Universidades devem criar plano de internacionalização para ter bolsas do novo Ciência Sem Fronteiras - Cidades - O Sol Diário

Programa Substituto03/04/2017 | 19h55Atualizada em 04/04/2017 | 12h09

Universidades devem criar plano de internacionalização para ter bolsas do novo Ciência Sem Fronteiras

Mais Ciência, Mais Desenvolvimento focará em cursos de pós-graduação e alunos de graduação com bolsa de iniciação científica a partir de julho

Universidades devem criar plano de internacionalização para ter bolsas do novo Ciência Sem Fronteiras UFSC/Divulgação
UFSC foi a universidade da Região Sul do país que mais recebeu bolsas pelo Ciência Sem Fronteiras desde 2011 Foto: UFSC / Divulgação
Cristian Edel Weiss
Cristian Edel Weiss

cristian.weiss@diario.com.br

A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) deve lançar até o início do segundo semestre um edital do que está sendo chamado de Mais Ciência, Mais Desenvolvimento (MCMD). O novo programa terá foco apenas em alunos de pós-graduação, pesquisa, estudantes de graduação dos programas de iniciação científica e deve ser o substituto do Ciência Sem Fronteiras (CSF), lançado pelo governo federal em 2011 para contribuir com a internacionalização de universidades e permitir intercâmbio de alunos da graduação e pós-graduação. 

As informações são do secretário de Relações Internacionais da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Lincoln Fernandes, que acompanhou a apresentação do novo programa em 17 de março, na Pontifícia Universidade Católica de Porto Alegre, a pró-reitores de pós-graduação, pesquisa e secretários de relações internacionais de instituições da Região Sul do país. 

Para participar, as instituições deverão apresentar até julho deste ano um plano de internacionalização dos cursos para os próximos quatro anos. A intenção é evitar com o novo programa as falhas do Ciência Sem Fronteiras quanto ao controle do que é estudado pelos bolsistas no estrangeiro, o monitoramento da performance dos alunos e o retorno do investimento.

Para esse plano, segundo Fernandes, devem ser informadas quais são as áreas do conhecimento da instituição que têm prioridade no recebimento de bolsas, quais as universidades do exterior são prioridades para convênios (exigência é de que estejam entre as 150 melhores do mundo) e quantas bolsas cada instituição pretende receber nos próximos anos, por exemplo. Além disso, os departamentos devem estabelecer metas e indicadores.

As instituições terão até esta terça-feira para enviar dados ao Ministério da Educação sobre quantas bolsas recebem pelo CSF e outros programas da Capes e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), além de convênios firmados diretamente com universidades estrangeiras. 

Uma comissão das pró-reitorias de Graduação, Pós-Graduação e Pesquisa da UFSC já foi criada para elaborar o plano de internacionalização da universidade.

A expectativa é de que o edital do Mais Ciência, Mais Desenvolvimento seja lançado em julho. Segundo Fernandes, diferente do CSF, em que os alunos se inscreviam diretamente para receber as bolsas, cada curso de pós-graduação deverá se inscrever no edital para pleitear as vagas, semelhante ao que ocorre com outros programas de bolsas da Capes e do CNPq para pós-graduação.

Trecho da apresentação do Mais Ciência, Mais Desenvolvimento feita pela Capes a pró-reitores das universidades do Sul Foto: Reprodução/Capes

Prioridade é de cursos que já têm programa de internacionalização

Fernandes adianta que na UFSC devem ser priorizados cursos de pós-graduação que já tenham um programa de internacionalização mais estruturado ou estejam próximos disso, além de apresentar conceito Capes entre 6 e 7, os mais altos numa escala de 1 a 7 e que representam o equivalente ao alto padrão internacional. Entre os critérios para a obtenção desses conceitos estão a infraestrutura, a proposta do programa, análise do corpo docente e discente e produção intelectual.

– Mas não quer dizer que os cursos nota 5 ou nota 4 não vão receber nenhum auxílio. Como os cursos de pós-graduação com 6 e 7 estão quase internacionalizados, primeiramente vamos trabalhar com eles para que depois, com base no que foi feito, a gente trabalhe com os demais para ajudar na internacionalização também – explica Fernandes.

O projeto terá como enfoque principal estudantes que desenvolvam atividades de pesquisa e produção de conhecimento na pós-graduação, mas alunos de iniciação científica da graduação – que apresentam bom desempenho acadêmico e já auxiliam professores orientadores em projetos de pesquisa na universidade com financiamento Capes ou CNPq – também poderão participar. 

O MCMD prevê ainda a criação de parcerias entre universidades brasileiras e estrangeiras, além do pagamento, por parte da Capes, de bolsas para alunos que sejam aprovados no programa. Universidades públicas e privadas podem participar do edital do MCMD, desde que ofereçam cursos de pós-graduação stricto sensu (mestrado e doutorado).

Procurados pela reportagem, o Ministério da Educação e a Capes não responderam aos questionamentos sobre o novo programa até as 22h desta segunda-feira. 

Bolsistas do CSF para pós-graduação continuam com bolsas 

O Ministério da Educação informou em nota no domingo que o Ciência Sem Fronteiras está funcionando plenamente como programa de internacionalização para pós-graduação (mestrado, doutorado, pós-doutorado e atração de jovens cientistas). 

A Capes mantém editais para bolsas de pós-graduação e pós-doutorado e estágio sênior no exterior. Em 2017, recebem bolsas cerca de 5 mil nestas categorias. O CSF para graduação encerrou com o último edital de 2014. Há bolsistas remanescentes deste edital no exterior e visitantes no Brasil. O número chega a 4 mil. Segundo o Ministério da Educação, todas os recursos estão sendo pagos em dia enquanto há vigência desses contratos.

A UFSC é a instituição da Região Sul que mais recebeu bolsas pelo CSF. Desde 2011, foram concedidas 2.766, das quais 80% foram destinadas a alunos da graduação. Em Santa Catarina, foram 3.816 bolsas, 83% apenas para a graduação, segundo dados do CNPq e da Capes.

O perfil predominante dos alunos da UFSC contemplados pelo programa era de integrantes das classes A e B, entre 20 e 24 anos e aspirantes a engenheiros, conforme estudo da mestranda em Sociologia Política da universidade, Karen Lucia Martinez. Em muitos casos, os alunos nem comunicavam os professores do curso em que estão matriculados antes de viajar e as disciplinas que escolhiam cursar no exterior frequentemente não podiam ser validadas no Brasil.

– A Capes quer trabalhar com sua própria estrutura, que tem um controle e uma organização para que a coisa dê certo. Com a inclusão desses alunos de iniciação científica, acho que a gente vai resolver essa problemática de trabalhar com os alunos da graduação, que foi muito séria dentro do Ciência Sem Fronteiras. Acho que a gente vai poder controlar mais a ida e a volta desse aluno e a validação das disciplinas – aposta Fernandes. 

Desde julho do ano passado, o Ministério da Educação decidiu suspender novas bolsas pelo CSF para a graduação para planejar um novo formato. Uma avaliação da pasta chegou à conclusão de que era alto o custo para manter os alunos estudando fora do país: eram 35 mil bolsistas de graduação a um custo médio no exterior de R$ 100 mil por ano.

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