz do Brasil destaca ainda que  teve um encontro com o mesmo no restaurante do hotel Sofitel, em Florianópolis:

"Eu estava hospedado no hotel e o encontrei casualmente em tal restaurante. Aproveitei a oportunidade para reforçar com ele sobre o seu propósito em conceder à iniciativa privada os serviços de saneamento do seu município, tendo ele confirmado esse fato".

Wezel finaliza a delação dizendo que desde 2013 não acompanhava mais a situação.

Jailson Cardoso não disputou a reeleição no ano passado e não tem prerrogativa de foro. Por isso, o pedido de investigação do caso feito pelo procurador-geral da Procuradoria, Rodrigo Janot, foi declinado pelo ministro Fachin para a Justiça Federal catarinense para análise e possível abertura de inquérito. No despacho, o ministro afirma na petição número 6670:

"Trata-se de petição instaurada com lastro no Termo de Depoimento n. 5 do colaborador Paulo Roberto Welzel, o qual relata o pagamento de vantagem não contabilizada, em favor de Jaison Cardoso Souza, no âmbito da campanha eleitoral para a Prefeitura de Imbituba/SC, no ano de 2012."

Procurado pela reportagem, Jaison disse que não mantém contato funcionários da Odebrecht e que nos últimos 12 anos a prefeitura de Imbituba não fez nenhum tipo de negócio com a empresa. 

— Posso dizer que estou surpreso, mas fico à disposição da Justiça para esclarecer qualquer situação — concluiu. 

Apesar de eleito em 2012, Jaison Cardoso Souza respondeu um processo eleitoral por abuso de poder econômico. Investigado e denunciado pelo Ministério Público Eleitoral, o ex-prefeito foi cassado em primeira instância na Justiça Eleitoral antes da posse, mas conseguiu reverter a condenação no Tribunal Regional Eleitoral (TRE/SC).

Na lista encontrada Pela Polícia Federal em março de 2016, o nome do ex-prefeito de Navegantes, Roberto Carlos também aparece. No documento o nome de Welzel também é citado como responsável pelo pagamento de R$ 500 mil nas eleições de 2012 para Roberto Carlos. 

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